O PAI AMA O FILHO
Hebreus 1.3
Nada torna o Pai Celestial mais real para os cristãos do que o Seu amor pelo
Filho. É um amor Divino. Contudo, ele faz com que o Pai nos pareça quase humano.
O amor do Filho de Deus pelo Seu Pai também é simplesmente maravilhoso. Toda a
grandiosa história da Redenção na Bíblia aconteceu com um Pai e Seu Filho numa
jornada de amor, a fim de conduzir a desviada família humana de volta à Casa do
Pai.
O amor de Deus pelo Seu Filho Unigênito torna o Cristianismo uma religião
concebida pelo amor, com estas palavras de eloquente esplendor: “O qual
[Cristo], sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e
sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si
mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas
alturas” (Hebreus 1:3). O Pai e o Filho são de tal modo entrelaçados na
semelhança que os indoutos espirituais tem tentado destruir a diferença entre
Eles [Unitarismo] . O amor de Um pelo Outro seria um engano se, de fato, Eles
não fossem Dois em Um, conforme a revelação.
O Livro de João é o único Evangelho do Pai e do Filho. Lê-lo com o propósito de
estudar a relação entre o Pai e o Filho é uma experiência de glória
indescritível. Mais e mais vamos percebendo que mesmo sendo Um na ação, Eles se
manifestam como duas Pessoas individuais, um fato que deixa os demônios
arrasados! Vejamos a abertura deste Evangelho:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele
estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele
nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. .. E o Verbo se
fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito
do Pai, cheio de graça e de verdade”. (João 1:1-5,14).
Um áureo texto bíblico é João 3:16-17: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que
condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”.
Esta passagem se torna tão familiar aos nossos ouvidos que esquecemos de
contemplar sua inexcedível beleza. Negar a exclusiva diferença entre o Pai e o
Filho é loucura, enquanto separar a Sua perfeição na revelação é paganismo.
Neste caso, nosso Deus é tão perfeitamente UM Deus, como Duas Pessoas distintas,
na perfeição individual. É maravilhoso entender totalmente este glorioso
mistério, o que deve se tornar o nosso alvo em relação à Sua majestade.
O Filho de Deus enfrentou muitas críticas ao falar de Sua unidade com o Pai. A
multidão religiosa do Seu tempo não possuía qualquer discernimento espiritual
para captar, na revelação, a Sua perfeição e a perfeição do Pai. Ela não queria
aceitar mais de uma Pessoa em seu conceito de um só Deus. Vamos ler o próprio
Cristo resolvendo essa questão, conforme João 8:15-18:
“Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu
juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou. E na
vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu
sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me
enviou.” O testemunho de “dois” dado pelo próprio Cristo certamente encerra o
debate.
Vamos ler mais algumas palavras eloquentes do Filho de Deus, conforme João
10:15, 17-18:
“Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida
pelas ovelhas... Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a
tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a
dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai”.
Sua Oração Intercessória em João 17 mostra um dos momentos mais emocionantes do
Seu ministério na Terra. Cada palavra desta oração é de uma celestial beleza,
com o Seu anseio de voltar à presença do Pai, conforme os versos 4 e 5:
“Eu glorifiquei- te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. E
agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha
contigo antes que o mundo existisse”. Falar da glória anterior com o Pai, “antes
que o mundo existisse”, certamente é uma confirmação de Sua eterna Divindade.
Em Hebreus 1:5-6; 8-10, o autor fala da relação do Pai com o Filho, dizendo:
“Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra
vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz
no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”...
“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos;
cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a
iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que
a teus companheiros. E Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são
obra de tuas mãos”.
Os santos de Jesus são um povo abençoado. Nossa Redenção é inegável e imutável,
segundo Colossenses 1:20:
“E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele
reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como
as que estão nos céus”. Isso porque, segundo Colossenses 1:13-14, “[Deus] nos
tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu
amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos
pecados”.
“Nascer de novo” não significa se tornar religioso, mas ser transformado. Não
devemos apenas conhecer o Pai e o Filho, mas também ter com Eles um
relacionamento pacífico e santo. Nossas palavras, por melhores que sejam, não
passam de refugo, quando tentamos falar do amor do Pai e do Filho.
Os cristãos nascidos de novo vivem em função de um Reino futuro. Eles vivem
neste mundo, mas não abusam dele. Nossa cidade está no céu (Efésios 2:19). O
caráter de um santo de Deus já não é modelado pelas palavras humanas, pois ele
está ansiando pela cidadania celestial.
Viver em função do Pai e do Filho, segundo os ensinos de Sua Palavra, é a melhor
coisa que se pode gozar neste mundo. [Somos inteiramente livres, no poder do
Espírito Santo que em nós habita, para fazer tudo que desejamos, conforme nossa
mente tiver sido modelada pela Sua Palavra].
Por enquanto, vivamos piedosamente neste mundo, com os olhos fitos numa pátria,
onde resplandecem as estrelas eternas.
"The Father Loves His Son"
Joseph Chambers/Mary Schultze