A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO
Apocalípse 1
INTRODUÇÃO:
1. Como temos visto, o Livro de Apocalipse, é o livro das visões de João, o
apóstolo, quando este esteve preso e exilado na Ilha de Patmos, por causa da
Palavra de Deus e do seu amor a Jesus. Patmos era uma pequena ilha no Mar Egeu,
para onde eram encaminhados os prisioneiros mais perigosos na época do Império
Romano. Podemos perceber como os pregadores da Palavra de Deus no primeiro
século eram tratados, uma vez que eram considerados como os piores criminosos.
2. No capítulo 1 do livro, João está descrevendo sua primeira visão na ilha.
Nesta visão ele pode contemplar o Senhor Jesus em toda a sua manifestação de
glória. Ele nos traz uma das mais lindas descrições do Filho de Deus nos céus,
aquele que foi morto, mas ressuscitou e hoje esta à destra de Deus, vivendo
sempre a interceder pela sua Igreja, Rm 8:34, "Quem os condenará? É Cristo Jesus
quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também
intercede por nós".
3. Já vimos alguns pontos nesta visão: Suas vestes compridas, simbolizando sua
glória; seu cinto de ouro sobre o peito que tem como símbolo seu poder para
julgar; sua cabeça branca, simbolizando sua eternidade; seus olhos de fogo, seu
poder de penetrar todas as coisas, nada ficando escondido de sua presença.
"QUEREMOS VER NESTA NOITE, MAIS ALGUNS ASPECTOS DA APARÊNCIA DE CRISTO EM SUA
GLÓRIA":
V - SEUS PÉS SEMELHANTE AO BRONZE POLIDO
Vs. 15, "os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa
fornalha; a voz, como voz de muitas águas".
1. Embora o Filho do Homem glorificado, estivesse vestido com uma roupa
comprida, seus pés não estavam cobertos, porém visíveis como o bronze reluzente,
(brilhante).
a. A expressão "bronze polido", vem do termo grego "calkolibanov" calkolibanos (calkos=bronze;
laban=embranquecer), referência a "algum metal como ouro, se não mais precioso"
(Bíblia Online SBB). Seus pés, estavam descalços, assim como ficavam descalços
os pés dos sacerdotes durante a ministração perante o Senhor em Israel.
b. O brilho de seus pés resplandecia como o fino bronze incandescente numa
fornalha, debaixo de uma alta temperatura. A idéia aqui é de um latão branco,
grandemente aquecido até se tornar brilhante ao extremo e intolerável à vista
humana.
2. O latão, ou bronze, simboliza algumas coisas na Palavra de Deus:
b. Simboliza poder e perseverança:
- Zc 6.1, "Outra vez, levantei os olhos e vi, e eis que quatro carros saíam
dentre dois montes, e estes montes eram de bronze". Pense na pujança, na
magnificência desses montes altos brilhando em função do bronze, matéria com a
qual foram construídos. É assim que Satanás, e nossos inimigos nos vêem. Somos
aos seus olhos "montes de bronze".
- Ml 4.13, Levanta-te e debulha, ó filha de Sião, porque farei de ferro o teu
chifre e de bronze, as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos, e o seu ganho
será dedicado ao SENHOR, e os seus bens, ao Senhor de toda a terra". As unhas de
bronze, nesta passagem das Escrituras, demonstram o poder de guerra de Israel
para esmagar as nações inimigas. Notem que este poder de guerra não é nato da
nação, mas sim dado pelo Senhor. É o Senhor quem nos capacita para a Batalha,
quando nos defrontamos com os nossos inimigos. É o Senhor quem peleja por nós,
Êx 14:14, "O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis".
b. Simboliza a firmeza do Juízo divino, como visto no altar de bronze e na
serpente:
- Êx 27.1-7, "1 Farás também o altar de madeira de acácia; de cinco côvados será
o seu comprimento, e de cinco, a largura (será quadrado o altar), e de três
côvados, a altura. 2 Dos quatro cantos farás levantar-se quatro chifres, os
quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze. 3 Far-lhe-ás
também recipientes para recolher a sua cinza, e pás, e bacias, e garfos, e
braseiros; todos esses utensílios farás de bronze. 4 Far-lhe-ás também uma
grelha de bronze em forma de rede, à qual farás quatro argolas de metal nos seus
quatro cantos, 5 e as porás dentro do rebordo do altar para baixo, de maneira
que a rede chegue até ao meio do altar. 6 Farás também varais para o altar,
varais de madeira de acácia, e os cobrirás de bronze". Devemos pensar que o
altar era o lugar onde acontecia os sacrifícios, e conseqüentemente o lugar onde
os pecados eram expiados, perdoados. Era ali que a ira de Deus contra o pecado
era aplacada, acalmada. Um fato interessante sobre o altar estava nos quatro
chifres, que servia de proteção a uma pessoa fugitiva que ficava em segurança
quando corria e se agarrava a eles.
- Nm 21.8-9, "8 Disse o SENHOR a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na
sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá. 9 Fez Moisés uma
serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma
serpente, se olhava para a de bronze, sarava". O contexto desta passagem esboça
a realidade da mortandade que estava ocorrendo no meio do povo de Deus em razão
de sua desobediência, por reclamar do alimento servido por Deus (Maná),
chamando-o de "pão vil" (v. 5), considerando como melhores as comidas que comiam
como escravos no Egito. Deus então, mandou para o acampamento "serpentes
venenosas", que picavam e espalhavam a morte no meio do povo. A "serpente de
bronze", construída pela ordem de Deus, era o alívio, o escape, pois quem fosse
picado por uma serpente venenosa só escapava da morte quando olhasse para ela.
Esta "serpente de bronze", prefigurava Cristo, quando foi erguido no Monte
Calvário, sendo a salvação para aqueles que olhassem para ele, João 3:14, "E do
modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do
Homem seja levantado".
3. Outrora, os pés de Jesus palmilhavam as ruas de Jerusalém, em tarefas de
misericórdia, os quais Maria lavou com sua lágrimas, e que os homens cruéis
cravaram no Calvário. Estes pés, são agora os pés do vingador ao vir para pisar
seus inimigos, Ap 14.19-20, "19 Então, o anjo passou a sua foice na terra, e
vindimou a videira da terra, e lançou-a no grande lagar da cólera de Deus. 20 E
o lagar foi pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até aos freios dos
cavalos, numa extensão de mil e seiscentos estádios". Temos aqui a figura do
lagar que era uma "Espécie de tanque grande, geralmente cavado em rocha, no qual
vários homens, com os pés descalços, pisavam as uvas para extrair delas o suco
usado para fazer vinho", Ne 13.15 (Bíblia Online SBB). Da mesma forma que a uvas
eram pisadas pelos homens, nesta passagem vemos Jesus pisando os ímpios em sua
ira de julgamento.
4. Sim, os pés de Jesus como "latão reluzente", "bronze polido", nos mostram o
seu poder contra os inimigos, a ao mesmo tempo o se juízo que sobrevirá contra
aqueles que o rejeitaram.
VI - SUA VOZ E SUA BOCA
Vs. 10, 12, 15, 16, "10 Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por
detrás de mim, grande voz, como de trombeta, 12 Voltei-me para ver quem falava
comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro 15 os pés, semelhantes ao bronze
polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. 16
Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois
gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força". Dois pontos são
importantes para serem destacados aqui:
1. A "voz". A boca é o instrumento de saída da voz. O Apocalipse é o livro da
"voz", cuja palavra, João usa por cerca de 50 vezes. A "voz" que João ouviu
corresponde à voz do Ancião de Dias, descrito no Livro de Daniel, Dn 10.6, "o
seu corpo era como o berilo, o seu rosto, como um relâmpago, os seus olhos, como
tochas de fogo, os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a
voz das suas palavras era como o estrondo de muita gente".
a. "Voz como de Trombeta". "A trombeta fala de "ruído" e "poder", anunciando
acontecimentos prodigiosos que sucederão ... era usada para alertar os exércitos
romanos, colocando-os em estado de prontidão militar" (Novo Testamento
Interpretado - Champlin). As trombetas anunciavam para os israelitas eventos
como "Dia da Expiação", Lv 29.9; "empreendimentos militares", Jz 3.27, 7.18;
"posse de novo rei", 1 Rs 1.34, 2 Rs 9.13; "festividades religiosas", Sl 81.3;
etc. Usava-se trombetas para que o povo escutasse seu som e pelo tipo de toque
pudesse saber o que estava acontecendo. A segunda vida de Cristo será
incrementada com um forte toque de trombeta, 1 Ts 4.16, "Porquanto o Senhor
mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a
trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão
primeiro". Aqui em apocalipse, a voz de Cristo pela sua clareza, assemelha-se ao
toque forte de uma trombeta.
b. "Voz como de muitas águas". O termo original "udwr" - hudor nos sugere que
barulho produzido por estas "muitas águas", é semelhante ao barulho de uma
grande cachoeira ou das ondas do mar quando agitadas. Normalmente nos chamados
livros "apocalípticos", "águas", são símbolo de nações enraivecidas e
turbulentas, Ap 17.15, "Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está
assentada, são povos, multidões, nações e línguas". Quando Cristo aparecer no
Juízo Final, sua voz clara, distinta e autoritária, abrangerá toda a terra, não
ficando nenhuma nação sem ouvi-la. Ninguém poderá resistir ao poder sobrepujante
de sua expressão. O salmista nos mostra que a terra se derreterá, quando Senhor
proferir sua voz, Sl 46.6, "Bramam nações, reinos se abalam; ele faz ouvir a sua
voz, e a terra se dissolve".
c. Quando Cristo andou na terra, sua voz se fazia ouvir através de seus ensinos
com autoridade e homem nenhum falou como Ele, como nos descreveu João em seu
evangelho: Jo 7.46, "Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem".
Porém algum tempo depois sua voz foi ouvida pela última vez, como um forte brado
no momento cruciante na cruz no Calvário, Mc 15.37, "Mas Jesus, dando um grande
brado, expirou". É verdade que na cruz os inimigos do Senhor silenciaram sua
voz, por meio de sua morte física. Porém, agora é diferente. Sua voz é poderosa
e silencia todas as vozes dos poderosos da terra.
2. A "espada de dois cortes que saia de sua boca". Pode ser identificada aqui
com a Espada do Espírito, que é a infalível Palavra de Deus. Vejamos alguns
textos:
a. Ap 2.12, "Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que
tem a espada afiada de dois gumes".
b. Ef 6.17, "Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a
palavra de Deus".
c. Hb 4.12, "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que
qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e
espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos
do coração".
d. A expressão "espada de dois gumes", ou "espada do Espírito", que ocorre nos
textos lidos, nos dá a idéia de um instrumento que possui corte em dois lados,
como um punhal. Ela alude ao alto poder de penetração que possui a Palavra de
Deus. É por esta razão que no texto de Hebreus, temos a verdade de que a
"Palavra Viva", penetra até as entranhas do homem (divisão entre alma e
espírito, juntas e medulas), fazendo vir à tona até os mais profundos
pensamentos e intenções do coração.
5. A Palavra que a voz proclama, será a base do juízo e da sentença divina
quando Cristo aparecer para julgar a terra, Is 11.4, "mas julgará com justiça os
pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a
vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso". Nem mesmo
Satanás, na figura do Anticristo, escapará do sopro da boca de Cristo, 2 Ts 2:8:
"então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o
sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda". Como espada de
dois cortes, a Palavra de Deus, salva, ou mata. É poderosa para disciplinar, ou
destruir.
Conclusão:
1. Não resta dúvida. O Cristo apocalipco, tem muito a nos dizer em sua
manifestação de glória a João. Tantos seus pés como "latão reluzente", com a sua
"voz", nos trazem aspectos de sua personalidade e de seu tratamento com o homem.
O ímpio estará provando seu poder e será pisado no lagar de sua ira.
2. Para escapar ao juízo de Jesus, o pecador deve crer na Palavra de Deus,
reconhecendo seu estado pecaminoso, Jo 3.17-18, "17 Porquanto Deus enviou o seu
Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo
por ele. 18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,
porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus".
José Antônio Corrêa