Por Que Deus Permite Conflitos
2 Coríntios 1.1-11
INTRODUÇÃO
Por que Deus permite conflitos, problemas, dificuldades na nossa vida?
Olhe, se você é um cristão, você estará sempre em conflito: ou estará no meio de
um, ou saindo de um ou entrando em um. Qual é o seu caso?
Certa ocasião uma senhora comentou: “...eu sei que neste mundo nós teremos
aflições... eu sei que Jesus nunca prometeu que teríamos uma vida sem lutas,
mas... por que dói tanto?".
Talvez este seja o seu sentimento hoje... você está vindo de dias difíceis, de
dias conturbados... e dentro de você, quem sabe, tem uma perguntinha dessa: "Por
que Deus permite conflitos na minha vida?".
É justamente sobre isto que o apóstolo Paulo está escrevendo neste comecinho de
carta aos coríntios... ele está usando os seus próprios sofrimentos como
ilustrações para nos ajudar a entender as razões de Deus para permitir desses
momentos difíceis, de tensão, de conflitos, na nossa vida.
Quais são estas razões... por que Deus permite conflitos na nossa vida?
...encontramos algumas razões aqui neste texto:
...eis a primeira razão porque Deus permite que tenhamos conflitos, é:
1. PARA QUE CONHEÇAMOS AS POSSIBILIDADES DE DEUS
Quando nós estamos sofrendo alguma luta, passando por algum problema, nós
temos a possibilidade de descobrir que a graça de Deus é o suprimento mais que
suficiente para qualquer situação horrível ou desagradável da nossa vida.
No v.2, encontramos a costumeira saudação: “Graça e Paz”... mas, de tão
costumeira, pode ser que você tenha perdido o sentido das palavras graça e paz.
Portanto, guarde isto: a palavra graça descreve todo o suprimento de Deus, todo
o favor de Deus, todas as possibilidades de Deus... e a palavra paz descreve a
conseqüência da graça de Deus em nossas vidas.
Em outras palavras, quando Deus concede a Sua graça, o Seu favor, o Seu
suprimento à alguém, a conseqüência é a paz – toda pessoa que conta com a Graça
de Deus, experimenta a paz de Deus em sua vida.
Por isso que é muito interessante nós nos saudarmos freqüentemente com a graça e
a paz do Senhor... porque estamos liberando isto uns aos outros.
Apesar da Bíblia mostrar que esse era o costume dos primeiros cristãos, nós
passamos muito tempo sem fazer uso dessa saudação na igreja...
Líamos sobre ela na Bíblia, mas dizíamos: “Ah! isso é coisa lá daquele tempo”...
e, quando aparecia alguém nos cumprimentando com a graça e a paz do Senhor,
ficávamos a perguntar: “O quê? ...o que é que eu digo? ... eu só estou
acostumado a responder bom dia, boa tarde, boa noite... mas, “graça e paz”como
eu respondo?
E quando adotamos a saudação dos primeiros cristãos, era mais engraçado ainda:
tínhamos constrangimento, falávamos bem desajeitados e baixinho...
Até que a fixa caiu e entendemos que saudar “graça e paz” é liberar o favor de
Deus sobre o outro a fim de que ele experimente da graça e da paz de Deus em sua
vida.
Essa saudação, irmãos, toda a vez que nós a usamos e a recebemos, por ela, somos
lembrados de que, para nós, da parte de Deus, há sempre socorro e conforto
[aleluia!]...
Essa saudação nos lembra que Deus tem todas as possibilidades para suprir toda e
qualquer dor da nossa vida. Amém!
Então, Graça e Paz, irmão? [...não escuto: Graça e paz!]
No v.3 está escrito: “Louvado seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o
Pai bondoso, o Deus de quem todos recebem ajuda!”
Essa é a natureza do nosso Deus: Fonte de toda misericórdia!
Portanto, esta é uma das primeiras razões pelas quais Deus permite os conflitos
em nossa vida – é que, em meio aos problemas, você possa descobrir o que Deus
pode fazer.
Deus pode manifestar a Sua graça, manifestar o Seu favor, o Seu suprimento, a
fim de que você experimente da Sua paz.
Por isso não fuja dos conflitos... também, não corra pra eles... não precisa,
eles surgem!
E quando surgir, veja-os como possibilidades de você conhecer e experimentar o
favor de Deus em sua vida.
Problemas são oportunidades para descobrir as soluções de Deus.
Sabe, volte a cantar aquela canção que diz: "Minhas provações não são maiores
que o meu Deus, e não vão me impedir de caminhar. Se diante de mim não se abrir
o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas!"
Amado, em Deus há um suprimento de graça para você descobrir. Aleluia!
...a segunda razão, é:
2. PARA QUE OS OUTROS POSSAM SER AJUDADOS
Lemos no v.4: “Ele nos auxilia em todas as nossas aflições para podermos ajudar
os que têm as mesmas aflições que nós temos. E nós damos aos outros a mesma
ajuda que recebemos de Deus”.
Irmãos, a segunda razão porque Deus permite conflitos em nossa vida é que
através da nossa experiência outros sejam ajudados.
Ouça isto: a melhor pessoa para ajudar um canceroso é uma pessoa que já teve
câncer... a melhor pessoa para ajudar um casal em dificuldade conjugal, é outro
casal que já passou por isso.
Há crentes mais velhos, que murmuram diante dos crentes novos, quando passam por
conflitos.
Isto é imaturidade... crentes assim estão dando testemunho que Deus não é
fiel... estão dando testemunho de que não haverá, da parte de Deus, nenhum
socorro.
Mas quando o crente enfrenta as lutas na força do Senhor, ele se torna uma
testemunha viva de que Deus sustenta.
O apóstolo Paulo está ensinando que nós nos tornamos modelos referenciais do
viver em Cristo, a medida que rompemos em fé, que caminhamos em fé...
Ele diz que, mesmo no meio dos sofrimentos, nós nos tornamos instrumentos de
Deus para ajudar os outros.
No v.6, ele diz: “Se sofremos, é para que vocês recebam ajuda e salvação. Se
somos ajudados, então vocês também são e recebem forças para suportar com
paciência os mesmos sofrimentos que nós suportamos”.
Paulo está dizendo: “Quando eu sofro é para o seu conforto... é para que você
possa ver o que Deus pode fazer”.
Existem pessoas que nos ensinam a lidar com situações difíceis da vida.
Eu fico sensibilizado com o exemplo de pais de crianças especiais ou
paraplégicas... a garra, a superação... o amor...
Nós também devemos ser modelos para os outros... o que você já sofreu em sua
vida, seus filhos, seus parentes, seus amigos, podem ser poupados de sofrer –
basta que olhem para a sua vida e vejam o que Deus fez!
Mas os modelos não substituem a experiência...
Como
gostaríamos de poupar os nossos queridos do sofrimento, mas, como nós, eles
também necessitam viver a suas experiências...
E, se eles compartilharam os nossos sofrimentos, compartilharão também da ajuda
que Deus nos deu.
No v.7 está escrito: “...assim como vocês tomam parte nos nossos sofrimentos,
assim também recebem a ajuda que Deus dá”.
Há uma bênção para os outros quando sofremos algo.
Este foi o entendimento de José do Egito... quem conhece um pouco da história de
José, sabe que ele foi vendido pelos próprios irmãos como escravo para o
Egito...
Mas sabe o que José disse aos irmãos, quando os reencontrou mais tarde? José
falou pra eles: “Agora não fiquem tristes nem aborrecidos com vocês mesmos por
terem me vendido a fim de ser trazido para cá. Foi para salvar vidas que Deus me
enviou na frente de vocês”. José também disse: “Deus me enviou na frente de
vocês a fim de que ele, de um modo maravilhoso, salvasse a vida de vocês aqui
neste país e garantisse que teriam descendentes” (Gn 45.5, 7).
Irmãos, alguns dos seus sofrimentos podem ser livramento para os seus filhos.
Por isso, fique firme em Deus – Deu sabe o que faz e tem boas razões para
permitir que cheguem os conflitos. Amém?
...uma terceira razão porque Deus permite conflitos em nossa vida, imagine por
que? ...é:
3. PARA NOS ENSINAR A NÃO CONFIAR EM NÓS MESMOS, MAS EM DEUS
Esta talvez seja uma das maiores razões porque Deus permite conflitos em nossa
vida.
É para quebrar o espírito duro e obstinado que insiste em viver no nosso
coração.
Nós somos naturalmente inclinados a recorrer apenas aos recursos humanos... por
natureza, não somos inclinados a recorrer a Deus... preferimos contar com a
nossa própria sabedoria, com nossa própria direção... com o nosso próprio
jeito... nunca somos de nos submeter ao controle de Deus.
Um garoto brincava no quintal de sua casa, quando inventou de empurrar uma
grande pedra, uma pedra pesada e quase do tamanho dele! O menino tentou mover a
pedra do lugar, empurrando-a com as suas mãos... mas ela nem se mexia... então,
experimentou empurrar com os seus pés... e a pedra não se mexia... aí,
experimentou empurrar com as mãos e com um dos pés... e a pedra também não se
movia do lugar... o garoto já estava suado, os bracinhos arranhados, quando
então, experimentou empurrar a pedra com o corpo, de costas... e a pedra não se
movia. O menino se pôs a chorar desconsolado... Aí, seu pai que a tudo
observava, disse: “Filho, você está tentando mover essa pedra do lugar, mas
ainda não usou todos os recursos! Não chore!”. “Usei, sim, papai. Eu já fiz de
tudo: já empurrei com as mãos, empurrei com os pés, empurrei com as costas...”,
o menino respondeu chorando. E o pai contestou: “Não, você usou todos os
recursos... você ainda não pediu a minha ajuda”.
Não é o que fazemos muitas vezes, tentando resolver ou remover sozinhos, certos
problemas da nossa vida, confiados em nós mesmos, em nossa força, em nossa
condição, ignorando a ajuda de Deus?
Por isso, para nos ensinar a não confiar em nós mesmos, Deus, muitas vezes,
permite que tenhamos problemas.
É aquela história: Nunca olhamos para cima... então Deus permite cairmos de
cama, porque nesta posição, no leito de dor, Ele sabe que, inevitavelmente,
iremos olhar para cima.
O apóstolo Paulo confessa que Deus teve que agir assim com ele... Deus precisou
permitir que problemas muito sérios viessem sobre Paulo afim dele aprender a não
confiar em si mesmo.
Veja o que Paulo escreveu aqui nos v.8 e 9: “Irmãos e irmãs, queremos que saibam
das aflições pelas quais passamos na província da Ásia. Os sofrimentos que
suportamos foram tão grandes e tão duros, que já não tínhamos mais esperança de
escapar de lá com vida. Nós nos sentíamos como condenados à morte. Mas isso
aconteceu [olhe a explicação] para que aprendêssemos a confiar não em nós mesmos
e sim em Deus, que ressuscita os mortos”.
Paulo era o tipo de pessoa muito autoconfiante, muito cheia de si e coisa e
tal... então Deus precisou quebrar várias vezes esse coração obstinado que Paulo
carregava.
Paulo sofreu uma queda do cavalo, sofreu cegueira, sofreu no deserto, e sofreu
muitos outros problemas...
Deus teve que colocar Paulo em situações que ele nada pudesse fazer, e isto,
para que ele aprendesse a não confiar em si mesmo, mas em Deus que ressuscita os
mortos.
E para você aprender a confiar em Deus, o que Deus precisará fazer?
...há uma última razão, que quero mencionar, porque Deus permite conflitos em
nossa vida, é:
4. PARA QUE DEUS SEJA LOUVADO PELA RESPOSTA DE MUITAS ORAÇÕES
No v.11, lemos isto: “Deus responderá às muitas orações feitas em nosso favor e
nos abençoará; e muitos lhe agradecerão as bênçãos que ele nos dará”.
Os sofrimentos nos ensinam que somos membros de uma família, que fazemos parte
do corpo de Cristo e que necessitamos uns dos outros.
Na igreja é assim: se um membro sofre, todos os outros sofrem juntos – se
mobilizando para dar suporte, dar apoio, ajuda...
Na igreja, uns oram pelos outros... pois, aqui está escrito, que será em reposta
a estas orações que Deus enviará a sua bênção e trará livramento.
E por causa disto, Deus será louvado, não somente por você, mas por muitos
outros. Aleluia!
Conclusão
Portanto, lembre-se disto:
Os seus conflitos permitem que você conheça as possibilidades do seu Deus;
Os seus conflitos servem de ajuda para os seus queridos;
Também, através dos seus conflitos, você aprende a não confiar em si mesmo mas
só em Deus;
E ainda isto: Deus é louvado a cada conflito resolvido em oração.
Pr Walter Pacheco da Silveira, 03.12.06 – Fonte: Pascoal Piragine Jr.