Sacerdócio do Crente
Apocalipse 1.6
“E nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o
domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Apocalipse 1.6).
A palavra sacerdócio significa: “aquele que cumpre uma missão muito elevada ou
exerce um ofício muito honroso”.
Considerações Gerais
Um só Mediador: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os
homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).
É claro o ensino bíblico: existe apenas um Único Mediador, ninguém mais. Isto
elimina a presunção de que qualquer santo, inclusive Maria, possa interceder por
nós.
Aproximar-se de Deus apenas por Cristo: Através do véu rasgado (símbolo da sua
carne, morte), Jesus Cristo abriu um novo e vivo caminho à presença do Pai
(“Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue
de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela
sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com
sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado [purificado:
aspergido] de má consciência e lavado o corpo com água pura” – Hebreus
10.19-22), pois somente através de Cristo é que podemos nos aproximar de Deus
(“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao
Pai senão por mim” – João 14.6).
Jesus Cristo tem sacerdócio imutável: Na Epístola aos Hebreus, vemos que Cristo
substituiu a velha ordem de sacerdotes mediatórios. Ele tem um sacerdócio
imutável, ou seja, intransmissível. “Por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador
de superior aliança. Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque
são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para
sempre, tem o seu sacerdócio imutável” (Hebreus 7.22-24).
Por isso Maria, não pode ser a intercessora como alegam os católicos romanos.
Jesus Cristo é o nosso advogado: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para
que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus
Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos
nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1João 2.1-2). É Ele Quem
intercede por nós.
Jesus Cristo é o nosso confessor: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel
e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João
1.9).
Nenhuma unção foi feita de alguma ordem terrena de sacerdotes.
Cada Crente é um Sacerdote
Cada cristão regenerado é um sacerdote diante de Deus, com responsabilidades e
privilégios.
Todo cristão possui livre acesso à presença de Deus, livre de qualquer tipo de
sacerdote terreno.
“E da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o
Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou
dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a
ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Apocalipse 1.5-6).
“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade
exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das
trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pedro 2.9).
A diferença consiste em que Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote, o crente é um
sacerdote diante de Deus.
Todos os crentes-sacerdotes estão no mesmo nível de igualdade dos demais, todos
têm o mesmo livre acesso à presença de Deus.
O crente-sacerdote, no exercício de seu cargo, possui diferentes aspectos, sendo
eles:
Orações – “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas,
orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens” (1Timóteo
2.1).
Sacrifícios de Louvor – “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre,
sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus
13.15). O nosso louvor passa primeiro por Jesus Cristo.
Oferta de Boas Obras – “Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a
mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz” (Hebreus 13.16).
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo. Porque, se
alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas prove
cada um o seu labor e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não
em outro. Porque cada um levará o seu próprio fardo. Mas aquele que está sendo
instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o
instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear,
isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne
colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida
eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não
desfalecermos” (Gálatas 6.2-9).
Apresentar o Corpo como Sacrifício Vivo – “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas
misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo
e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este
século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos
12.1-2). Esta oferta do sacrifício do corpo é necessária a todos os tipos de
serviço cristão.
Cronologicamente
Até quando a lei foi dada, o chefe de cada família era o sacerdote da família
(Gênesis 8.20; 26.25; 31.54).
Quando a lei foi proposta, Israel deveria ser “um reino de sacerdotes” (Êxodo
19.6). Israel, porém, transgrediu a lei e o serviço sacerdotal deixou de ser
para toda a nação e passou a uma família araônica, a tribo de Levi (Êxodo 28.1).
O sacerdócio araônico perdurou até que Jesus Cristo veio, viveu, padeceu, morreu
e ressuscitou. Assim, o véu foi rasgado e o livre acesso garantido (Mateus
27.51; Efésios 2.18; 3.12).
Na dispensação da Igreja, todos os cristãos são sacerdotes. Assim como os
descendentes de Arão, cada cristão é um sacerdote por nascimento (Hebreus 5.1).
O privilégio principal do sacerdócio é o acesso a Deus. Sob a lei, somente o
sumo sacerdote entrava no “Santo dos Santos” apenas uma vez por ano para ter
acesso a Deus e confessar o pecado de toda a nação (Hebreus 9.7).
Quando o nosso Senhor Jesus Cristo morreu, o véu – um tipo de corpo humano de
Cristo (Hebreus 10.20) – foi rasgado de alto a baixo, possibilitando assim a
entrada do crente sacerdote a qualquer hora à presença de Deus (Hebreus
10.19-22).
Cada vez que precisarmos entrar na presença de Deus, basta ir com confiança ao
Trono da graça, pois o Sumo Sacerdote está fisicamente lá (Hebreus 4.14-16;
9.24; 10.19-22).
O cristão do Novo Testamento também é um intercessor. “Saúda-vos Epafras, que é
dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira,
continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e
plenamente convictos em toda a vontade de Deus” (Colossenses 4.12). “Antes de
tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões,
ações de graças, em favor de todos os homens” (1Timóteo 2.1).
Cleverson de Abreu Faria