O TEMPO DE DEUS
Ageu 1.1-11
INTRODUÇÃO
Uma das coisas mais surpreendentes da Bíblia é a sua contemporaneidade. A
Palavra de Deus é viva e eficaz. Ela traz sempre uma mensagem ao nosso coração.
Os profetas menores então, que de menor não tem nada, são extremamente
contemporâneos, ou seja, são atuais, são dos nossos dias, falam das coisas que
todos nós vivemos, fazem da nossa vida da nossa crise, etc. Particularmente o
profeta Ageu é uma contemporaneidade marcante.
EXPLICAÇÃO
Ou seja, os problemas do tempo de Ageu são os nossos problemas, as suas crises
são as crises dos nossos dias e vai por aí à fora. Judá vivia a crise de
lide-rança, que fatalmente estava afetando o povo de todo. Os versos 1-11 nos
falam do tempo de Deus e do tempo do homem. E dificilmente o tempo do homem está
de acordo ou em sintonia com o tempo de Deus. Podemos dizer que a desgraça de
Israel começou quando pediu a Samuel um rei, ou seja, estavam declaradamente
rejeitando a teocracia, optando pela monarquia. Muito mais do que a simples
mudança de governo, o povo queria se livrar de Deus. (Atos 13:21). Saul reina
por 40 anos também. I Rs 2:11. Salomão também reinou por 40 anos - I Rs 11:l42.
Foram 120 anos de reino unido, com um poder central.
O desastre tem início com o filho de Salomão, Roboão. Ao invés de ouvir o
conselho dos anciãos (I Rs 12.7) preferiu acatar o conselho dos jovens (I
Rs12.14). A partir daí o reino se dividiu. As tribos do norte seguiram Jeroboão,
o líder das reivindicações nortistas (I Rs 12.160. O reino do sul passou a ser
chamado de Judá, a parte fiel a Roboão.
O reino do norte, Israel, já nasceu debaixo da idolatria (I Rs 12.27-32). Em 722
AC. veio o fim de Israel, diante da Assíria (II Rs 17). A destruição de Judá foi
mais lenta. Em 605 a derrota começou diante da Babilônia, Quando o rei Jeoaquim
foi vencido pelos caldeus (II Cr 36.7).
Em, 597, Jeoaquim foi vencido por Nabucodozor (II Cr 36.10). Em 587, Zedequias,
um rei fantoche, foi colocado no trono. Ele Quis ser realmente rei, aí foi o
fim. Jerusalém foi arrasada, o Templo saqueado e destruído (II Cr 36.11-20). O
povo foi cativo para Babil6onia e lá permaneceu 70 anos. Contudo, houve retorno
para Judá. Babilônia sucumbiu diante do império Persa. Conforme Daniel5. Ciro, o
rei Persa, ordenou o retorno dos judeus para a terra santa. Assim, em 537
Zorobabel conduziu 50 mil judeus para Jerusalém. 536 a.C. Inicia-se a
reconstrução do templo, mas a obra é suspensa. Por 15 anos a obra ficou parada.
Em 520 surge Ageu. Por isso é que ele é o profeta pró-construção.
TEMA: Enquanto há tempo, viva o tempo de Deus.
1º) O povo vivia povo vivia o tempo da indiferença em relação aos valores do
Reino. V.2.
A indignação de Deus era tão grande que Ele diz “Este povo”, em vez de “meu
povo, era uma clara repreensão.
Vocês sabem o significado da palavra “indiferença”? Desinteresse; desdém;
inteligência; apatia; insensibilidade moral; inconsciência doentia; inércia.
O verso 2 nos diz que o povo se dava ao tempo cujo tempo não havia tempo para o
tempo de Deus.
A missão de Ageu é encorajar a liderança e o povo para a reconstrução do Templo.
Ele é o profeta pró- construção. O povo tinha até consciência de que o templo
estava em ruínas, mas reconstruir, isso não, não era chagado ainda o tempo. Era
muito cedo para se pensar nisso. Ageu foi chamado para falar acerca do templo.
Deus estava desgostado por causa da negligência para o templo, por parte do
povo. O povo era de Deus mas não estava preocupado com Deus e muito menos com a
casa de Deus.
Ageu é a voz de Deus falando ao povo acerca da necessidade de refletir a
respeito das coisas de Deus.
O verso 2 nos diz que o povo se dava ao tempo cujo tempo não havia tempo para o
tempo de Deus.
2o.) O povo vivia o tempo do egoísmo declarado - vs. 4,9
Repetindo, o povo era de Deus, mas a sua preocupação era puramente pessoal.
Muitas vezes nós fazemos a afirmação de dedicação, de consagração e de amor a
Deus e cuidamos tão somente da nossa própria vida. Este povo foi o povo que deu
tudo o que possuía para construção do primeiro Templo, o de Salomão, conforme I
Crônicas 29.
O povo retornado lançou-se numa inquietante busca pelos seus próprios
interesses, abandonando, assim, as coisas do Senhor, principalmente a
reconstrução do Templo.
Ageu critica o egoísmo do povo em detrimento à Casa do Senhor que estava em
ruínas. Os versos nos alertam para o perigo do egoísmo.
A expressão do verso 4 “casas apaineladas” significa casas forradas com lambris
de cedro, madeira importada. Assim para a casa dos adoradores, material
importado, de primeira qualidade. Para a Casa do Senhor, absolutamente nada. Um
templo sem teto. Primeiro a minha, segundo a minha, terceiro a minha, depois,
depois a casa de Deus.
Billy Graham cita em um dos seus livros que no seu país, cunha-se nas moedas a
inscrição “in God we trust” ( nós confiamos em Deus), mas nos corações o povo
escreve “me first”( eu primeiro).
Esse não é o nosso tempo também? Primeiro a minha vida, mais tarde a de Deus. Os
meus negócios primeiro depois os de Deus.
Numa analogia com o nosso país, a coisa não é diferente. O governo cuida de sua
ostentação pessoa; em detrimento dos miseráveis, dos brasileiros coisificados,
dos abandonados, etc.
O egoísmo de alguns poucos que dominam o país redunda cada vez mais no caos da
nação.
3o.) O povo vivia o tempo do esquecimento de Deus - vs. 6,9.
A crise que havia se instalado era decorrência do esquecimento de Deus. A cri-se
econômica, social e política, era resultado do abandono do templo.
Irmãos e irmãs, por trás do mero abandono do Templo, estava a falência
espiritual do povo. A indiferença e o egoísmo eram apenas resultado do
esquecimento de Deus.
Ilust.: A crise brasileira tem muito haver com a situação espiritual do nosso
povo. Somos o país dos 300 mil terreiros de macumba. Somos o pais dos milhões de
espíritas, etc.
A experiência de Jeremias é a mesma - 2.32;18.15-17.
Já temos inclusive os teólogos da morte de Deus.
4o.) Finalmente Ageu desafia o povo a viver o tempo de Deus.
A parte central da mensagem é esta subir aos montes e trazer madeira para
construção do templo. Era o desafio ao trabalho. Era o desafio a prioridade do
Reino de Deus. Era o desafio à dedicação, à consagração, etc.
Não há referência ao arrependimento, porém pela obediência o povo estaria
voltando as costas para a apatia e a indiferença. Provando seu arrependimento
pala ação.
Marcos Azevedo