Judas
3
Há vários personagens no Novo Testamento com o mesmo nome, porém há pouca dúvida
de que o que escreveu esta breve carta não era somente o irmão de Tiago, mas
também o irmão de Jesus (veja-se Marcos 6:3). Escrita por volta do ano 65 d.C.,
ela é uma ardente condenação aos falsos mestres. Judas nos diz no verso 3 que
não tinha a intenção de escrever esse tipo de documento, porém as circunstâncias
lhe compeliram a defender o evangelho que tinha sido dado de uma vez por todas
aos santos. “Judas leva o ensinamento de toda a Bíblia com relação à apostasia
até um imenso clímax. Primeiro, nos devolve ao extremo princípio da história do
homem. Recorda-nos da apostasia cometida no Éden e no seio do antigo povo de
Israel. Logo, guia nossos pensamentos entre príncipes e profetas, santos e
pecadores, até chegar ao fogo eterno e às trevas que hão de perdurar para
sempre, até o mar e as estrelas; desde os juízos já pronunciados até à glória
futura. Ele nos introduz ao mundo invisível para relatar-nos a inaudita e
terrível história do pecado e dos anjos caídos, e inclusive a disputa entre o
arcanjo Miguel e Satanás, os dois antagonistas enfrentados mutuamente, uma vez
mais, no mortal combate, sendo lemos em Apocalipse 12” (Maxwell, Coder).
No Novo Testamento vemos a Jesus, Paulo, Pedro e João, e agora também a Judas,
em sua batalha contra a falsa doutrina. Vivemos em dias nos quais há pouca
crença na verdade absoluta acerca de Deus. Só há opiniões, e a opinião de uma
pessoa é tão válida como a de outra, de maneira que já não podem existir falsos
mestres. Porém, esta perspectiva é alheia a todo o ensinamento da Bíblia. A
verdade absoluta existe. Há uma fé que foi dada de uma vez por todas aos santos.
A falsa doutrina não se limita ao século I. No período do Antigo Testamento
também existia este problema. Em Ezequiel 13 podemos ver a importância que Deus
atribui à verdade, e como Ele fortemente Se opõe àqueles que negam os que a
distorcem. Deus diz no versículo 8 desse capítulo: “Estou contra vocês”.
A marca distintiva dos falsos mestres é que ignoram a Bíblia e apresentam suas
próprias idéias como Palavras de Deus. Profetizam de seu próprio coração
(Ezequiel 13:2), e o dano é duplo: desanimam o coração do justo e alimentam ao
ímpio em seu pecado. Os falsos mestres, sejam nos dias de Ezequiel, de Judas ou
nos nossos, são culpados disto, e Judas, junto com todos os demais escritores
bíblicos, denuncia estes homens com a linguagem mais severa. Isto não demonstra
intolerância ou falta de amor, mas um profundo interesse na glória de Deus e no
bem-estar espiritual de homens e mulheres.
Judas aconselha a seus leitores que vejam aos falsos mestres como eles são.
Podem ser corteses, encantadores e agradáveis, mas na realidade são homens
ímpios (v. 4), e é necessário combatê-los. Os cristãos devem lutar por aquela fé
que é verdadeira (v. 3), porém essa luta não há de fazer-nos contenciosos,
negativos ou pior ainda, de espírito amargo. Isto pode ocorrer mais facilmente,
e por isso Judas incita seus leitores (vv. 20-23) a cultivarem um espírito de
amor e de graça. Recorda-lhes que o propósito de defender a fé não é
simplesmente expor a falsidade, mas salvar homens e mulheres do fogo do juízo de
Deus.
Esta carta termina com a grande doxologia dos versos 24-25. “Da mesma maneira
que começa a epístola assim termina, com promessas consoladoras e seguras para o
povo de Deus que vive em dias difíceis. Poderão eles se manter no amor de Deus?
Serão capazes de evitar a contaminação devido ao contato com os ímpios? Será
possível para eles o caminhar com justiça na terra das injustiças? A resposta
dada é tão transparente como o cristal. Poderão conseguir, porque Quem lhes amou
e Se deu por amor a eles, também é poderoso para guardá-los sem queda” (S.
Maxwell, Coder).
MATERIAL DE ESTUDO
Peter Jeffery, Juda: The Acts of the Apostates, por S. Maxwell Coder (Moody
Press, 1958)