O JUSTO E O ÍMPIO
Salmo 1
1. Neste Salmo o salmista (Davi) faz uma comparação entre o justo e o ímpio,
dando destaque ao fim de cada um.
2. W. R. Taylor, em O N. T. Int. V. por V., de R. N. Champlin comenta: “O
salmista sabia bem que os fatos da história e da experiência individual com
freqüência parecem falhar diante das expectativas do fiéis. Mas ele afirmou que,
a despeito de todas as aparências, é verdade permanente que Deus cuida de todos
quantos O temem, e, portanto, tudo vai bem com os que amam a Sua lei, e tudo vai
mal com os que a desprezam”.
3. Pergunta: Será que isso é verdade mesmo?
4. Resposta: às vezes parece que não, mas é verdade sim. Deus cuida daqueles que
são seus e os faz triunfar. Mas temos que lembrar que o triunfo implica em luta
e não em falta dela.
5. Ilustração: Falar sobre a notícia de M. Z. quando foi preso na Palestina. Ele
enfrentou luta e saiu duplamente vitorioso: Foi libertado (ainda que deportado
para o Brasil) quando poderia ter sido morto e ainda teve oportunidade de
testemunhar a autoridades e prisioneiros. E se ele, por não negar a Jesus,
tivesse sido morto? Não teria sido vitorioso por isso?
6. Existem dois tipos de gente que crê em Deus: os deístas e os teístas.
a. Os deístas afirmam que Deus criou o mundo e depois o abandonou, deixando-o
sob cuidado das leis naturais. Ele (Deus) não age na história, não interfere,
não pune e nem protege.
b. Mas os teístas afirmam que Deus não somente é o Criador, como também se faz
presente entre nós, intervém na história humana, recompensa e pune.
7. Qual a afirmação correta? A afirmação teísta é a correta, e este Salmo, bem
como a Bíblia como um todo, é altamente teísta.
8. Feita essa introdução, vejamos, de uma forma bem simples, a mensagem do Salmo
I. EM PRIMEIRO LUGAR VEJAMOS SOBRE O JUSTO.
1. O justo é apresentado como alguém que “não faz” e que “faz”.
a. O que o justo não faz? O verso 1 mostra:
i. O justo não anda segundo o conselho dos ímpios
ii. O justo não se detém no caminho dos pecadores
iii. O justo não se assenta na roda dos escarnecedores (ou zombadores)
Com isso o salmista quer dizer que o homem justo não adota para si os planos e
nem o padrão de vida dos ímpios; não os acompanha em suas empreitadas
pecaminosas.
b. O que o justo faz?
i. Veja o v. 2.
ii. Adam Clarke (citado por Champlin) comenta: “Não se trata de um estudo
ocasional para o homem piedoso. Antes, trata-se de seu trabalho dia e noite. Seu
coração dedica-se a esse mister. É o seu emprego. Seu estudo é freqüente, e, de
fato, perpétuo.”
iii. Allen P. Ross (citado por Champlin) comenta: “Tal meditação necessariamente
envolve estudo e retenção da matéria estudada”.
iv. John Gill (citado por Champlin): “Isso deve ser compreendido como diligente
leitura e consideração da lei (de Deus), com o emprego do raciocínio e um estudo
profundo... diariamente.”
v. Champlin comenta: “O versículo, naturalmente, exalta o lado intelectual como
uma ajuda ao crescimento espiritual. As experiências místicas não representam
tudo, nem são a única forma de desenvolvimento espiritual.”
O justo ocupa-se, usando o seu tempo e a sua mente, em apreender a lei do
Senhor, tendo, obviamente, como objetivo, andar segundo essa lei.
2. O justo é “bem aventurado” (v. 1) e é comparado a uma árvore frutífera
plantada junto a ribeiros de águas (v. 3)
a. O termo “bem-aventurado” significa “feliz”. O crente é feliz tanto interior
quanto exteriormente. Sua felicidade não é produto das circunstâncias. Ela
provém de Deus, e, portanto, é perpétua.
b. A metáfora da árvore plantada junto a ribeiros de águas indica prosperidade.
Uma árvore plantada junto a ribeiros de águas conta com um suprimento abundante
de água.
c. Da mesma forma, o justo, por estar junto a Deus e à Sua Palavra prospera,
conta com o suprimento que Deus dá. Deus não deixa faltar o suprimento material
e nem o espiritual. Como Jesus deixa claro, em Mateus 7.25, podem vir os ventos,
a chuva, os rios, enfim, venha o que vier, essa pessoa não cai porque está
edificada sobre a Rocha. Mas não pode se transferir dessa Rocha para um outro
lugar, como o orgulho por exemplo. No momento em que fizer isso cairá. Por isso
Paulo disse: “aquele que está de pé cuide para que não caia”.
d. Uma árvore frutífera plantada junto a ribeiros de águas frutifica
naturalmente na época certa. Da mesma forma o justo é frutífero. Veja em Gálatas
5.22 o fruto que nele é produzido. É o fruto do Espírito.
II. VEJAMOS AGORA SOBRE OS ÍMPIOS.
1. “O ímpios não são assim...”
a. Os ímpios, em contraste com os justos, não podem ser comparados a uma
árvore bem regada e frutífera. Antes, são como a palha que o vento dispersa.
b. Champlin comenta: “A figura, neste versículo, é o ato de trilhar as sementes.
As espigas produzem seu grão, e o que resta é inútil. O vento dispersa a parte
da palha inútil, e os homens queimam o restantes. Os homens lançam ao ar a
palha, para que o grão dela se separe, e o que sobra, sendo de menor peso, é
soprado pelo vento. O que cai de volta ao chão é, então queimado, no tempo
apropriado”.
2. Os ímpios não subsistirão
a. O ímpio pode até “se dar bem” por algum tempo. Esse tempo até pode ser,
ainda que não necessariamente, toda a sua vida terrena. Mas quando o juízo de
Deus se abater ele não poderá resistir. O ímpio terminará muito mal tanto física
quanto espiritualmente.
ENCERRANDO O SALMO,
1. Davi reforça o que ele vinha dizendo sobre a não subsistência do ímpio,
bem como diz que o Senhor conhece o caminho dos justos.
2. Deus conhece os que Lhe pertencem e os abençoa, os faz triunfar.
Pr. Walmir Vigo Gonçalves