A MEDICINA DO RISO
Eclesiastes 3.4
A Medicina do Riso: O Humor de Spurgeon
Alguns anos atrás houve um caso documentado no British Medical Journal sobre um
homem que ria muito de si mesmo. Ele realmente tinha uma doença terminal, e pelo
emprego da terapia do riso, conseguiu que seu corpo lutasse com sucesso contra a
doença. Embora possamos relutantemente reconhecer o mérito de tal caso,
normalmente achamos tal incidente quase incrível. Pode o riso ser realmente bom
para nós? A Bíblia definitivamente apóia uma idéia do tipo.
A Bíblia apóia o riso
O escritor de Eclesiastes afirmou: “Há tempo de chorar, e tempo de rir”
(Eclesiastes 3.4). Nós sabemos que existem muitas razões para chorar. Só uma
olhada casual em nosso mundo, com suas guerras, ódio, violência e mal – faz-nos
tristes. Todos os dias vemos/ouvimos as notícias de terríveis contagens de
pessoas feridas que ferem aos outros. Entristecemo-nos com tantas pessoas que
estão vivendo em trevas e rejeitam a luz de Cristo. A extrema realidade do
pecado em nosso mundo com certeza é grave.
Não é surpresa que muitos de nós, como líderes, possamos ser mais inclinados
para a tristeza do que para a alegria. Dada a natureza e exigências da liderança
cristã em um mundo cada vez mais desafiador, alguém poderia cinicamente assumir
que os líderes parecem ter mais razão para serem sombrios do que alegres nestes
dias. As pressões de nossas responsabilidades organizacionais, e o stress que as
acompanham, podem nos levar para baixo. Administrar conflitos eclesiásticos,
perder alguém especial, ver um casamento terminar, experimentar traição pessoal,
encarar uma tragédia inesperada, tudo isso pode dar motivos para lágrimas.
Contra as épocas tristes, a Escritura também aconselha que há um tempo para rir.
Os líderes precisam conhecer a equilibrada terapia do riso. Em busca deste
objetivo, devemos nos entregar completamente às alegrias do ministério –
celebrar momentos especiais com os membros, comemorar conquistas familiares,
alegrar-se por alcançar alvos difíceis e saborear as bênçãos do crescimento
espiritual. Mas estas experiências ainda podem falhar quanto ao pronunciamento
bíblico a respeito do riso. Quando foi a última vez que você riu tanto que
chorou? Ou que você riu até doer a barriga?
O grande senso de humor de Spurgeon
Muitos evangélicos conhecem bem o lado austero de C.H. Spurgeon e sua séria
busca de uma vida santa. Certamente, sua firmeza quanto às causas corretas, e o
confronto com erros doutrinários são freqüentemente relatados. Muitos leitores
podem não saber que ele era um homem com grande sensor de humor. Spurgeon
conhecia o valor da risada e da diversão. Ele virtualmente colocou em seu
coração a palavra de Provérbios 17.22: “O coração alegre é remédio eficiente”.
Spurgeon ria tanto quanto podia. Ele ria das ironias da vida, ria dos incidentes
cômicos, ria de elementos engraçados da natureza. Ele ria algumas vezes de seus
críticos. Ele adorava dividir suas piadas com os amigos e colegas de ministério.
Ele era conhecido por contar histórias engraçadas do púlpito. William Williams,
um pastor amigo que fazia companhia a ele, era um amigo próximo e querido nos
últimos anos da vida de Spurgeon. Ele escreveu:
Que efervescente fonte de humor o Sr. Spurgeon tinha! Eu ri mais, realmente
acredito, quando estive em sua companhia do que durante todo o resto de minha
vida. Ele tinha o mais fascinante dom do riso... e ele tinha também uma
habilidade ainda maior de fazer todos os seus ouvintes rirem com ele. Quando
alguém o condenava por dizer coisas engraçadas em seus sermões, ele dizia ‘ele
não me condenaria se ele apenas soubesse quantas delas eu escondi' [1]
Spurgeon considerava o humor como uma parte tão integral em seu ministério que
um capítulo inteiro de sua autobiografia é dedicado a isto. Humor permeava os
seus sermões e escritos, freqüentemente costurados nos tecidos das suas
mensagens. Esta é uma razão entre muitas do por que ele ainda é tão agradável de
ler hoje em dia.
A terapia do riso
Spurgeon conhecia a bênção do tratamento de humor. Ele freqüentemente falava
de sua doença em termos humorísticos: “Estou tendo dores fortes”, ele escreveu a
um amigo, “mas estou me recuperando. Apenas minhas costas estão quebradas, e
preciso de uma nova vértebra” [2] . Uma vez, quando estava sentindo-se
deprimido, ele falou do remédio do riso:
Outra tarde, eu estava caminhando para casa depois de um dia duro de trabalho.
Eu me senti exausto e dolorosamente deprimido, quando de repente este texto veio
a mim, ‘Minha graça é suficiente para ti'. Eu cheguei em casa e olhei no
original, e finalmente isto veio a mim desta forma. ‘Minha graça é suficiente
para TI'. E então eu disse ‘devo pensar que é, Senhor', e comecei a rir. Eu
nunca entendi o que a risada santa de Abraão era até então. Pareceu tornar a
incredulidade tão absurda... Oh irmãos, sejam grandes crentes. A pequena fé
levará suas almas ao céu, mas a grande fé trará o céu às suas almas” [3]
Algumas vezes o humor de Spurgeon quase chegou ao cinismo – como na época em que
estava envolvido na controvérsia da regeneração batismal. Quando lidou com os
clérigos da Igreja da Inglaterra por causa da crença deles na regeneração
batismal, Spurgeon instalou uma fonte batismal como um bebedouro para pássaros
em seu quintal. Ele referiu-se a isso como “os espólios da guerra”. Embora o
grande “Príncipe dos Pregadores” possa ter passado dos limites com esta, na
maioria das vezes seu humor era equilibrado e apropriado.
Riso: uma atividade necessária
Rir é uma atividade importante na vida de um líder. É uma terapia muito
necessária para cargos que são frequentemente atacados com o stress e as
dificuldades do dia-a-dia. Certamente existe uma hora para ser sério, quando
encaramos muitas situações duras em nossas vidas e ministérios. Porém,
precisamos aprender como experimentar o alívio do riso. Parte do problema é que
muitos de nós nos levamos muitíssimo a sério. Quando esquecemos que Deus tem um
senso de humor, precisamos fazer com um líder sugeriu – dar uma olhada no
espelho!
Spurgeon conhecia o valor do riso e do humor. Em tempos duros e tempos de
doença, o humor era um meio de ele tratar com sua situação. Era um mecanismo
eficiente para ele. Sempre existirão épocas de tristeza e alegria para o líder
consciente. Porém, o líder que aprende a equilibrar os dois aprenderá a
disciplina de empregar o riso e a alegria em sua vida. Isto pode fazer uma
diferença muito grande no cumprimento e propósitos do seu serviço ao Senhor.
Larry J. Michael, PhD. - Dr. Larry Michael é pastor sênior da Primeira Igreja
Batista em Clanton, Alabama. Ele trabalha como professor adjunto no Beeson
Divinity School em Birmingham, Alabama. Este artigo é uma adaptação do autor de
seu livro, Spurgeon on Leadership , Kregel Publications, de 2003.
NOTAS:
[1] - William Williams, Personal Remembrances of Charles Haddon Spurgeon (London:
Passmore and Alabaster, 1895), 24. [voltar]
[2] - Ibid, 231. [voltar]
[3] - Ibid, 25. [voltar]
Traduzido por: Josaías Cardoso Ribeiro Jr. - Revisado por: Felipe Sabino de
Araújo Neto