SOBRETUDO... GUARDE O TEU CORAÇÃO
Provérbios 4:23
O coração é conhecido, pelo senso comum, como a sede de nossas emoções
"De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo
a tua palavra" (Sl 119:9). "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo
dá em caminhos de morte" (Pv 14:12).
Uma velha canção popular dizia: "O que é bom tá guardado". Mas o que é bom?
Muitas coisas são boas, mas há algo que devemos guardar acima de todas as
outras, que é o nosso coração, porque dele procedem as fontes da vida ().
O coração é conhecido, pelo senso comum, como a sede de nossas emoções.
É o abrigo de nossa alma. Com ele sentimos, emocionamo-nos e, muitas vezes, é
com o coração que decidimos e manifestamos a nossa vontade. É com o coração que
sofremos, alegramo-nos, entristecemos ou iramos. É com o coração que pecamos.
Temos consciência do erro porque alei está gravada em nosso coração (Jr 31:33).
Por isso, quando entregamos nossa vida a Jesus, vêem em nossa memória todos os
nossos atos pecaminosos do passado, ainda que, naquela época, não tivéssemos a
consciência do pecado.
Quando temos um encontro com Deus, nossas obras são afloradas juntamente com
arrependimento, o desejo e a decisão de não mais praticá-las. É isso que
determina nossa conversão, ou mudança de direção. Aquele que fazia a vontade da
carne, agora não faz mais, antes, entrega essa vontade a Deus que o sustenta e o
capacita a resistir e não fazer mais o que ele quer, mas o que Deus quer. "Não
vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que
sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a
tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar" (1 Co 10:13).
Apesar de termos nos entregado à vontade de Deus, o livre arbítrio nos pertence
e, se quisermos retomá-lo, Deus nada fará para nos impedir. Ele quer o nosso
amor voluntário; quer que sejamos cristãos de verdade e não porque está nos
induzindo a isto. "Porque os caminhos do homem estão
perante os olhos do Senhor, e ele considera todas as suas veredas.
Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu
pecado será detido" (Pv 5:21,22).
Somos capazes de controlar nossas vontades e temos o poder de decisão.
Para ilustrar, eu diria que não podemos evitar que uma mosca pouse em nossa
cabeça, mas podemos impedí-la de permanecer lá. Controlamos nossa vontade,
usando o livre arbítrio para decidir sobre o certo e o errado, o que devemos ou
não fazer, o que agrada ou desagrada a Deus. Isto faz parte da coordenação de
nossas decisões e maquinações para o bem ou para o mal, conforme o nosso
intento. Quando temos um sentimento, somos incapazes de impedir as emoções
advindas dele. Podemos, muitas vezes, disfarçá-las ou bloquear as mudanças
automáticas que ocorrem em nossas vísceras e no meio interno, mas o sentimento
dentro de nós permanece e é testemunha desse fracasso.
O livre arbítrio é o poder necessário para que possamos escolher amar a Deus. E
os sentimentos são instrumentos que permeiam e influenciam as nossas escolhas,
as quais se tornam valores eternos. O homem é dotado de razão, vontade e
liberdade; é capaz de criar fins e valores, de escolher entre várias opções
possíveis, pois é livre e age por liberdade.
Sentimentos e emoções estão intimamente ligados a ponto de não conseguirmos
divisá-los. Mas temos capacidade de usar o livre arbítrio para fazer escolhas,
não dentro de nossa vontade, mas da vontade de Deus.
Conhecendo bem a Palavra de Deus, podemos conhecer melhor o Autor dela e saber
sua orientação para nossa vida, podendo assim guardar puro o nosso coração.
"Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Sl 119:11)
"Ouvi-me, todos, e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa
contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina. Porque de dentro, do
coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos,
os homicídios, os adultérios, a avareza, as
malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora,
todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem" (Mc 7:14,15,21-23).
Rosângela Brito