QUE PESSOAS NOS CONVÉM SER?
2 Pedro 3.1-18
1. Depois de abordar sobre o verdadeiro conhecimento em contraste com o falso, e
sobre os falsos mestres, Pedro passa a abordar sobre a “Parousia” (a Segunda
vinda de Cristo) e sobre como devemos nos comportar diante desse fato.
2. Dessa maneira, Pedro está novamente falando contra os hereges gnósticos,
apontando um de seus erros doutrinários centrais: a negação da Segunda vinda de
Cristo, e, também, encorajando os seus leitores cristãos, despertando-lhes o
ânimo sincero. Vamos dividir este capítulo em três partes também, a exemplo do
capítulo anterior.
I. A NEGAÇÃO DE SUA VINDA.
3:1-4
1. Nos quatro primeiros versículos deste capítulo, Pedro fala sobre as pessoas
que negavam a vinda de Cristo.
2. No v. 4 ele expõe o argumento utilizado pelos hereges de sua época para
defenderem sua tese. Eles usavam o argumento de que ano se sucedia a ano e nada
de novo acontecia, desde a antiguidade, e, se assim era, por que essas coisas
extraordinárias apregoadas pelos cristãos, como a segunda vinda de Cristo, da
maneira como ela é apresentada, haveriam de acontecer?
3. Pedro diz que estes homens, que assim pensavam e apregoavam, não eram mais
que escarnecedores que andavam segundo suas próprias concupiscências.
4. Hoje também existem muitos que negam a Segunda vinda de Cristo e tudo o mais
relacionado a ela. Tomemos cuidado também, para não perdermos de vista a
esperança da volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
II. A CERTEZA DE SUA VINDA.
3:5-10
1. Pedro passa a mostrar algumas coisas que aqueles hereges estavam ignorando:
a. Deus, pela Sua Palavra trouxe à existência, desde a antiguidade, os céus e a
Terra. A Terra foi tirada da água e no meio da água subsiste, diz o v. 5. Há
alguma considerações que já foram feitas por homens estudiosos sobre este
versículo, mas, para nós, interessa aqui a demonstração do poder de Deus (Leia
Gênesis 1). Aqueles escarnecedores estavam ignorando o poder que Deus tem de
levar a cabo todos os seus projetos.
b. Eles ignoravam também o fato de Deus ter anunciado e ter destruído o mundo
antigo, pelas águas do dilúvio.
2. Isso, e outras coisas mais, eles ignoravam voluntariamente, deliberadamente,
porque eles bem sabiam sobre estas coisas.
3. Após falar sobre a destruição do mundo antigo pelo dilúvio, Pedro diz que
haverá outra destruição, de uma maneira diferente: pelo fogo. “A mesma Palavra
que criou a criação original e a levou à destruição no dilúvio e estabeleceu uma
nova ordem de coisas após o dilúvio, levará essa nova ordem a juízo, bem como os
homens ímpios”.[1]
4. Alguns tinham, e têm, essas promessas como tardias. Mas elas não são tardias;
elas ainda não se cumpriram porque estamos sob a longanimidade de Deus, e,
ademais, para Deus um dia é como mil anos, e mil anos como um dia, isto é, para
Deus não existe “tempo”, o tempo é “relativo”.
5. “Mas o dia do Senhor virá”, diz Pedro. E virá da mesma maneira como vem o
ladrão de noite, ou seja, inesperadamente, repentinamente. E então, “os céus
passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a Terra e
as obras que nela há, se queimarão”.
6. A vinda de Jesus, com tudo o que a acompanha, é certa, creiam os homens, ou
não.
III. VIVENDO PARA A SUA VINDA.
3:11-18
1. Pedro passa agora a fazer uma aplicação ética da doutrina da Segunda vinda de
Cristo.
2. Nos vs. 11 e 12 temos uma boa pergunta: Que pessoas nos convém ser?
3. Antes de dar a resposta, Pedro faz uma observação: “Mas nós, segundo a Sua
promessa, aguardamos novos céus e nova Terra em que habita a justiça”, e depois
responde:
a. Devemos procurar que dele sejamos achados imaculados, irrepreensíveis e em
paz – Com isso, Pedro conclama seus leitores a agirem de modo diferente dos
gnósticos. O crente não pode caracterizar-se por uma vida maculada moralmente, e
nem se tornar repreensível, isto é, dar razão para condenações justas. E deve
também procurar viver em paz (quando estiver nele).
b. Devemos nos lembrar que fomos alcançados pela longanimidade do Senhor, e por
isso somos salvo – Pode estar em foco aqui, também, a exortação a que sejamos
diligentes na evangelização, considerando o tempo de espera como uma
oportunidade para que outros sejam salvos. Paulo também ensinava assim.
c. Devemos nos cuidar contra o engano de homens abomináveis, para não cairmos de
nossa firmeza.
d. Devemos crescer na graça e conhecimento de Nosso senhor e Salvador Jesus
Cristo.
4. Que pessoas nós devemos ser? Pessoas espirituais, cuja pátria está nos céus,
e que hajam de conformidade com esse fato.
5. Pedro termina, então, essa carta, com uma doxologia: “A Ele seja dada a
glória, assim agora, como no dia da eternidade”.
6. Até nessa doxologia, no final da carta, Pedro mostra a transcendência de Deus
sobre tudo, inclusive o tempo. Ele fala de DIA da eternidade, ou dia eterno.
Agostinho assim se expressou: “Trata-se de um dia, mas de um dia eterno, sem
ontem que o anteceda, e sem amanhã que o siga; não será produzido pelo sol
natural, que então não mais existirá, e, sim, por Cristo, o Sol da Justiça”[2]
7. A esse Deus transcendente devemos dar glória através de nossos louvores, e,
mui especialmente, através de nossa vida.
CONCLUSÃO
1. Para concluir esse estudo, quero apenas relembrar algumas coisas que
estudamos:
a. Essa carta de Pedro foi escrita para combater heresias que proliferavam na
época, propagadas pelos gnósticos.
b. Pedro se identificou como douloz (doulos = servo, ou, literalmente, escravo),
alguém que não tem vontade própria independente da vontade de seu senhor.
c. Pedro também se identificou como Apóstolo, o que mostra a autoridade de suas
palavras.
d. Os destinatários eram todos que haviam alcançado fé igualmente preciosa.
e. Pedro destaca, no capítulo 1, o verdadeiro conhecimento. Em contraste com o
ensinamento dos gnósticos, Pedro diz que o verdadeiro conhecimento gera
transformação. Leia o v. 4. Esse v. fala sobre o sermos participantes da
natureza divina. Leia também estes outros textos: Romanos 8:29; II Coríntios
3:18; Efésios 3:14 e 19b. Se, de alguma maneira, Deus nos torna participantes de
Sua natureza, temos que agir segundo essa natureza. Agora leia os vs. 5-9.
f. No capítulo 2, Pedro fala sobre os falsos mestres. Estes, sempre existiram, e
sempre existirão; sempre foram e sempre serão seguidos por muitos; e, também,
estes já têm a sua perdição decretada por Deus. Os falsos mestres se ocupam de
introduzir, sutilmente, heresias de perdição, de negar o Senhor Jesus Cristo, e
outras coisa mais. Em 2:10-19, Pedro faz uma descrição deles. Eram, e são,
verdadeiras pragas, os falsos mestres.
g. No capítulo 3, Pedro fala sobre a Segunda vinda de Cristo. Os hereges negavam
isso com argumentos absurdos, mas Pedro mostra que a vinda do Senhor é certa, e,
por isso, nós que esperamos essa vinda, temos que procura viver uma vida
imaculada, irrepreensível e em paz. Temos que nos guardar contra esses homens
abomináveis, e procurar crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo. (Leia todo o capítulo 3).
2. Amados irmãos, terminamos aqui o nosso estudo sobre essa carta que tem
preciosas lições e preciosos alertas para nós. Espero que todos tenhamos
aproveitado bastante desses estudos. Que Deus vos abençoe a todos!
Walmir Vigo Gonçalves
[1] CHAMPLIN, R. N. – “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo” –
Vol. 6: Tiago- Apocalipse. 10ª reimpressão, São Paulo, Editora Candeia, 1998.
Comentário extraído da p. 207.
[2] AGOSTINHO, citado por R. N. Champlin, em “O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo” – Vol. 6: Tiago-Apocalipse. 10ª reimpressão. São Paulo,
Editora Candeia, 1998. Comentário extraído da p. 214.