Outros Sermões Deuteronômio

A RELEVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DE DEUS PARA A FAMÍLIA
Deuteronômio 6.1-25

Desde quando o Senhor chamou o seu povo para si, delegou princípios que têm vazado os séculos, e que têm relevância prática para a orientação dos pais e educação dos filhos em todos os tempos. Em Deuteronômio 6.1-25, temos Deus estabelecendo os princípios para os pais e filhos. A verdade de que Deus está se dirigindo às famílias de Israel é tão clara que ele usa expressões tais como: " ...tu, e teu filho, e o filho do teu filho"; "Tu as inculcarás a teus filhos"; "Assentado em tua casa"; "Quando teu filho no futuro te perguntar." Os princípios que Deus estava conclamando às famílias de Israel a seguir são os mesmos para nós hoje, se desejamos nos tornar famílias fortes, vitoriosas, como verdadeiros instrumentos para a glória de Deus! Quais são os princípios de Deus para a família?

Em primeiro lugar, a aceitação da Palavra de Deus como norma absoluta de vida. "Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o Senhor teu Deus se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas a possuir; para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados. Ouve, pois, ó Israel, e atenta em os cumprires, para que bem te suceda, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te disse o Senhor Deus de teus pais. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força" (versículos 1 a 5). Nós vivemos numa época de relativismos. Na mentalidade das pessoas fora dos arraiais do universo evangélico tudo é relativo. Os padrões são relativos, a moral é relativa, etc. Mas para nós, como filhos de Deus, a sua Palavra é norma absoluta de vida. Seus ensinos são absolutos em todas as áreas. Se quisermos ser felizes como indivíduos ou famílias, havemos de aceitar a Palavra de Deus como verdade absoluta.

Em segundo lugar, a interiorização e ministração da Palavra de Deus aos filhos. "Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas" (versículos 6 a 9). É verdade que precisamos conhecer intelectualmente a Palavra do Senhor, mas muito mais que a guardemos em nossos corações. O lugar onde devemos guardar a Palavra do Senhor é em nossos corações: "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (SI119.11). A Palavra de Deus guardada em nosso coração significa encarnar seus ensinamentos em nosso viver. É o viver pela Palavra de Deus que nos torna felizes e realizados. "Grande paz têm os que amam a tua lei, para eles não há tropeço" (SI 119.165).

Os pais são as figuras mais significativas para os filhos, portanto, responsáveis pela instrução e ensino aos filhos. Não é sem razão que a Palavra de Deus ordena: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele" (Pv 22.6). Mas é fundamental que os pais, para ensinar os filhos, precisam antes conhecer e acima de tudo viver pelos princípios de Deus. Se os pais não vivem pelos valores de Deus, perdem a autoridade moral e espiritual sobre os filhos, pois o seu ensino é uma projeção da sua própria vida. Devem, pois, os pais convocarem os filhos para o culto doméstico e, num ambiente alegre e descontraído, realizá-Io para a glória de Deus. À medida que a presença de Deus é cultivada na família, as relações familiares vão sendo refrigeradas por um cima de amor, aceitação e compreensão.

Em terceiro lugar, a coerência entre a fé e a prática da Palavra de Deus. "Havendo-te, pois, o Senhor teu Deus introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, te daria, grandes e boas cidades, que tu não edificaste; e casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste; e poços abertos, que não abriste; vinhais e olivais, que não plantaste; e quando comeres e te fartares, guarda-te, para que não esqueças o Senhor, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. O Senhor teu Deus temerás, a ele servirás, e pelo seu nome jurarás. Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti, porque o Senhor teu Deus é Deus zeloso no meio de ti, para que a irado Senhor teu Deus se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra. Não tentarás o Senhor teu Deus, como o tentaste em Massá. Diligentemente guardarás os mandamentos do Senhor teu Deus, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, que te ordenou. Farás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que bem te suceda, e entres, e possuas a boa terra, a qual o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, lançando fora a todos os teus inimigos de diante de ti, como o Senhor tem dito" (versículos 10 a 19). Um dos problemas causadores do chamado "conflito de valores" na vida dos adolescentes e jovens é por causa da incoerência que eles percebem na vida e no comportamento de seus pais. Por exemplo, eles vêem os pais falarem em honestidade ou fidelidade, e daqui a mais alguns dias eles percebem que não há coerência entre o que pais dizem e fazem! Os "conflitos de valores" produzem uma ruptura na personalidade do adolescente, ou jovem, tornando-o muitas vezes apático, frio, indiferente, quando não adota comportamentos irresponsáveis.

Em quarto lugar, o conhecimento e a experiência dos grandes feitos de Deus. "Quando teu filho de futuro te perguntar, dizendo: Que significam os testemunhos e estatutos e juízos que o Senhor nosso Deus vos ordenou? Então dirás a teu . filho: Éramos servos de Faraó no Egito: porém o Senhor de lá nos tirou com poderosa mão. Aos nossos olhos fez o Senhor sinais e maravilhas, grandes e terríveis, contra o Egito e contra Faraó e toda a sua casa; e dali nos tirou, para nos levar, e nos dar a terra que sob juramento prometeu a nossos pais. O Senhor nos ordenou cumpríssemos todos estes estatutos, e temêssemos o Senhor nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como tem feito até hoje. Será por nós justiça, quando tivemos o cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o Senhor nosso Deus, como nos tem ordenado" (versículos 20 a 25). Na verdade, os pais precisam conhecer a revelação de Deus, pela leitura e meditação diária da sua Palavra, no dia a dia, da sua vida. Somente assim terão condições de vivenciar experiências diárias e profundas com o Senhor.

A nuvem sombria que paira sobre a família hoje tem a ver basicamente com a tentativa de destruir o relacionamento marido e mulher, que, por sua vez, afeta toda estrutura familiar, incluindo, naturalmente, o relacionamento pais e filhos. No entanto, se a família tomar posse dos princípios de Deus e passar a vivê-Ios não há barreiras que não possam ser vivenciadas.

Perguntas para reflexão
1. Você concorda que os princípios que Deus deu ao seu povo, Israel, no passado, são atuais para nós hoje? De que maneira?

2. A aceitação da Palavra de Deus como norma absoluta de vida pode alterar positivamente, o curso da família? De que forma?

3. O que você entende por interiorizar a Palavra de Deus? De que forma é possível interiorizar a Palavra de Deus?

4. Experiência pessoal com Deus, no sentido de conhecer seus feitos, contribui para a edificação da família? Em que sentido?



Manoel Nascimento e Terezalva Souza