Outros Sermões Rute

O VALOR DA AMIZADE
Rute 1. 16-17

Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. 17 Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

Introdução:
Duas histórias sobre amizade: O Cão e a Raposa e o Sapo e a Cobra.

O valor da amizade revela-se:

1. Quando não se deixa vencer pelas dificuldades e diferenças.
Dois viajantes encontraram um urso na estrada.
O primeiro subiu num árvore e se escondeu.
O outro apavorado, resolveu se jogar no chão e se fingir de morto. O animal chegou perto, cheirou as orelhas dele e foi embora. (Dizem que um urso não mexe com quem está morto). O que estava na árvore desceu e perguntou ao outro companheiro o que o urso tinha cochichado.
Ele me disse para não viajar mais com quem abandona os amigos na hora do perigo.
É na dificuldade que se prova a amizade. Livro das Virtudes I - Página 184.

Aquele era um momento difícil na vida de Noemi. Era fácil ser amiga de Noemi quando ela tinha filhos para dar como esposa e esses filhos representavam sustento e segurança para Rute e Órfã. Agora Noemi não tem nada para oferecer, não tem marido, nem filhos, nem casa, nem segurança alguma que pudesse oferecer a Rute. A dramaticidade do momento está revelada na expressão "novamente choraram em voz alta".
Mas, a amizade não se deixa vencer pelas circunstâncias difíceis, pelo contrário, é nessa hora em que ela revela o seu valor na aproximação e no apoio.
Além do momento difícil havia diferenças entre Rute, diferença de idade, diferença de culturas, diferença de povos. Essas barreiras não assombram Rute, ela está disposta a vencê-las em nome do amor que nutre por sua sogra Noemi.
A verdadeira amizade não desconhece as diferenças e as vence.

2. Na capacidade de ouvir.
Noemi estava amargurada, as suas palavras ao chegar a sua terra, eram as palavras que acreditamos, ela viesse proferindo ao longo do caminho lamentando a sua situação: Rute 19-21: Então, ambas se foram, até que chegaram a Belém; sucedeu que, ao chegarem ali, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres diziam: Não é esta Noemi? Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Ditosa eu parti, porém o SENHOR me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o SENHOR se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido?
Ser amigo, mais do que dar conselhos é saber ouvir, é ser o ombro em que se possa chorar, é ser atento ao que o outro tem a dizer.
Os amigos de Jô estavam mais preocupados em convencer-lhe de que o seu sofrimento era conseqüência dos seus erros do que sensíveis e atentos àquilo que dizia a respeito do que estava sentindo.

3. No desejo de estar junto. Não me instes para que te deixes...
O Conselho de Noemi era sábio. Não tinha nada a oferecer, nem futuro nem esperança para Rute. Mas, acima de qualquer outro benefício que pudesse vir a ter estava o desejo de estar junto com a pessoa amiga.
Rute nos ensina que os amigos valem pelo que são, não por aquilo que podem nos dar.
No mundo utilitário em que vivemos em que as pessoas estão mais voltadas para si mesmas e para as suas necessidades a atitude de Rute nos ensina o valor de uma amizade. Para ela, estar junto de Noemi era mais importante do pudesse vir a ganhar.

4. Aprofunda-se com a busca de compartilhar as mesmas coisas. O teu povo, o teu Deus.
Se a amizade luta para vencer as diferenças, ela se aprofunda no compartilhar as coisas em comum.
Rute expressa isso ao fazer do povo de Noemi o seu povo, ao se dispor a ir viver na mesma terra.
A amizade tem esse condão de nos tornar cúmplices e compartilhar as alegrias e tristezas e de fazer com que a alegria do nosso amigo seja a nossa alegria; as suas lágrimas sejam as nossas lágrimas; os seus fracassos sejam os nossos fracassos e as suas vitórias sejam as nossas amizades.
Na amizade não existe inveja, pois a vitória do outro é nossa também.

5. Finaliza com o propósito de manter-se leal.
Faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
A amizade verdadeira só pode ser destruída com a morte.
Gostaria de ilustrar essa verdade acerca da lealdade entre amigos com uma história que se passa em Siracusa, cidade-estado da Sicília, no século IV, a.C., narrada por Cícero, acerca de Damon e Pítias (também chamado de Fíntias) e que eram seguidores de Pitágoras.

Damon e Pítias eram grande amigos desde a infância. Confiavam um no outro como se fossem irmãos e ambos sabiam, no fundo do coração, que nada havia que não fizessem um pelo outro. Chegou o dia em que precisaram demonstrar a profundidade dessa amizade. Aconteceu assim:
Dionísio, rei de Siracusa, aborreceu-se ao tomar conhecimento dos discursos que Pítias vinha fazendo. O jovem pensador andava dizendo ao público que nenhum homem deveria ter poder ilimitado sobre outro e que os tiranos absolutos eram reis injustos. Num assomo de cólera, Dionísio mandou chamar Pítias e seu amigo.
- Quem você pensa que é, espalhando a inquietação entre as pessoas? - exortou.
- Divulgo apenas a verdade - respondeu Pítias. - Não haver nada errado nisso.
- E sua verdade sustenta que os reis têm poder demais e que suas leis não são boas para os súditos?
- Se um rei apossou-se do poder sem a permissão do povo, sim, é o que falo.
- Isto é traição! - gritou Dionísio - Você está conspirando para me depor. Retire o que disse ou arque com as conseqüências.
- Não retiro nada - respondeu Pítias.
- Então você morrerá. Tem algum último desejo?
- Sim, permita-me ir em casa apenas para dizer adeus à minha mulher e meus filhos e deixar em ordem os assuntos domésticos.
- Vejo que não somente me considera injusto, mas também estúpido - Dionísio riu sarcástico. - Se sair de Siracusa, tenho certeza de que nunca mais o verei.
- Dou-lhe uma garantia nesse mundo você me poderia dar para fazer-me crer que algum dia voltará? - Exclamou Dionísio.
Nesse momento, Damon, que permanecia calado ao lado do amigo, deu um passo à frente.
- Eu serei a garantia - disse. - Mantenha-me em Siracusa como seu prisioneiro até o retorno de Pítias. Nossas amizade é bem conhecida. Pode ter certeza de que Pítias voltará se eu ficar retido aqui.
Dionísio examinou em silêncio os dois amigos.
- Muito bem - disse por fim. - Mas se estás disposto a tomar o lugar do seu amigo, deve se dispor a aceitar a mesma sentença, se ele quebrar a promessa. Se pítias não voltar a Siracusa, você morrerá em lugar dele.
- Ele cumprirá a palavra - respondeu Damon. - Não tenho a menor dúvida.
Pítias recebeu permissão para partir e Damon foi atirado na prisão. Muitos dias se passaram e, como Pítias não voltava, Dionísio se deixou vence pela curiosidade e foi à prisão ver se Damon já estava arrependido de ter feito o acordo.
- Seu tempo está chegando ao fim - o rei de Siracusa escarneceu. - Será inútil implorar misericórdia. Você foi um tolo ao confiar na promessa do seu amigo. Pensou realmente que ele iria sacrificar a vida por você, ou por qualquer outra pessoa?
- É um mero atraso - Damon rebateu com firmeza. - Os ventos não permitiram que navegasse, ou talvez tenha encontrado um imprevisto na estrada. Mas se for humanamente possível chegará a tempo. Tenho tanta certeza da sua virtude como da minha própria existência.
Dionísio admirou-se da confiança do prisioneiro.
- Logo veremos - disse ele, deixando Damon sozinho na cela.
Chegou o dia fatal. Damon foi retirado da prisão e levado à presença do algoz. Dionísio saudou-o com um sorriso presunçoso.
- Parece que seu amigo não apareceu - ele riu - Que acha dele agora?
- É meu amigo - Damon respondeu. - Confio nele.
Nem terminara de falar e as portas se abriram, deixando entrar Pítias cambaleante. Estava pálido, ferido e a exaustão tirava-lhe o fôlego. Atirou-se aos braços do amigo.
- Você está vivo, graças aos deuses - soluçou. - Os fados pareciam conspirar contra nós. Meu navio naufragou numa tempestade, bandidos me atacaram na estrada. Mas recusei-me a perder a esperança e finalmente consegui chegar a tempo estou pronto a cumprir minha sentença de morte.
Dionísio ouviu com espanto essas palavras. Abriam-se seus olhos e o seu coração. Era-lhe impossível resistir ao poder de tal lealdade.
- A sentença está revogada - declarou ele. - Jamais acreditei que pudessem existir tamanha fé e lealdade na amizade. Você mostraram como eu estava errado e é justo que os recompense com a liberdade. Em troca, porém, peço grande auxílio.
- Que auxílio? - Perguntaram os amigos.
- Ensinem-me a ter parte em tão sólida amizade.

Gostaria de concluir com um texto que deixo para cada um de vocês a respeito da amizade.

A Árvore dos Amigos
Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho.
Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo.

Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe.
Mostram o que é ter vida.
Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós.
Passamos a conhecer toda a família, a qual respeitamos e desejamos o bem.

Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses são designados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros.
Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.

Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.
Falando em perto, não podemos nos esquecer dos amigos distantes, que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, aparecem novamente entre uma folha e outra.

O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.
Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam aumentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam o nosso caminho.
Desejo a você, folha da minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade... Hoje e Sempre...
Simplesmente porque: Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada.
Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.
Quero que você passe esta mensagem para todos os seus amigos... Para aqueles amigos do dia-a-dia, mas também para aqueles que você não vê a tempos... Eles vão gostar de ver que ainda fazem parte da sua Árvore de Amigos...

Dedico essa mensagem aos meus amigos que nos momentos difíceis estiveram solidários comigo.