Salmo I
Salmo 1
1- Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se
detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2 - Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de
noite.
3 - Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu
fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
4 - Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
5 - Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação
dos justos.
6 - Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios
perecerá.
Para entendermos plenamente os conceitos que este salmo apresenta precisaremos
nos socorrer de outros versículos presente no próprio livro dos salmos, aliado
com o que conhecemos do evangelho de Cristo!
O evangelho nos mostra que homem algum será salvo por intermédio de suas
realizações e condutas. A salvação de Deus é alcançada através da fé em Cristo.
Este conhecimento prévio da verdade do evangelho aliado ao que outros salmos
apresentam nos faz olhar com cautela para a primeira leitura que fazemos do
salmo primeiro. Observe:
“Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” Sl
32. 1.
“Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito
não há engano” Sl 32. 2.
“...bem-aventurado o homem que nele confia” Sl 34. 8.
“Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os
soberbos nem os que se desviam para a mentira” Sl 40. 4.
“Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite
em teus átrios” Sl 65. 4.
“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos
aplanados” Sl 84. 5.
Há um padrão de idéia presente nos versículos acima que diferencia o salmo
primeiro dos outros salmos. Porém, a diferença é produto de uma leitura
superficial, pois o salmo primeiro diz exatamente o que os outros salmos dizem.
Os outros salmos demonstram que a bem-aventurança decorre de Deus que trabalha
em prol dos homens.
Com base nos versículos citados, seria contra senso entender que o salmo
primeiro enfatiza que a bem-aventurança decorre simplesmente de questões
comportamentais como o não andar com um ímpio, ou o não se assentar em uma roda
com escarnecedores.
Sobre este ponto em específico, de não ter contato com homens ímpios, o apóstolo
Paulo assevera: “Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo,
ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos
seria necessário sair do mundo” I Co 5. 10.
Se a bem-aventurança fosse alcançada através de questões comportamentais,
necessariamente o bem-aventurado não pertenceria a este mundo. Mas, como Jesus
disse: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” Jo 17. 15, é
certo que a bem-aventurança não diz de questões comportamentais.
O salmo primeiro trata exclusivamente de questões espirituais!
Quem é bem-aventurado? A resposta completa encontra-se no último versículo, a
saber: somente é bem-aventurado aquele que tem o seu caminho conhecido pelo
Senhor! (v. 6a).
"Pois o Senhor conhece o caminho dos justos" Sl 1: 6.
O que realmente torna o caminho do homem conhecido de Deus?
A transgressão perdoada por Deus.
O pecado encoberto por Deus.
Não ter imputada a maldade.
A confiança em Deus, etc.
Para que o homem tenha o caminho conhecido por Deus não se pode fiar em
argumentos pobres e fracos tais como “Não toques, não proves, não manuseies?” Cl
2. 21- 23. Isto porque princípios ou argumentos que decorrem de questões
comportamentais são fracos e pobres diante de Deus "Mas agora, conhecendo a
Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses
rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” Gl 4. 9.
Ou seja, aquele a quem o Senhor conhece o caminho, este é justo. É justo diante
de Deus quem tem o caminho aplainado por Deus; que confia em Deus; que obteve o
perdão das transgressões. Este é verdadeiramente conhecido do Senhor.
Um salmo, por ser um texto poético, permite a construção de texto que estamos
analisando. As poesias hebraicas trabalham em primeiro plano as idéias,
substituindo aquilo que as nossas poesias valorizam, ritmo e rima, e neste ponto
a ultima frase complementa a idéia da introdução da poesia.
Ou seja, a idéia que o salmo primeiro quer destacar é que o homem somente é
bem-aventurado quando o Senhor conhece o seu caminho. Somente o justo é
bem-aventurado! Aleluia!
Mas, o caminho dos ímpios perecerá como conseqüência de Deus não conhecer o
caminho deles.
A idéia presente na palavra conhecer diz de uma união plena. Transmite a idéia
de Deus no homem e o homem em Deus I Jo 4: 15- 16.
Os ímpios perecerão, mas não em conseqüência de terem se assentado em rodas
de beberrões para contar anedotas. Os ímpios estão perdidos, não por freqüentar
lugares reprováveis pela moral humana. Eles perecerão porque Deus não conhece o
seu caminho! Perecerão por que Deus não está neles, e vice versa.
Observe que o salmo faz referência a um caminho, e não a vários caminhos:
"Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios
perecerá" (v 6).
Os ímpios não subsistirão no juízo em decorrência do caminho que estão, e não
por questões comportamentais. Isto porque, todos já estão condenados antes mesmo
de comparem em juízo, quando as suas obras não lhes aproveitarão.
O que levou a humanidade à condenação foi a queda de Adão. Foi lá no Éden que os
homens tomaram um caminho 'desconhecido' de Deus.
Haverá um dia em que os ímpio não permanecerão na congregação dos justos, visto
que os justos terão lugar em separado dos ímpios. Este trecho não se refere aos
nossos dias! Acaso hoje não existem ímpios em nossas reuniões solenes?
Há duas comparações interessantes neste salmo:
1º ) “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o
seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer
prosperará!” (v. 3).
O homem bem-aventurado, ou seja, aquele que é conhecido do Senhor, será COMO uma
árvore plantada junto a ribeiros de águas. Observe que os frutos são produzidos
no tempo certo; e, que as folhas não cairão, e tudo quanto realizar prosperará.
A união entre o homem e Cristo faz com que produzamos bons frutos a seu tempo,
pois tudo o que produzirmos será segundo a natureza de Cristo. Não há como uma
árvore boa produzir frutos maus; e não há como uma árvore má produzir bons
frutos.
2º ) “Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha” (v.
4).
Enquanto o justo está edificado sobre a pedra de esquina, os ímpios são
comparados a moinha levada pelo vento. Não tem um local fixo.
Após estas observações inicias, podemos analisar a idéia que o salmo expõe
profundamente:
Compare:
“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém
no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o
seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” Sl 1. 1-2.
Porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá
(v. 6).
Observando os versículos, percebemos que existem vários ímpios, mas só um
conselho; existem vários pecadores, mas só um caminho; existem inúmeros
escarnecedores, mas só uma roda.
Por fim, existem vários justos, mas só um caminho é conhecido pelo Senhor;
muitos ímpios perecerão, mas o caminho deles é único, o que leva a perdição.
A diferença entre justos e ímpios está no caminho em que estão trilhando, e não
em questões comportamentais. Alguém pode questionar: Por que o comportamento não
diferencia quem é justo ou não?
Se bem observarmos, há descrentes (pessoas que não conhecem a Cristo), que são
sinceros, regrados e fiéis no trato, mas que não alcançaram a salvação. O
comportamento destas pessoas interessa a elas e a sociedade em que convivem, mas
para a salvação não é de valor algum.
O apóstolo João evidencia esta verdade: “Quem tem o Filho tem a vida, mas quem
não tem o Filho de Deus não tem vida” I Jo 4. 12.
Se o homem tem a Cristo, este é conhecido de Deus, uma vez que é um dos filhos
de Deus. Não é o comportamento do homem que concede filiação divina, mas sim o
nascer da água e do Espírito.
Não é aquilo que o homem faz, ou que deixa de fazer que lhe dará direito a vida
eterna, mas sim, ter o caminho conhecido pelo Senhor. Este verdadeiramente é
bem-aventurado"
Os bem-aventurados, aqueles que tem o seu caminho conhecido pelo Senhor, devem
comportam-se de maneira adequada, diferenciada dos homens devassos deste mundo.
Porém, não é o comportamento diferenciado daqueles que alcançaram a
bem-aventurança que os levou a condição de alegria verdadeira em Deus.
Claudio Crispim