O Tratamento do Pecado
Hebreus 2.11
Em que fase da vida uma pessoa mais fica marcada por acontecimentos e incidentes
que com ela acontecem? É a infância. Todos nós, que já somos adultos, certamente
trazemos na memória alguns ou muitos acontecimentos que nos marcaram. Eles podem
ser lembrados com muito saudosismo, porque foram passagens na vida muito
alegres, mas também podem ser lembrados ou rechaçados com muita tristeza porque
deixaram marcas profundas de sofrimento e seqüelas no corpo e na alma até hoje.
Velhinhos de 70 anos lembram com detalhes o que fizeram e o que se sucedeu há
mais de 60 anos atrás, mas hoje não lembram o que comeram no dia de ontem. Tem
muito a ver com a capacidade de registrar e armazenar fatos na memória em ótimo
estado quando criança, mas que na terceira idade já anda cansada.
Falamos de fatos desagradáveis que nos marcaram e marcam por toda a vida.
Biblicamente a estes fatos negativos nós chamamos de...............
(?)....PECADO. Ele é a doença espiritual com a qual cada um de nós veio ao
mundo, porque fomos conce-bidos em pecado e em pecado vivemos e viveremos por
toda a vida. Há doenças contra as quais se precisa tomar remédio pelo resto da
vida: hipertensão, disfunção glandular da tireóide, rejeição de órgão
implantado, etc. Contra a doença do pecado é preciso tomar o remédio certo por
toda a vida, é preciso que ele seja tratado corretamente, senão ele mata e
condena no inferno.
Baseados no versículo 11 de Hebreus 2 “Jesus purifica as pessoas dos seus
pecados”, meditemos com muita seriedade sobre esta nossa “doença”, para a qual
só existe um médico e um remédio. Ele é Jesus Cristo.
A carta aos Hebreus, de quem não se sabe com exatidão a autoria, tem um ponto
central: Mostrar e revelar que Jesus Cristo, que é o “Cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo”, veio para substituir o sacrifício dos animais que eram
feitos no templo em Jerusalém. Jesus foi sacrificado, uma vez por todas (Hb
9.28) e assim ele é aquele que carregou sobre si o pecado do mundo todo, de
forma que os sacrifícios de animais não precisam ser mais feitos como eram
feitos antes da vinda de Cristo.
Geralmente, quando falamos de PECADO, o fazemos com bastante superficialidade.
Precisamos entender que “o pecado é a desgraça para qualquer nação” (Pv 14.34).
O que Deus nos diz na bíblia sobre o pecado? Se um médico quer curar alguém de
alguma doença, ele precisa entender a doença e também dar o remédio certo para a
cura. Da mesma forma, quando queremos que “o Filho (Jesus) nos liberte para
sermos verdadeiramente livres do pecado” (Jo 8.36), precisamos ter as
informações corretas sobre o diagnóstico do mesmo. Vamos, então, fazer um resumo
sobre o pecado, falando sobre as causas do pecado, os tipos de pecado, as
conseqüências do pecado e a CURA do pecado. Precisamos sempre lembrar que Jesus
não veio fazer outra coisa, basicamente, do que nos livrar dos resultados
mortais que o pecado trouxe sobre nós.
1) Quem é a causa do pecado? Primeiro, o diabo. Ele se revoltou contra Deus, o
Criador (Ap 12.7-9). A época após a criação em que isto aconteceu, ninguém sabe,
não está revelado nas Escrituras. Muita filosofia já foi feita em cima disso,
mas sem resultado. Mas nada adiantaria saber, se Deus o dissesse na bíblia. Não
nos resolveria nada.
A segunda causa do pecado é o homem (Adão) Segundo o relato de Gn 3, ele se
deixou seduzir voluntariamente pelo diabo ao pecado. Em Rm 5.12 lemos: “O pecado
entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte.
Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana, porque todos
pecaram”.
2) Quantos tipos de pecado existem? Se lembram ainda? DOIS: O pecado original e
o pecado atual.
a) O pecado original é toda a corrupção herdada pela concepção desde Adão
através de nossos pais, inclinada a todo o mal e sujeita à condenação. “Tenho
sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido” (Sl
51.5). Não é a sociedade que estraga a criança; ela já nasce “estragada”,
espiritualmente cega e morta e inimiga de Deus. Esse pecado hereditário, diz
Lutero, é corrupção de tal maneira profunda e perniciosa da natureza, que razão
nenhuma o compreende. Deve, ao contrário, ser crido com base na revelação da
Escritura. Deve ser aceito pela luz da Palavra.
b) O pecado Atual é todo o tipo de pecado que praticamos na vida por meio de
pensamentos, palavras, ações e omissões. Ele se sub-divide em:
Pecado mortal: que mata a fé; praticado pelos descrentes ou pelos cristãos,
quando estes caem em graves pecados (Davi, Judas). Quem persistir neste tipo de
pecado será condenado (Gl 5.19-21). Pecado não confessado escraviza e mata a fé!
Pecado de fraqueza: Praticado só pelos cristãos, não por livre vontade, mas por
ainda terem o velho homem (natureza pecaminosa herdada) que os tenta e os leva a
caírem em pecado (1 Jo 1.8-10; Rm 7.18-20). Ninguém consegue levar vida perfeita
e santa. Quem procura cumprir os mandamentos de Deus, que se resumem em amar a
Deus e ao próximo como a si mesmo, o faz em resposta de fé ao amor de Deus. A
diferença é que os que praticam pecado de fraqueza (cristãos), procuram corrigir
seus pecados, buscando perdão na graça de Deus (apóstolo Pedro).
3) E os resultados de qualquer pecado são quais? “No dia em que dela (da árvore)
você comer, certamente morrerá” disse Deus a Adão.
As conseqüências, digamos claro, trágicas, terríveis e eternas do pecado são:
a) Morte espiritual: Se manifesta por todo o tipo de revolta e zombaria contra
Deus (ateísmo), a total incapacidade de conhecer a Deus (1 Co 2. 14), medo de
Deus, consciência intranqüila (Is 48.22). Com o pecado Adão perdeu a “imagem” de
Deus, ou seja, a santidade e o conhecimento perfeitos de Deus (Jo 3.5,6). Esta
morte espiritual se manifesta por todo o tipo de superstição, desde a mais
refinada ( depositar sua sorte em objetos e amuletos: ferradura, pata de coelho,
pé de arruda, imagens de santos, etc, etc, etc), até a mais grosseira
(sacrifícios de pessoas/crianças feitos na magia negra, etc).
b) Morte física - As doenças, a dor, as misérias, a guerra e o luto são sinais
que dão aviso de que a vida não dura para sempre aqui, que aqui somos peregrinos
pelo vale de lágrimas (Gn 5.5; Rm 8.22). Ela é castigo de Deus! (Gn 3.16-19).
c) Morte eterna - A pior conseqüência, o maior castigo de Deus é o inferno,
também chamado de eterna condenação. Consiste na eterna separação de Deus, em
cuja presença há plenitude de felicidade (Sl 16.11). Ele é uma realidade (Mt
25.41; 2 Ts 1.9). Cristo diz: “Quem não crer será condenado” (Mc 16.16).
Felizmente para todas as 3 conseqüências do pecado existem soluções! Este é o
cerne do Evangelho de Deus em Cristo.
a) Em lugar da morte espiritual Deus cria a fé, a nova vida espiritual. Isto ele
faz pelo poder do Espírito Santo no Evangelho;
b) Após a morte física se sucederá a ressurreição do corpo (1Co 15.51);
c) E em oposição à morte eterna, Deus oferece, por meio da fé em Cristo, a VIDA
ETERNA (Jo 3.16). O pecado “trouxe” o Salvador ao mundo, motivado pelo eterno
amor de Deus, que não tem prazer no pecado, e nem no sofrimento eterno e na
morte de suas criaturas por excelência: o ser humano. É motivo de júbilo, de
celebração, de louvor e de profunda alegria sabermos que Deus PERDOA OS NOSSOS
PECADOS. Sua dívida foi paga por Cristo na cruz, como lemos em nosso texto:
“Jesus purifica as pessoas dos seus pecados”.
Como é que você lida com os seus pecados? Deles se arrepende todos os dias em
verdadeira tristeza e os lamenta e os procura combater e corrigir? Nunca seremos
perfeitos nesta vida. O maior piedoso também pratica pecados. Mas isto não é
motivo e nem desculpa para pecarmos. Só Jesus Cristo pode curar uma consciência
ferida e marcada por erros. “O sangue de Jesus nos lava de todo o pecado”(1 Jo
1.8). Nele temos perdão e salvação.
Amém.