COMO O SOL
Malaquias 4.2
Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo
vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando
do curral.
Natal amanheceu hoje sob uma intensa chuva. A cidade está escura, com céu
encoberto. E um frio incomum para esta cidade. Acordei perto das nove horas, mas
a vontade era permanecer deitado por muito mais tempo. A vontade era não ter
muita coisa o que fazer. Chuva é tempo que nossa única vontade é encontrar
abrigo sob os lençóis, se protegendo do frio e da escuridão que abate o mundo lá
fora. A vida fica em ritmo mais lento e, sob chuva intensa, alguns compromissos
não tão urgentes podem ser adiados ou modificados sem grandes crises. A vida
muda com o tempo frio e chuvoso.
Mas estamos nos trópicos, bem próximos ao Equador. Por isso, não tenho idéia do
que representa um frio de nevasca, do inverno de temperaturas abaixo de zero.
Mas posso imaginar como é esse quadro a partir da experiência da minha cidade.
Temperaturas um pouco mais baixas e muita chuva paralisam, em boa parte, cada um
de nós. Como se quedará a vida paralisada com muitos graus abaixo de zero e
neve, em vez de chuva?
Uma coisa eu sei: esse frio pesa. Vez por outra vemos nos noticiários notícias
de tragédias no inverno europeu. Tragédias que são causadas pela neve acumulada
sobre os telhados. O peso do inverno, figurado pela neve, derruba os telhados e
causa estragos e mortes. As pessoas precisam se preocupar sempre em limpar as
ruas [a neve nas ruas impede a vida, o deslocamento das pessoas] e limpar seus
próprios telhados, para evitar os grandes danos.
Olhando desse ponto de vista, a importância do sol é multiplicada. Quando o sol
começa a romper as barreiras das nuvens no nosso céu, anima-nos um pouco mais
para as tarefas que nos são postas em mãos. Quando a temperatura começa a subir,
o calor a aumentar, logo logo sairemos da cama, de debaixo dos lençóis, não
quereremos permanecer em casa. A chegada do sol traz a vida de volta, de volta
ao seu ritmo normal. Acelera-nos, como se fosse uma bateria a nos carregar.
Os raios do sol começam a secar a cidade e eliminar, pouco a pouco, os
transtornos ocasionados por aquela chuva. E quando pensamos na neve? O sol
derrete a neve, tirando os entraves da vida, removendo o peso que está sobre os
telhados, fazendo brotar novamente a vida. É primavera e a vida vai voltando ao
seu ritmo. Nas regiões de nascentes, o derretimento da neve e do gelo faz os
rios correrem em seu leito normal, aumentando a vazão de água que leva a vida
montes abaixo. Em suma, a chegada do sol e o brilho dos seus raios trazem de
volta a vida plena em toda parte. Nossa vida é totalmente dependente do brilho
do sol.
Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo
vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando
do curral. Vez por outra, o inverno da tristeza abate o nosso coração. O céu
fica escuro, a temperatura baixa, nosso ritmo diminui. Tudo o que queremos é nos
enfiarmos no abrigo mais seguro para fugir do frio da chuva. Às vezes, o inverno
da tristeza é tão severo que neva muito. O peso da tristeza vai se acumulando
nos telhados do nosso coração e vai comprometendo as estruturas de nossa vida.
Além da paralisia do frio e da escuridão, corremos o risco de vermos todas as
paredes de nossa vida ruírem e se desfazerem.
O estrago e os empecilhos na vida, causados por esse inverno, podem ser muitos.
Mas podemos deixar a luz do céu entrar. O sol da justiça brilhar. Mas, para
vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus
raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral. A
salvação brilha como sol. A alegria do Senhor, a nossa força, é vida que nos
invade com os seus raios, como do sol, e nos contagia irresistivelmente. A
alegria explode em nosso peito e nossa face. A vida volta a valer a pena.
Quando esse Sol brilha e vem derreter a neve do nosso inverno, derrete o peso
que abafa o nosso coração. Derrete o gelo que impede o rio da vida de Deus, o
Espírito, de correr com liberdade em nosso interior. A tristeza, derretida, se
converte no fluir do Espírito de Deus. Converte-se na alegria trazida pelas
Águas Vivas. É primavera em nosso ser. A vida trazida pelos raios do Sol da
Justiça faz aumentar a vazão das águas do rio da vida em nosso interior. A neve
da tristeza derretida faz isso. E nos conduz a uma nova dimensão de vida e
liberdade. A alegria é, agora, uma euforia contagiante. Toma-nos de maneira
irrestível. Então, saltamos de alegria, como bezerros que saem saltando do
curral.
Celebraremos assim o Sol da Justiça que põe fim ao nosso inverno, trazendo em
Seus raios a vida. Porque em Sua Presença há alegria abundante, contagiante,
embriagante, constante, alegria que é fruto do Espírito Santo, rio de vida que
corre em nosso interior. Disponível para aquele que buscar, com inteireza de
coração, a comunhão e intimidade com Jesus, caminho conquistado uma vez por
todas na Cruz.
Daniel Dantas