DEUS DESFIGURADO
Jeremias 6.14
Muitos pregadores nos dias de hoje estão mais preocupados em parecerem
politicamente corretos do que serem teologicamente corretos. Suas mensagens são
agradáveis, bem elaboradas e melhor ainda comunicadas. Suas performances
encantam multidões. Falam com convicção e levam milhares ao êxtase. Sinto, porém
que o conteúdo de suas prédicas não toca o "eu", não toca o cerne do problema
humano, não fere a raiz do pecado e pior: não apresenta uma revelação
equilibrada de Deus. Parece que foram tão influenciados pela filosofia da
"auto-ajuda" que se assemelham muito aos profetas dos dias de Jeremias, pois
"curam superficialmente a ferida do povo, dizendo: Paz, paz; quando não há
paz"(Jeremias 6:14).
Será que nos esquecemos que "somos como o imundo, e todas as nossas justiças,
como trapo da imundícia; e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas,
como um vento, nos arrebatam"? (Isaías 64:6) Será que caiu no esquecimento dos
pregadores que a mensagem da cruz é escandalosa? Na tentativa de tornar o
evangelho mais acessível estamos barateando a graça de Deus? Será que estamos
vendo a fé cristã sendo vendida numa feira de vaidades? Será que perdemos a
perspectiva correta da nossa verdadeira condição? "Toda a carne é erva, e toda a
sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e caem as flores, soprando
nelas o hálito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva" (Isaías 40:6,7).
Acho que tal situação se relaciona com um distanciamento de Deus. Não um
distanciamento da doutrina de Deus, mas da Pessoa de Deus. O Senhor se revelou
nas Escrituras como realmente Ele é. Mas os mensageiros da Palavra não estão
preocupados em conhecê-lo e revelá-lo. Aliás, parecem possuir uma predileção
pela bondade e misericórdia de Deus e um certo receio com respeito a sua justiça
e santidade. Esquecem-se que, como pregadores devem “apregoar o ano aceitável do
SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus” (Isaías 61:2) Parecem não conseguir
atentar para “a bondade e a severidade de Deus” (Romanos 11:22).
Acredito que, se pregarem a Deus como Ele realmente é, talvez seus auditórios se
esvaziem, a receita da igreja caia e seus empregos estejam em risco. Afinal,
essa nossa geração é uma geração mimada, desacostumada com exigências morais e
éticas. Paga caro pelo prazer, gosta de ser bem tratada e não tolera nenhuma
forma de sofrimento. Não possui ideais altruístas, cultua o corpo, e usa a
religião para aplacar a consciência. Creio que foi exatamente isso que Paulo
quis dizer sobre o tipo de sociedade que existiria próximo ao final dos tempos:
“egoístas, avarentos, orgulhosos, vaidosos, xingadores, ingratos, desobedientes
aos seus pais e não terão respeito pela religião. Não terão amor pelos outros e
serão duros, caluniadores, incapazes de se controlarem, violentos e inimigos do
bem. Serão traidores, atrevidos e cheios de orgulho. Amarão mais os prazeres do
que a Deus; parecerão ser seguidores da nossa religião, mas com as suas ações
negarão o verdadeiro poder dela” (2 Timóteo 3: 2 à 5).
O QUE FAZER? A palavra de ordem para os pregadores atuais é arrependimento. Uma
contrição profunda e um retorno à revelação de Deus como Ele é e não como esta
geração gostaria que Ele fosse. Só assim resgataremos a verdadeira imagem de
Deus, sua revelação tal qual se encontra nas Escrituras. Isso pode levar tempo,
mas ainda creio que emergirá desta Babel Tupiniquim que se intitula Igreja
Brasileira, um remanescente fiel, que vai pagar o preço de ser cristão de
verdade e não uma cópia barata de 1,99.
“Nosso Deus é um fogo consumidor” Que ele tenha misericórdia de nós.
Sérgio Marcos Dos Santos