A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO
Apocalípse 1
Introdução:
1. Temos considerado aqui no capítulo 1 do Livro de Apocalipse, algumas figuras
na visão que João teve do "Cristo Glorificado". No Domingo passado analisamos as
seguintes:
a. "Seus pés semelhante ao bronze polido", que para nós representam o "poder e a
autoridade" do Senhor Jesus. Este poder e autoridade foi transferido aos filhos
de Deus para a realização da obra de Jesus na terra. Jesus declara isto em Mt
28.18-20, 18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me
foi dada no céu e na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou
convosco todos os dias até à consumação do século". Temos o mesmo conceito
também em Lc 10.19, "Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e
escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará
dano".
b. "Sua voz e sua boca". A voz como "voz de trombeta", ou "voz como o barulho de
muitas águas", nos mostram que a voz do Senhor será ouvida por todos. Ela é
ouvida hoje pelo ministério filhos de Deus, mediante a ação do Espírito Santo,
que usa a nossa boca para falar das grandezas de Deus aos homens. Porém a voz de
Cristo, será ouvida com clareza e com alto e bom som quando vier em sua segunda
vinda para buscar sua igreja e condenar o mundo de então. A "espada de dois
gumes", que saia de sua boca, é a Palavra de Deus que penetra até "as
profundezas do coração do homem", tanto para salvá-lo como para condená-lo, Jr
23:29, "Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR, e martelo que esmiuça a
penha?"
2. Queremos terminar hoje a descrição desta primeira visão. "VAMOS VER NESTA
NOITE, MAIS ALGUNS ASPECTOS DA APARÊNCIA DE CRISTO EM SUA GLÓRIA":
VII - SUA DESTRA
Vs. 1.16-17, 20, "16 Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe
uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força.
17 Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão
direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último 18 e aquele que vive;
estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves
da morte e do inferno. 19 Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as
que hão de acontecer depois destas. 20 Quanto ao mistério das sete estrelas que
viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são
os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas".
1. A palavra "destra", como freqüentemente é usada nas Escrituras, vem do termo
grego "dexiov" - déxios e nos traz a idéia de "mão direita", "à direita", "um
lugar de honra ou de autoridade". Sem sombra de dúvidas, denota uma "posição de
autoridade divina ou suprema", e também "lugar de proteção". Dois pontos são
importantes aqui para serem mencionados:
a. Cristo, após a sua ressurreição e ascensão aos céus, ocupou a posição "à
direita do Pai". Paulo fala isto em Ef 1.20, "o qual exerceu ele em Cristo,
ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares
celestiais". O mesmo destaque podemos ver em Hb 1:3: "Ele, que é o resplendor da
glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra
do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à
direita da Majestade, nas alturas". Estando à destra do Pai, Cristo sempre age
como seu Pai agiria.
b. Outro ponto importante é que Cristo mantém à sua direita aqueles que
ministram ao seu povo na terra, Vs. 20, "Quanto ao mistério das sete estrelas
que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas
são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas". Já
ouvimos dizer: "Esta pessoa é o meu braço direito". Tal expressão, traz a
implicação de que a alguém foi delegada autoridade e que se torna indispensável.
2. Como vimos, o apóstolo informa que as sete estrelas na destra de Cristo, são
os anjos das sete Igrejas. O que, ou quem são estas sete estrelas? Vejamos:
a. Seriam anjos da guarda? Para alguns teólogos e estudiosos da Palavra de Deus
estes "anjos das igrejas", seriam "guardiões", que são designados por Deus para
exercerem ministério em favor dessas igrejas. Porém, é impossível conciliar esta
posição com a advertência e reprovação ocorrida no texto de Ap 2.1, 4-5: "1 Ao
anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão
direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: 4
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. 5 Lembra-te, pois,
de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não,
venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas".
Devemos notar que Paulo não esta falando a anjos, mas à uma igreja, e mais
especificamente à liderança daquela igreja.
b. A interpretação mais comum, é que os anjos das igrejas, sejam os ministros
principais, ou anciãos, pastores, presidentes de uma congregação. É confortante
saber que todos os que servem ao Senhor em posição de responsabilidade, estão em
sua destra, o lugar de possessão e segurança, Jo 10.28-30, "28 Eu lhes dou a
vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29 Aquilo
que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.
30 Eu e o Pai somos um".
c. Walter Scott, um pesquisador das Sagradas Escrituras, faz um comentário
importante sobre as "sete estrelas em sua destra": "Declara-se que as estrelas
são anjos, ou representantes das igrejas. O Anjo da igreja, é o representante
simbólico da Assembléia vista naquele que é o responsável por ela, o que
deveras, todos realmente o são. As estrelas como símbolo, são a expressão de:
c.1. Multidões incontáveis, Gn 15.5, "Então, conduziu-o até fora e disse: Olha
para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a
tua posteridade".
c.2. Poderes menores, ou subordinados em geral, Gn 37.9, "9 Teve ainda outro
sonho e o referiu a seus irmãos, dizendo: Sonhei também que o sol, a lua e onze
estrelas se inclinavam perante mim"; Ap 12.1, "Viu-se grande sinal no céu, a
saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze
estrelas na cabeça".
Toda autoridade da Igreja, todo o ministério e toda a regência espiritual de
cada Assembléia, tem sua autoridade em Cristo. Sua competência para dar ou
retirar, preservar ou sustentar cada ministro de Deus, é a idéia fundamental das
estrelas de sua destra".
c. Um outro ponto aqui para ser considerado é que a palavra "anjo", vem do termo
grego "aggelos", que significa "mensageiro", "enviado", "um que é enviado", "um
mensageiro de Deus". Embora a palavra "aggelos" possa nos dar a idéia de alguém
que é enviado, "um missionário", ela também nos sugere alguém que traz uma
mensagem, "um mensageiro". Ora, não são os pregadores e pastores mensageiros de
Deus à frente de seu povo?
3. A destra representa autoridade e honra supremas, Sl 110.1, "Disse o SENHOR ao
meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos
debaixo dos teus pés". Que posição responsável cada dirigente da igreja ocupa?
VIII - SEU ROSTO COMO O SOL
Vs. 16, "Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada
espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força".
1. O sol irradia luz. Ele não empresta luz de fonte nenhuma, mas em si mesmo é
fonte de luz e calor. Os planetas que formam o sistema solar, são meros
refletores da luz que recebem do sol. A palavra "sol", vem do grego "hliov" -
helios" e pode significar "o sol", "os raios do sol", "a luz do dia". Jesus tem
uma glória transcendente e toda sua. Esta glória é acentuada de três maneiras:
a. Para o mundo, Ele é a Luz, Jo 8.12, "De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu
sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a
luz da vida". Sabemos que o mundo sem Deus vive em trevas e que a proposta de
salvação outorgada por Deus é libertar o homem das trevas, reconduzindo-o à
"Luz". Foi isso que Jesus fez por aqueles que o receberam. Compare Ef 5.8,
"Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como
filhos da luz" com Cl 1.13, "Ele nos libertou do império das trevas e nos
transportou para o reino do Filho do seu amor".
b. Para Israel, Ele é o Sol da Justiça, Ml 4.2, "Mas para vós outros que temeis
o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e
saltareis como bezerros soltos da estrebaria". A expressão "sol da justiça",
significa o "brilho da justiça". Um dos atributos de Deus é "justiça". Este
conceito era tão forte para o salmista que ele chama a Deus de "Deus da minha
justiça", Sl 4.1, "Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na
angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração".
Temos neste salmo um dos nomes de Deus no Antigo Testamento, "Myhla hqdu" - 'elohiym
tsedeq (Deus, minha Justiça). Um ponto que não podemos ignorar aqui e o conceito
de justiça a partir do termo hebraico "hqdu", que significa "o que é reto", "a
justa medida", "o que é devido", etc. A justiça verdadeira não vem pelos
tribunais humanos mas pelo Deus Todo Poderoso.
c. Para a Igreja, Ele é a Resplandecente Estrela da Manhã, Ap 22.16, "Eu, Jesus,
enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a
Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã". A expressão "estrela da manhã" é
uma alusão ao planeta Vênus. Esta estrela simbolizava para os antigos a
imortalidade, que de forma contundente é garantida por Cristo a todos os seus
fiéis. No dizer de Pedro, esta estrela precisa nascer em nossos corações, 2 Pe
1.19, "Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em
atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia
clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração".
2. Na sua humilhação, Cristo teve o seu rosto desfigurado, para além da
aparência humana.
a. Uma vez seu rosto foi coberto por um cuspo vil, Mt 26.67, "67 Então, uns
cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros...".
b. Porém, agora, seu rosto brilhante, brilha para além do brilho do Sol. Tal foi
a reação de João a esta visão ofuscante, que ele caiu aos pés de Cristo, sendo
tranqüilizado pelas suas palavras, Vs. 17-18, "17 Quando o vi, caí a seus pés
como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o
primeiro e o último 18 e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo
pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno".
CONCLUSÃO:
1. De tudo o que pudemos ver, o Cristo da Glória, é tremendo. Não é somente um
Jesus humilde que viveu entre "nós, fazendo o bem a todos, curando os enfermos e
oprimidos pelo Diabo", At 10.38, "como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o
Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando
a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele", mas é o Cristo
Poderoso, cheio de glória.
2. Ao contemplarmos o Cristo glorificado, chegamos à conclusão de que,
precisamos abraçá-lo como todas as nossas forças, vivendo somente para Ele. Hoje
somos representantes do Senhor na terra, somos a sua voz, as suas mãos, os seus
pés, etc., para realizarmos as suas obras, Jo 14:12, "Em verdade, em verdade vos
digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores
fará, porque eu vou para junto do Pai".
3. Não crente: O que você pensa do Jesus glorificado? Ou você se coloca ao lado
dele, ou você será pisado pelos seus pés, semelhantes ao bronze polido. Ou você
se coloca ao lado dele, ou você ouvirá o duro Juízo que sairá de sua boca.
Lindemberg Ferreira da Silva