OS IMUTÁVEIS PROPÓSITOS DE DEUS
Jonas 1.17
Deparou o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas três dias e três
noites no ventre do peixe. Jonas 1.17.
"Tu nos buscaste quando não te buscávamos; de fato, nos buscastes para que te
buscássemos. Agostinho"
Porque Deus não desistiu de Jonas? Será que em Israel não havia nenhum sujeito
menos teimoso, que odiasse menos aos ninivitas, que fosse mais capacitado?
Porque Deus não desistiu de Abraão quando ele mentiu por causa de Sara?
Porque Deus não desistiu de Moisés quando ele ficou dando desculpas para não
cumprir o chamado de Deus?
Porque Deus não desistiu de Elias quando se sentindo sozinho, pediu para morrer?
Porque Deus não desistiu de Davi, quando adulterou e tramou a morte de Urias?
Porque Deus não desistiu de Jeremias, quando inseguro se disse incapaz do
exercício profético?
Porque Deus não desistiu de Pedro quando por três vezes negou a Cristo?
Porque Deus não desistiu de Saulo quando perseguia a sua Igreja?
São perguntas que a palavra não deixa calar.
Porque Deus não desiste de você e porque Ele não desiste de mim quando em meio
às minhas fraquezas não quero mais continuar?
Neste momento, quero refletir sobre a razão pela qual Deus não desistiu de Jonas
e o deixou morrer no fundo do mar. Quero refletir qual a razão porque Deus não
desiste de nós.
1. Porque os propósitos são eternos e imutáveis.
A vocação de Deus é fundamentada em seus decretos, e seus decretos são
imutáveis.
Nada muda os propósitos de Deus, pois eles são estabelecidos na eternidade.
Quando Deus escolheu a Jonas será que Ele não conhecia a Jonas, seu caráter, sua
xenofobia, sua aversão aos pagãos, principalmente aos ninivitas. Mas, Deus tinha
um propósito eterno a se concretizar na historicidade na vida de Jonas e no seu
plano eterno Deus escolheu Jonas e não outro.
Literalmente, Deus nos caça até nos encurralar e nos deixar sem saída. Ele crava
em nós o seu anzol e por mais linha até que nós tenhamos e por mais que nós
nademos para longe, uma ora Ele começa a girar o carretel do molinete e nós
vamos parar dentro do seu cesto de pescaria.
Deus escolheu-nos para seu amor e agora nos ama por causa de sua escolha. John
Trapp.
"James Whittaker era membro da tripulação seleta da Fortaleza Voadora B-17, cujo
capitão se chamava Rickenbacker, e que em outubro de 1942 caiu no mar e os seus
tripulantes foram dados como perdidos. Em algum ponto do Oceano Pacífico, fora
do alcance do rádio, o avião ficou sem combustível, caiu no Oceano. Os noves
homens passaram um mês boiando em três balsas. Lutaram contra o calor, as
tempestades e as águas. Tubarões de até três metros rondavam os barcos de dois
metros e meio. Em apenas oito dias as rações já haviam sido consumidas ou
destruídas pela água salgada. Para sobreviver somente um milagre.
Certa manhã, terminada a meditação diária, Rickenbacker jogou a cabeça para
trás, apoiando-se na balsa, e puxou o quepe para cima dos olhos. Um pássaro
pousou em sua cabeça. O capitão espiou por baixo do quepe. Todos os olhos
voltados para ele. Percebeu, instintivamente, que era uma gaivota.
Rickenbacker pegou a ave e a companhia comeu. Os intestinos da gaivota foram
usados como iscas para pescar... e o grupo sobreviveu para contar a história.
James Whittaker era incrédulo. A queda do avião não mudou sua convicção. Os dias
à beira da morte não lhe fez reconsiderar seu destino. Aliás a Srª. Whittaker
disse que ele estava ficando irritado com Bartak, membro de um grupo, que não
parava de ler a Bíblia em silêncio ou em voz alta.
Mas seus protestos de nada adiantaram: Bartak continuava a ler a palavra de Deus
e sua resistência não impediu que a Palavra lhe penetrasse na alma. Sem que ele
o soubesse, seu coração estava sendo arado; pois foi numa manhã, após a leitura
da Bíblia, que a gaivota pousou na cabeça do capitão Rickenbacker.
E naquele momento Jim passou a crer.
Quem chegaria a tais extremos para salvar uma alma? Tanto esforço para captar a
atenção de uma pessoa. O restante do mundo está às voltas com a Alemanha e com
Hitler.Todas as manchetes refletem os atos de Roosevelt e Churchill. O mundo
está absorto numa batalha pela liberdade... e o Pai está no pacífico enviando
uma gaivota missionária para salvar uma alma?"
Um poeta chamado Francis Thompsom, descreveu Deus como "o Cão de caça do Céu":
Fugi dEle, pelas noites pelos dias;
Fugi dEle, pelos arcos dos anos;
Fugi dEle, pelas ruas em labirintos com minha própria mente; e em meio às
lágrimas.
Fugi dEle e sob contínua risada,
Sobre esperanças imaculadas corri
E atingido caí
Precipitando-me em sombras colossais.
Thompon fala de Jesus como "aquele amante tremendo, perseguindo com seu amor.
Jesus segue caçada sem pressa e com passadas imperturbáveis, velocidade
deliberada, instância majestosa". E no final Jesus diz, lembrando-nos: "Ah, não
sabes o quanto és indigno de ser amado. A quem irás encontrar que a ti ignóbil
ame, exceto eu, exceto tão somente eu? Porquanto o que de ti tomei, não para
ofender-te, mas para que tu o procurasses em meus braços".
John Wesley, um dos maiores pregadores do evangelho em todos os tempos, em seu
diário, conta que de má vontade foi a uma reunião de uma sociedade na Rua
Aldersgate, em Londres, um membro do grupo estava lendo o prefácio do comentário
da Epístola aos Romanos de Lutero. Ele foi de má vontade, um estranho para o
grupo, e ouviu um trecho literário de duzentos anos. E, mesmo assim, ele
escreveu: "Por volta das quinze para as nove senti meu coração estranhamente
aquecido".
Agostinho, um dos maiores teólogos cristãos e que muito influenciou Calvino nos
seus escritos, no seu livro Clássico, Confissões, fala da grande virada de sua
vida. Dilacerado entre a tentação da amante e o silencioso chamado do Espírito
de Deus, estava sentado num barco sob uma figueira, a Bíblia aberta os olhos
turvados de lágrimas. Ele ouviu uma voz chamando de uma casa vizinha: "Toma e
lê".
A voz não se dirigia a Agostinho; sem dúvida, crianças estavam brincando.
Entretanto, a voz o agitou em sua solitude, e fez o que a voz mandava. Pegou a
Bíblia e a leu. A passagem diante dele era Romanos 13.13-14: "Andemos
honestamente, como de dia: não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em
desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos
do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências".
Ele ouviu a voz de Deus, despediu a amante e seguiu a Cristo. (Extraído e
adaptado do livro "Trovão Gentil" de Max Lucado).
John Egglen jamais pregara um sermão em sua vida. Nunca.
Não significa que ele não o quisesse fazer, apenas nunca precisara. Mas, certa
manhã o fez. A neve deixou sua cidade, Colchester, na Inglaterra, completamente
branca. Ao acordar naquele domingo, em janeiro de 1850. pensou em ficar em casa.
Quem iria à Igreja com aquele tempo?bb
Então reconsiderou. Além do mais ele era o diácono. E se os diáconos não fossem,
quem iria? Então, calçou as botas, colocou o chapéu e andou quase dez
quilômetros até a Igreja Metodista. Ele não foi o único membro que pensou em
ficar dentro de casa. Apenas 13 pessoas compareceram. Doze membros e um
visitante. Até o pastor ficou impedido pela neve. Alguém sugeriu que voltassem
para suas casas. Egglen não lhe deu ouvidos. Eles vieram de tão longe, então
realizaram o culto. Além do mais, havia um visitante. Um garoto de treze anos.
Quem pregaria? Pelo fato de Egglen ser o único diácono estava com a palavra.
E assim pregou. Seu sermão durou apenas dez minutos. Ele vagueou e não foi
objetivo na tentativa de abordar os vários minutos. Mas ao final, uma coragem
que não era característica de sua personalidade aflorou. Egglen dirigiu seu
olhar diretamente para o garoto e o desafiou:
- Jovem, olhe para Jesus! Olhe! Olhe! Olhe!
O desafio causou alguma diferença? Deixe que o garoto agora um homem, responda.
- Olhei, e então a nuvem no meu coração se dissipou, as trevas foram embora e
naquele momento pude ver o sol.
O nome do garoto? Charles Haddon Spurgeon. Príncipe inglês dos pregadores.
O que queremos dizer com tudo isso? No seu propósito eterno, não importa de que
maneira, Ele vai atrás daqueles que escolheu até que neles se cumpra a sua
vontade.
"Seja qual for o local onde as jóias de Deus estejam escondidas, a eleição irá
encontrá-las e tirá-las de lá." John Arrowsmith.
2. Porque ele procura seres imperfeitos para realizar os planos perfeitos.
"A igreja não é uma galeria para a exibição de eminentes, mas uma escola
para a educação de cristãos imperfeitos." Henry Ward Beecher.
Porque Deus insistiu com Jonas? Porque Deus insistiu comigo até que eu viesse
ser Pastor/ Porque é que Deus insistiu em lhe usar. Não sei explicar. Mas, o que
eu posso dizer, é que como fruto da sua graça soberana ele escolheu a mim e a
você para realizar os seus propósitos na História.
Você se acha imperfeito? Você se acha incapaz? Pois eu quero lhe dizer uma coisa
neste momento, realmente você é imperfeito e você é incapaz! Melhor dizendo, nós
somos, mas Deus decidiu usar você, Deus decidiu usar a mim, com as imperfeições
que nós temos. Ele não está preocupado com isso. Ele já sabia disso quando nos
chamou. Nós não precisamos confiar em nós mesmos, nem nos nossos talentos, nem
nas nossas estratégias para realizar os seu propósito.
Eu fico imaginando, Deus, rindo das nossas tolices, de como nós confiamos nos
homens, nos seus talentos, nos seus dons. De como nós confiamos nas estratégias,
das nossas descobertas no campo dos métodos de Evangelização e então dizemos:
"Agora, finalmente nós conseguimos uma maneira de fazer a Igreja crescer". Todos
correm para aprender a nova técnica, o novo método, à nova estratégia, como as
crianças no afã de adquirir o novo brinquedo que está na moda. Então, do
entusiasmo do primeiro momento, estamos já disponíveis para a novidade que há de
surgir no mercado eclesiológico.
"Como cristãos, devemos sempre nos lembrar de que o Senhor nos chamou para si,
não por causa de nossas virtudes, mas a despeito de nossos defeitos." Thomas
Watson.
Alguém, ironizando, os nossos critérios na avaliação de quem é capacitado para
corresponder às expectativas de uma igreja com relação ao pastorado imaginou o
seguinte, ironizando:
Informativo da Comissão de Seleção Pastoral
Em nossa procura por um Pastor adequado, a seguinte compilação foi feita para
seu exame. Dos candidatos investigados pela comissão, apenas um foi encontrado
com as qualidades necessárias. A lista contém os nomes dos candidatos e
comentários sobre cada um, caso você esteja interessado em investigá-los mais
para futuras posições abertas.
NOÉ: Tem 120 anos de experiência em pregação, mas nenhum convertido.
MOISÉS: gagueja e sua última congregação disse que perde a paciência por
pequenas coisas.
ABRAÃO: Saiu para o Egito durante tempos difíceis. Soubemos que se meteu em
problemas com as autoridades enquanto tentava se safar de forma mentirosa.
DAVI: Tem um caráter moral inaceitável. Poderia até ter sido considerado para a
posição de Ministro de Música, se não tivesse sucumbido.
SALAMÃO: Tem uma reputação de sábio, mas falha em colocar em prática o que
prega.
ELIAS: Provou ser inconsistente, e é conhecido por afrouxar quando submetido a
pressões.
OSÉIAS: Sua vida familiar está em pedaços. Divorciado, casou-se com uma
prostituta.
JEREMIAS: Muito emocional e alarmista; alguns dizem que é uma dor de cabeça.
AMÓS: Vem de um passado no interior. Melhor seria se continuasse por lá.
JOÃO: Autodenomina-se Batista, mas não tem tato e se veste como um hippie. Não
se sentiria bem num jantar da Igreja.
PEDRO: Tem um temperamento forte, e dizem até mesmo que ouviram-no negar a
Cristo publicamente.
PAULO: Pensamos que ele também não tato. Por demais duro, sua aparência é feia,
e suas pregações são muito longas.
TIMÓTEO: Tem potencial, mas é muito jovem para a posição.
JESUS: Tem a tendência de ofender os membros da Igreja quando prega,
especialmente os teólogos. É muito controvertido. É muito controvertido. Até
mesmo ofendeu esta comissão com suas perguntas desconfortáveis.
JUDAS: Pareceu ser bem prático, cooperador, bom com finanças, pensa nos pobres,
e se veste bem. Todos nós concordamos haver encontrado o homem que estávamos
procurando para preencher o cargo de pastor-presidente.
Obrigado por todos vocês que nos ajudaram em nossa procura pastoral.
Relator da Comissão de Seleção Pastoral.
Conclusão:
Que aplicações práticas nós podemos tirar disso tudo:
A primeira é para trazer paz ao nosso coração. As eternas escolhas de Deus são
baseadas na sua graça e por isso Ele não vai desistir de nós.
Pelo fato de nós estarmos nos seus planos Ele vai abalar a nossa vida, vai
enviar terremotos, maremotos, tempestades, furacões. Vai sacudir o barco da
nossa vida, vai nos jogar nas profundezas do mar, vai nos fazer submergir de lá
até que a vida finalmente nós cheguemos a Nínive.
O plano já está traçado, cabe a nós escolher se nós queremos o caminho mais
curto e menos sofrido ou se muito sofrimento e lutamos por causa da nossa
rebeldia nós finalmente chegaremos aonde Ele quer nos levar.
"Uma vez nascido na alma, o amor de Deus que elege nunca morre." Thomas Watson.