PASTOR E ESPOSA E OS DESAFIOS DE UM NOVO TEMPO
Cantares 8.7; 2 Timóteo 3.1-9
A vida conjugal nos impõe muitas lutas:
– os nossos problemas (os quais temos de aprender a administrá-los) e também os
dos outros em especial quando estamos no ministério (pastor e esposa).
Cantares 8:7 ilustra muito bem isto. Além das “muitas águas” e os “rios” (lutas)
os fatores externos que interferem direta ou indiretamente na vida do casal:
pessoas usadas por Satanás tentando destruir esta união – “ainda que alguém
desse todos os bens da sua casa pelo amor”.
– O tipo de pessoas com as quais lidamos
O casal sofre todo o tipo de pressão por parte de outras pessoas que dura toda a
vida. Se está namorando querem saber quando será o noivado se fica noivo
perguntam se já foi marcado o casamento se casam querem saber se já estão
providenciando o bebê vem o primeiro filho e já querem que ele tenha um
irmãozinho.
A verdade é que as pessoas perderam o limite. Paulo revela as características
das pessoas que fazem parte do contexto do casal: egoístas avarentos orgulhosos
arrogantes blasfemadores desobedientes aos pais ingratos irreverentes
desafeiçoados implacáveis caluniadores sem domínio de si cruéis inimigos do bem
traidores atrevidos cheios de si mais amigos dos prazeres que amigos de Deus...
(II Tim. 3:2-5). É este tipo de gente que o casal tem de lidar conviver aturar e
não deixar que todo o “stress” desta relação externa venha acabar com o
casamento.
Mas eu não quero falar de problemas nem destas pessoas. Quero trazer uma palavra
para o casal volta da para a vida a dois. Excluirei destes desafios: os filhos e
a igreja. Entendo que se conseguirmos colocar em prática os desafios que
trazemos como propostas para a vida a dois (selecionei sete para refletirmos) os
demais serão vencidos satisfatoriamente.
Se porém não estivermos bem em uma destas áreas sofreremos as conseqüências. E
por tabela filhos e igreja sofrerão juntos.
1) O primeiro desafio que quero compartilhar é: CRIAR O HÁBITO DE ORAR JUNTOS
A maior parte do tempo nós pastores e esposas oramos individualmente e poucas
vezes juntos. Quando conseguimos orar juntos ou é no final do dia quando nossas
forças físicas estão exauridas ao ponto de um ou outro acabar dormindo no meio
da oração ou pela manhã quando estamos envoltos com a correria para darmos
andamento às primeiras tarefas que mal iniciamos nosso diálogo com Deus e já
dizemos amém em seguida.
Temos por hábito estabelecer metas estáticas quando a vida é dinâmica. Isto
ocorre também com a oração a dois. É provável que ao término desta palavra o
casal queira estabelecer a meta de orarem juntos todos os dias. Amém isto é bom.
Todavia se só conseguirem fazê-lo duas vezes na semana (será bom também) é
provável que se sinta frustrado e desista de perseguir esta meta. “Já que não dá
para ser todo dia é melhor cada um fazer a sua oração individualmente afinal
estaremos orando do mesmo jeito”. Errado.
O desafio é orar juntos: todos os dias uma vez por semana uma vez no mês uma vez
ou outra mas orar juntos. Pode parecer contraditória a frase anterior. Mas se
você pastor e esposa avaliar que há casais que passam toda uma vida casados e
raramente ou nunca oraram juntos de verdade orarem juntos de vez em quando já é
um grande avanço.
Quando o casal ora junto passa a conhecer o que vai no coração do outro passa a
se conhecer melhor. O melhor de tudo: vencem as barreiras os problemas e
fortalecem a união. Tornam-se maduros para superarem outros problemas que virão
tornam-se ótimos conselheiros devido às experiências adquiridas.
2) O segundo desafio que quero compartilhar é triplo:
LER A BÍBLIA JUNTOS
MINISTRAR A PALAVRA UM AO OUTRO
COMPARTILHAR O QUE LEREM NA PALAVRA
Talvez este seja o mais difícil de ser vencido. Os horários de disponibilidade
para leitura não coincidem. Os hábitos de leitura são diferentes (uns gostam de
ler à noite outros de manhã bem cedo). Faz-se necessário encontrar um ponto de
encontro.
O casal deve esforçar-se para ler e estudar juntos a Palavra. Para ajudarem-se
mutuamente para adquirir mais sabedoria de Deus para passar pelos problemas.
O casal deve compartilhar os textos bíblicos em que Deus falou ao seu coração.
Geralmente o que Deus fala a um cônjuge é o que o outro está também precisando
ouvir ou receber.
O casal deve ministrar a palavra um ao outro. Se a sua esposa está atravessando
algum problema você deve ministrar a palavra a ela. Pode ser citando um texto
que seja uma promessa do Senhor uma palavra de conforto de alento. Pode ser
através de um bilhetinho. “Não desanime Deus está cuidando de você”acompanhado
de um versículo ou texto. O cônjuge deve pedir a Deus uma palavra para oferecer
ao outro. Deve extrair do coração de Deus através da oração e evitar sempre a
mera citação de textos.
Seu marido está cansado desgastado com o ministério ou mesmo abatido por causa
de um problema que está demorando a ser resolvido você esposa pode entrar com um
versículo um texto que Deus lhe tenha falado ao coração e compartilhar com seu
esposo. Você marido pastor deve se lembrar que sua esposa é também sua ovelha.
Deve apascentá-la com amor e carinho.
3) O terceiro desafio que quero compartilhar é SE RECICLAR JUNTOS
Nunca houve tanta necessidade de reciclagem. Temo-nos deparado com assuntos e
temas polêmicos. Temos enfrentado problemas que nunca imaginamos sequer conhecer
que dirá lidar com eles ajudar a resolvê-los.
Há cerca de 2 anos deparei-me com uma situação difícil de administrar. Estava no
hospital aguardando para visitar minha mãe e de repente reparei que um homem não
parava de olhar para mim. Em seguida aproximou-se e iniciamos uma conversa.
Perguntou-me se estava aguardando alguém. Falei-lhe do estado de minha mãe e
aquele homem declarou-me que tudo daria certo e ela sairia daquela situação.
Pouco depois o homem perguntou-me se eu era pastor. Respondi-lhe que sim e vi
quando os olhos dele se encheram de lágrimas. Contou-me que era cristão casa do
pai de filhos e que precisava de ajuda. Relatou-me que confidenciou o seu
problema ao pastor de sua igreja e poucos dias depois toda a igreja estava
sabendo. Ele foi obrigado a se afastar pois o problema era muito sério.
Contou-me que sua esposa sabia que ele sentia atração física por homens. E ele
queria se libertar disso. Confidenciou-me que ele possuía outros irmãos (sete) e
que quatro deles eram homossexuais: dois irmãos e duas irmãs. Disse que queria
ganhar seus irmãos para Cristo mas como fazê-lo se ele mesmo se encontrava
naquela situação?
Declarei-lhe que nunca havia me deparado com uma situação como a dele mas que
iria orar ao Senhor para pedir uma direção e orientação quanto a uma forma de
ajudá-lo.
Dei os telefones de casa e celular e também o meu endereço. Entendi que se Deus
havia permitido tal aproximação era porque queria me usar para ajudar aquele
homem a se libertar.
Relatei o fato à minha esposa e deixei-a preparada quanto a ser um laço de
Satanás para tirar a nossa paz. Caso aquele homem telefonasse para nossa casa
com voz de mulher me procurando ou mesmo falando qualquer besteira que ela não
revidasse e deixasse Deus agir.
Levei cerca de dois meses orando pesquisando e estudando o assunto na palavra e
buscando livros. Ao fim desse tempo contactei aquele irmão e disse-lhe que
gostaria de conversar com ele. Passei-lhe um artigo e emprestei-lhe uma fita com
o testemunho de um ex-homossexual que hoje é casa do pai de uma filha e pastor.
Aquele irmão não mais deu notícias durante meses. Um dia telefonou-me dizendo
que gostaria de me devolver a fita. A fim de evitar um novo encontro pedi-lhe
que a deixasse na casa do meu pai que mora no mesmo bairro. Conversei com meu
pai e deixei-o de sobreaviso.
Depois de deixar a fita na casa de meu pai aquele irmão voltou a me telefonar
dizendo que gostaria de me agradecer pessoalmente e testemunhar o que Deus
fizera. Marquei um encontro no meu trabalho. Orei ao Senhor para me livrar de
qualquer cilada do Diabo para me envergonhar. Confesso que tinha medo daquele
homem chegar a ali desmunhecando e os meus colegas pensarem mal de mim.
Chegou o dia do encontro e aquele irmão conversou que leu o artigo viu a fita
orou e Deus o libertara. Abraçou-me emocionado e agradeceu pela ajuda que eu
havia lhe dado.
É desafio para o casal ler livros e compartilhar a leitura de bons livros. Deus
tem usado escritores para nos abençoarem e edificar nossas vidas. O casal deve
ler periodicamente livros que tratam do relacionamento conjugal para crescerem
para adquirirem conhecimento para juntos ficarem atualizados.
Quando apenas um cuida da reciclagem o outro acaba ficando para trás. Boas
leituras nos fazem ficar alertas quanto a não deixarmos brechas. Somos
privilegiados por Deus pela farta e rica literatura à nossa disposição.
4) O quarto desafio é ACONSELHAR-SE MUTUAMENTE
Estamos vivendo um momento bastante delicado nos relacionamentos seja marido e
mulher pais e filhos pastor e ovelha. Expressões do tipo: “vou deixar quebrar a
cara”“quero que ele (ela) se dane”“problema dele (a)”têm sido freqüentes e
desastrosas nos relacionamentos. Não é diferente com o casal pastoral.
A Bíblia afirma que temos a mente de Cristo e que não vivemos mais nós mas
Cristo vive em nós. A Bíblia afirma também que Jesus é Maravilhoso Conselheiro
(I Cor. 2:16Gal. 2:20 e Is. 9:6).
“Como o óleo e o perfume alegram o coração assim o amigo encontra doçura no
conselho cordial”. Provérbios 27:9
“Onde não há conselho fracassam os projetos mas com os muitos conselheiros há
bom êxito”. Provérbios 15:22
O casal deve estar sempre pronto a aconselhar-se mutuamente. Mesmo que o seu
cônjuge seja resistente a conselhos você não deve desistir e largar de mão. Deve
insistir. Se ele não gosta de ouvir experimente deixar uns “torpedinhos
estratégicos” com toques alertas ponderações propostas de avaliação e repensar.
Tenha sempre em mente que a teimosia sempre acarreta conseqüências. Algumas
leves outras até drásticas. Infelizmente não sofre apenas o teimoso o que não
gosta de conselhos o casal ou a família pegam as rebarbas.
Tenho o hábito de aproveitar as situações do dia a dia para aconselhar minhas
filhas e neto: uma pessoa caída na sarjeta uma prostituta alguém sendo agredido
alguém que foi assassinado etc. Procuro mostrar que tais situações são reflexos
da desobediência da teimosia da resistência ou inobservância de um conselho.
Pastor e esposa devem opinar sempre que solicitados pelo cônjuge ou mesmo quando
não. Toques sobre roupa (se ficou bem ou se não)sobre a maneira de pregar de
chamar a atenção da igreja ou dos filhos sobre aquele irmão que insiste em
querer segurar a mão da sua esposa ou aquela irmã que vive procurando
pendurar-se no ombro do seu marido.
Estas coisinhas parecem besteiras ou insignificantes mas são pequenos detalhes
que acabam gerando uma briga um desgaste pequenos aborrecimentos desnecessários
que acabam interferindo no bem estar do casal.
5) O quinto desafio é SEPARAR UM MOMENTO SÓ PARA VOCÊS
Independente do tempo de casados e a idade o casal deve separar um tempo
para namorar para se beijar para rir para conversar papa ir ao cinema para ver
um filme em casa para ver TV para relembrar momentos para ver fotos para se
curtir.
Geralmente só valorizamos estes momentos quando um fica doente ou mesmo quando
morre. Aí ficamos a lamentar: por que não fizemos isso? Por que não fizemos
aquilo? Aí é tarde demais.
Há uma música com um nome bastante esquisito: “Epitáfio”. Acho que ninguém gosta
desse nome. Todavia parte da sua letra expressa tudo aquilo que devemos fazer e
não deixar a vida passar para depois cair na real de que não aproveitamos o
suficiente.
Epitáfio.
(Titãs).
Devia ter amado mais ter chorado mais Ter visto o sol nascer.
Devia ter arriscado mais e até errado mais Ter feito o que eu queria fazer.
Queria ter aceitado as pessoas como elas são Cada um sabe a alegria e a dor que
traz no coração.
(...) Devia ter complicado menos trabalhado menos Ter visto o sol se pôr.
Devia ter me importado menos com problemas pequenos Ter morrido de amor.
Queria ter aceitado a vida como ela é A cada um cabe alegrias e a tristeza que
vier.
Jesus disse que veio para termos vida e vida em abundância. A vida abundante
envolve os momentos que o casal separar para si.
No último retiro dos pastores que participei falando sobre a importância de o
pastor separar um tempo para estar com a família o preletor fez a seguinte
pergunta: você está saindo de casa com a família para um piquenique e quando
está fechando a porta de casa o telefone toca. Você abre a porta e volta para
atender o telefone? Ou termina de fechar a porta e deixa o telefone tocando? Se
você voltar e atender descobrirá que foi aquela irmã que briga o tempo todo com
o marido e quer que você pastor vá mais uma vez à sua casa para ajudar a apagar
o incêndio que ela mesma começou. Nesse caso você senta no sofá vira para sua
esposa e filhos e diz para eles: temos uma emergência por isso teremos de adiar
o nosso piquenique. Ou simplesmente terminar de fechar a porta e sair com a
família.
Duas coisas poderão acontecer se decidir fechar a porta e sair. Você poderá
passar o dia todo pensativo sobre quem ligou: “será que era urgente”“será que
deveria ter atendido”. Ou ignorar o telefonema e passar um ótimo dia com a sua
família e voltar para casa feliz da vida.
À noite ou quando retornar à igreja talvez você fique sabendo quem ligou: 1)
pelo identificador de chamadas que registrou o número2) pela secretária
eletrônica na qual deixaram um recado3) um novo telefonema da irmã cuja história
usamos para ilustrar4) ou talvez nem fique sabendo mesmo que ela tenha se
atracado com o seu marido. Sabe porque? Como não havia bombeiros de plantão (o
pastor e a sua esposa)ela mesma teve de apagar o seu incêndio sozinha. Fez as
pazes com o marido e terminou o dia dela feliz.
Minha resposta ao questionamento proposto foi: eu sairia tranqüilamente com a
minha família. Não voltaria para atender o telefone e permitir que o meu dia
fosse por água abaixo. Vocês podem até discordar comigo mas esta com certeza
seria a minha posição. Naquele momento a prioridade era o piquenique com minha
família. Se fosse um jantar com a minha esposa a prioridade seria o jantar.
Ressalto apenas em se tratando de um telefonema. Se alguém o procura
pessoalmente não dando para resolver ali mesmo ainda que você tenha uma mesa
reservada num restaurante infelizmente o melhor que você faz é cancelar a
reserva e adiar o jantar. É o óbvio.
Nada é mais importante que o seu momento a dois. Quando vocês ignoram ou não
valorizam nem priorizam estes momentos não se dá conta do grande mal que estão
fazendo um ao outro e ao seu casamento. Com o passar do tempo poderão não mais
sentir o desejo de estarem disponíveis um para o outro. Ou que tais momentos já
não têm importância na vida de vocês.
É lamentável quando um casal chega a este ponto: “É melhor você ir para a igreja
e me deixar aqui com a minha louça para lavara roupa para passar. A final nós
nunca temos tempo para nós mesmos não é? Que adianta combinarmos de sair se na
hora “H” alguém vai telefonar da igreja e você vai me deixar arrumada esperando
ou pedir para tirar a roupa porque não vai ser possível sairmos”.
Sugiro que vocês reflitam sobre este desafio e decidam de hoje em diante se
parar um momento para vocês dois.
6) O sexto desafio é ADORAR JUNTOS
Adoramos com a igreja nas reuniões de família mas não adoramos a dois. Uma
das lições mais bonitas que meus pais me ensinaram desde que se converteram até
à morte da minha mãe foi a adoração a dois. Às vezes eu telefonava e meu pai
falava que ele e minha mãe estavam fazendo o culto doméstico que depois
retornaria a ligação.
Eles sempre cantavam e glorificavam a Deus juntos. O mais interessante é que meu
pai me ensinou a glorificar a Deus principalmente pelas lutas dentro do
casamento. Tanto meu pai quanto minha mãe me confessaram algumas vezes que mesmo
brigados eles seguravam a mão do outro na hora da oração. Posteriormente quando
a doença dela se agravou tinha dias que minha mãe sequer agüentava a se levantar
mas mesmo assim eles adoravam a Deus juntos.
Que privilégio maior que este: pastor e esposa adorarem juntos ao Senhor que os
tem comissionado? É provável que vocês pastor e esposa não consigam fazer o
culto doméstico todos os dia sou mesmo uma vez na semana. Não importa a
freqüência mas a intenção de fazê-lo sempre que puderem estabelecendo como
prioridade sincera para vocês mesmos.
Às vezes temos tempo e oportunidade para fazê-lo mas sobrepomos com outra coisa:
um jogo de futebol um filme uma novela uma desculpa de estar indisposto ou com
dor de cabeça tudo para adiar a adoração. Será que agindo desta forma Deus está
se agradando de nós mesmo que estejamos realizando com diligência o nosso
ministério?
7) O sétimo e último desafio é VOLTAR AO PRIMEIRO AMOR
Lembra das horas e horas em que ficávamos abestalhados frente ao outro
contando coisas engraçadas trocando cartõezinhos letras de músicas versinhos e
outras coisas que só os namorados sabem fazer? Se hoje as coisas não são mais
assim o brilho e o romantismo do primeiro amor passaram você precisa voltar ao
primeiro amor.
Quando vocês se conheceram era tão bom pegar a mão da namorada ficar acariciando
dizendo coisas bonitas. Mas havia algo que não era tão bom quanto hoje. Antes
enquanto ainda namorados havia muitas incógnitas quanto ao futuro. Com o
casamento as incógnitas se transformaram em sonhos e projetos viáveis de se
conquistar. Então por que não empreendê-los com a chama do primeiro amor?
Os filhos o corre-corre do dia a dia o exercício do ministério a obra do Senhor
fazem parte da nossa vida. Eles não constituem estorvos nem empecilhos ao gozo
do amor com o seu cônjuge. A nossa vida é constituída de todas estas coisas. Ser
feliz ou infeliz no amor dependerá da maneira como decidimos administrar cada
uma destas áreas.
Ainda há tempo para retomar o primeiro amor. Recentemente conheci um casal que
tem sessenta anos de casados e fiquei encantado com o amor carinho e cuidado que
compartilham. Conheço vários casais que já fizeram bodas de ouro. Uns parecem
viver a mesma lua de mel quando do casamento. Outros apenas se suportam.
Infelizmente há casais que ainda não completaram cinco anos de casamento e a
chama do amor parece ter apagado faz tempo.
Há algum tempo atrás recebi um email com uma história bastante interessante de
um casal.
NEOQEAV
"Como a vida pode ser talvez diferente de como é hoje.
Meus avós já estavam casados há mais de cinqüenta anos e continuavam jogando um
jogo que haviam iniciado quando começaram a namorar. A regra do jogo era que um
tinha que escrever a palavra "Neoqeav" num lugar inesperado para o outro
encontrar e assim quem a encontrasse deveria escrevê-la em outro lugar e assim
sucessivamente. Eles se revezavam deixando "Neoqeav" escrita por toda a casa e
assim que um a encontrava era sua vez de escondê-la em outro local para o outro
achar.
Eles escreviam "Neoqeav" com os dedos no açúcar dentro do açucareiro ou no pote
de farinha para que o próximo que fosse cozinhar a achasse. Escreviam na janela
embaçada pelo sereno que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim que ela
fazia com tanto carinho. "Neoqeav" era escrita no vapor deixado no espelho
depois de um banho quente onde a palavra iria reaparecer depois do próximo
banho. Uma vez minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para
deixar "Neoqeav" na última folha e enrolou tudo de novo. Não havia limites para
onde "Neoqeav" pudesse surgir. Pedacinhos de papel com "Neoqeav" rabiscado
apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam. Os bilhetes eram
enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros. "Neoqeav" era
escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras e nas cinzas da lareira.
Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós quanto da
mobília.
Levou bastante tempo para eu passar a entender completamente e gostar deste jogo
que eles jogavam. Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e
verdadeiro amor que possa ser realmente puro e duradouro. Porém meu nunca
duvidei do amor entre meus avós. Este amor era profundo. Era mais do que um jogo
de diversão era um modo de vida. Seu relacionamento era baseado em devoção e uma
afeição apaixonada igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar. O
vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam. Roubavam beijos um do
outro sempre que se batiam um contra outro naquela cozinha tão pequena. Eles
conseguiam terminar a frase incompleta do outro e todo dia resolviam juntos as
palavras cruzadas do jornal.
Minha avó cochichava para mim dizendo o quanto meu avô era bonito como ele havia
se tornado um velho bonito e charmoso. Ela se gabava de dizer que sabia como
pegar os namorados mais bonitos. Antes de cada refeição eles se reverenciavam e
davam graças a Deus pelas bênçãos e por sermos uma família maravilhosa para
continuarmos sempre unidos e com boa sorte. Mas uma nuvem escura surgiu na vida
de meus avós: minha avó tinha câncer de mama. A doença tinha primeiro aparecido
dez anos antes. Como sempre vovô estava com ela a cada momento. Ele a confortava
no quarto amarelo deles que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse
sempre rodeada da luz do sol mesmo quando ela não tivesse forças para sair. O
câncer agora estava de novo atacando seu corpo. Com a ajuda de uma bengala e a
mão firme do meu avô eles iam à igreja toda manhã. E minha avó foi ficando cada
vez mais fraca até que finalmente ela não mais podia sair de casa. Por algum
tempo meu avô resolveu ir à igreja sozinho orando a Deus para zelar por sua
esposa. E então o que todos nós temíamos aconteceu. Vovó partiu. "Neoqeav" foi
gravada em amarelo nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores do funeral da
vovó. Quando os amigos começaram a ir embora minhas tias tios primos e outras
pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.
Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e num suspiro bem profundo começou a
cantar para ela. Através de suas lágrimas e pesara música surgiu como uma canção
de ninar que vinha bem de dentro de seu ser. Sentindo-me muito triste nunca vou
me esquecer daquele momento. Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender
completamente a profundeza daquele amor eu tinha tido o privilégio de
testemunhar a beleza sem igual que aquilo representava.
Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando: "Mas o que NEOQEAV
significa?" Não está?
"NEOQEAV" = Nunca Esqueça O Quanto Eu Amo Você."
Qual o segredo para viver sempre o primeiro amor? Apenas querer o bem um do
outro.
Ouvi uma colega de trabalho conversando com outra colega mais nova que não
conseguia entender por que o seu marido parece gostar dela mais agora “que já
está toda gordato da feia”do que antes. “Será que ele perdeu o referencial de
beleza”? Intrometi-me na conversa e disse para ela que não deveria pensar desta
forma. Declarei-lhe que com o passar dos anos duas pessoas que se amam tendem a
aperfeiçoar seus padrões de beleza a forma de ver as coisas a se tornar cada vez
mais próximo de “serão os dois uma só carne”. O referencial de beleza é
aperfeiçoado não levando em consideração apenas a estética mas a beleza interior
as virtudes o companheirismo a amizade e o carinho devotados. Amadurecer e
envelhecer a dois é lindo demais.
É desafio voltar ao primeiro amor pois o que o mundo oferece é o divórcio é o
sexo fácil sem amor sem construção sem Deus. É desafio voltar ao primeiro amor
para ser modelo para que outros casais se espelhem em nós e desejem viver da
mesma forma que nós e a partir disso Deus ser glorificado em nós. É desafio
voltar ao primeiro amor para que os nossos filhos tenham um referencial de
solidez conjugal para constituírem suas famílias.
É desafio voltar ao primeiro amor para desfrutarmos das coisas boas do casamento
por toda uma vida e não somente na lua de mel.
Há quanto tempo você não compra um chocolate ou um doce que sua esposa gosta
muito? Há quanto tempo você não oferece um buquê de flores para ela? Há quanto
tempo você esposa não prepara um jantar especial fazendo aquela comida que ele
mais gosta? Há quanto tempo você não diz “eu te amo”ou “você é a coisa mais
linda em toda a minha vida”. Há quanto tempo você não chama o seu amor daquelas
palavras esquisitas que inventaram quando se conheceram?
Creio que você pastor e esposa conhecem o ponto fraco do seu cônjuge. Aquilo que
seduz que cativa que faz os olhos encherem de lágrima que embaraça que comove
que faz o outro saltar de alegria. Então o que está esperando? Faça desta noite
que está terminando uma noite especial.
CONCLUSÃO
Creio que Deus nos proporcionou mais esta oportunidade para revermos algumas
coisas e melhorarmos as nossas vidas a dois. A vida secular e o ministério são
feitos de desafios. Todavia pastor e esposa são desafios para este mundo
promíscuo. Somos sal e luz para o evangelho e também para a vida a dois. Quando
o casal vive a plenitude do casamento tal qual a proposta de Deus no Jardim do
Éden tempera e ilumina a vida de outros casais. Mas quando a relação a dois já
perdeu o brilho do amor tira o sabor e obscurece a dos que estão à sua volta.
Notem que todos ficam alegres na a presença de um casal de namorados que se
amam. Tem torcida e tudo o mais para que eles se casem e tenham mais tempo para
compartilhar este amor.
Marido e mulher têm mais que um casal de namorados pode ter. Têm a aprovação de
Deus na união e têm um ao outro. Podem dormir na mesma cama sem pecar contra o
Senhor desfrutar o mesmo espaço respirar o mesmo ar ninguém ficará mais gritando
“está na hora”. Podem fazer coisas agradáveis um para o outro sem o risco de
alguém zombar e tantas outras coisas mais.
Os desafios que apresentamos nesta oportunidade devem ser vencidos por qualquer
casal cristão e não somente o casal pastoral. Portanto não se constituem alvos
utópicos. Tentar superá-los não significar acrescentar novos fardos ao
ministério do casal. Pelo contrário objetiva tornar o ministério dos dois mais
suave e leve.
Em superando estes desafios a vida a dois tornar-se-á mais abençoada mais sólida
mais romântica e feliz.
Que Deus abençoe a vida de vocês.
Antonio de Moraes Regly