Outros Sermões Deuteronômio

MANUAL DE INSTRUÇÕES
Deuteronômio 4.7-10

Introdução:
Devemos dedicar atenção especial a Educação Cristã, resgatando a relevância da Escola Bíblica Dominical - EBD - como instrumento de instrução bíblica e na formação do caráter cristão.

Se observarmos o nosso cotidiano, descobrimos a infinidade de manuais de instruções que se fazem necessários para nossa orientação em tarefas básicas. Temos o manual do telefone celular; o manual do telefone sem fio; o manual da televisão e do vídeo cassete ou DVD. Para obtermos o melhor aproveitamento do nosso carro, os fabricantes oferecem dois ou três manuais.
O microcomputador pode ter até cinco manuais que devem ser consultados para a melhor sinergia entre os diversos programas e para o melhor resultado no uso desta utilíssima ferramenta. Temos o Manual da Igreja; o Manual do Ministro; o Manual da Bíblia on Line; o Manual de Eclesiologia. É manual de mais...
Será que existe um Manual de Vida Cristã? Sim. A Bíblia Sagrada é o Manual deixado por Deus para nos orientarmos quanto ao compromisso ético da vida cristã, bem como para levarmos a efeito o compromisso da nossa missão evangelizadora. A melhor maneira de não errarmos no como ser e fazer igreja é estudando o Manual, no caso a Bíblia Sagrada.
Deuteronômio, "Palavras", D barim no original, contém preciosidades teológicas que hão de influenciar a igreja na aliança com cristo, apresentando o mais antigo e fundamental credo religioso, o Shemá, Deuteronômio 6.4, indicando Deus como único Deus e estabelecendo a necessidade de conhecermos sua Lei para uma vida cristã produtiva, bem como a responsabilidade de ensinarmos aos outros estas Leis tão preciosas e benfazejas.
Vejamos, nos versos indicados, algo sobre o precioso manual de instruções que Deus nos deu.

1. Deus não nos criou em linha de produção e não nos abandonou à própria sorte - Vs. 7
O conceito deísta da criação tenta, subjetivamente, inculcar-nos a idéia de que fomos criados como que em série e de que estamos completamente largados na existência, devido a concepção errada que fazem de Deus.
Não somos como que monoblocos automotivos largados no pátio para que a existência nos dê o acabamento. Somos especiais. Há neste verso sete uma dedução clássica e fundamental de Moisés, que aponta para uma intimidade de relacionamento entre Deus e seu povo jamais concebida na história da religiosidade humana.
Os povos adoravam e faziam suas oferendas para aplacar a ira de seus deuses, comprando seus favores. Israel, a igreja de Cristo, adora ao Senhor e oferece-se em sacrifício como gratidão pelas bênçãos recebidas, em especial a bênção da salvação. Deus ama a seu povo e sempre que este povo busca ao Senhor com inteireza e pureza espiritual, Deus está disposto à comunhão. Há uma ação benevolente do Senhor em nossa direção e se nos resignamos diante de sua presença e de seu caráter santo, ele nos recebe.
Precisamos de um manual de instruções para a vida cristã por que só aprendemos sobre Deus e sobre o seu amor por nós, bem como sobre nossa comunhão com ele, na Bíblia Sagrada, o Manual de Instrução do cristão.

2. Deus nos deixou um precioso e minucioso manual de instruções - Vs. 8
Seria uma injustiça, se assim pudéssemos classificar, Deus criar um ser tão complexo, e de relacionamentos tão carregados de idiossincrasias para a vivência em um contexto desafiador e aviltante como o é a sociedade, sem deixar um manual instrutivo.
A Bíblia é a revelação de Deus e de suas relações com o universo, bem como a revelação de seu propósito salvífico em Cristo Jesus para este ser complexo e para esta sociedade transmutante, pois o homem e a sociedade, corrompidos pelo pecado, carecem de indicadores existenciais, relacionais e espirituais tais quais só a Bíblia apresenta.

O verso oito fala de:
a) Estatutos - O que dá a institucionalidade; que comprova a existência jurídica. No caso de Israel e da igreja este Estatuto é o pacto da aliança monoteísta. A idéia é a de que havia um compromisso formal entre Deus e o povo, que uma nação constituída e institucionalizada devido a sua comunhão com Deus e a busca em compreender as singularidades deste Deus que se revela.

b) Preceitos - Prescrições doutrinárias e instrutivas que tratam de normas e regras de procedimento. São mandamentos estabelecidos pelo princípio da equidade - capacidade de Deus, devido ao seu caráter, de promover justiça - que não nos oferecem opção; ou obedecemos ou pecamos.
Vale ressaltar que a Bíblia, o Manual de Instruções que Deus nos deu, diz que somos POVO DE DEUS, no que se configura a partir do Estatuto, e diz também que devemos viver aquilo que somos em SANTIDADE e OBEDIÊNCIA, o que se estabelece a partir dos preceitos divinos. A Palavra de Deus nos ensina sobre O QUE SOMOS e sobre COMO DEVEMOS VIVER O QUE SOMOS Como igreja de Jesus Cristo Não estudar a Bíblia e não obedecer as orientações deste Manual é tornar-se vulnerável às injustiças sociais, relacionais e espirituais, vitimados por Satanás, o que é pior.

Só os Estatutos e Preceitos de Deus são justos, isto é, sem distorção de caráter, por que são promulgados em justiça.

3. Precisamos estudar este manual de instruções e usá-lo incondicionalmente - Vs. 10
Não se pode admitir cristãos tão desinformados sobre as verdades de Deus, a ponto de serem engodados pelas diversas heresias mirabolantes que se propalam nos arraiais evangélicos atualmente.
A prevalência dos teologismos e das aberrações doutrinárias que infiltram na igreja é prova inconteste de que há uma negligência desenfreada em relação ao estudo de Manual de Instruções da vida cristã. É de se estranhar que alguns grupos denominacionais promovam de forma massificadora o niilismo da EBD que é substituída pela inserção de novas, antibíblicas e monotéticas visões para a igreja. Condenamos a Igreja da Unificação por atitude como essa, mas estamos cometendo o mesmo erro.

Para se evitar nefasto erro e para se impedir a perpetuação de heresias, o verso dez nos indica as seguintes posturas:

a) Ouvir - Não é apenas ouvir com o aparelho auditivo e também não é fazer ouvido de mercador. Ouvir aqui é deixar-se inculcar pela instrução. É permitir que o ensino entre e fecunde em nossas mentes.

b) Aprender - Não é decorar. É memorizar - guardar na memória. É adquirir cultura e desenvolver conoscitivamente, ampliando o cabedal de informações e conhecimentos, tornando-se, por isso, melhor a cada dia.

c) Temer - Temor aqui tem o sentido de reverência, dando a idéia de ação prática. Seria praticar o que se aprendeu, adotando procedimentos de conduta a partir dos preceitos de Deus. É experimentar mudanças radicais na práxis existencial e comportamental.

d) Ensinar- Ensinar é transmitir conhecimento. É transferir capacitação e influenciar psicologicamente. Não basta falar, avisar ou mandar estudar, é necessário fazer junto e inspirar confiança para que o outro se sinta encorajado a arriscar-se a fazer sozinho.
Se não estudamos o Manual de Deus para nós, a Bíblia, não se cumprirá jamais esta cadeia seqüencial de posturas existenciais em nossas vidas.

Conclusão
Amados, não necessitamos de novas visões ou de novos governos. Carecemos de um retorno à Bíblia Sagrada, como aconteceu nos dias de Jeosafá e de Ezequias, e como apregoou Jesus em seu Ministério terreno e ressaltou o apóstolo Paulo em suas Epístolas.
Fomos criados por Deus para sua própria glória e para íntima comunhão com o Criador, e recebemos dele um valiosíssimo manual, a Bíblia, para nos orientarmos sobre a vivência intrapessoal, interpessoal e espiritual. No Texto Sagrado aprendemos o que somos e como devemos viver para que as pessoas, e o próprio Deus, nos aceite como somos e para que nos amem pelo somos.
Devemos resgatar a relevância da EBD. Não há melhor oportunidade de se aprender e de se depreender os ensinamentos da Palavra de Deus. Tornando a EBD em metodologia pedagógica, a igreja facilita e oportuniza os cristãos na vivência pratica do ser e do fazer igreja para a glória de Cristo Jesus, o Senhor da igreja.
Amém.

Fernando Fernandes