A SUSTENTÁVEL LEVEZA DO VIVER CRISTÃO
2 Coríntios 2:14
Bem mais diferente do que a maioria da população em geral possa imaginar, ser um
cristão verdadeiro é possível, é leve e agradável. Embora a figura de que ser
crente significa para muitos a renúncia de prazeres valorizados pela sociedade
moderna, renúncia pessoal e material, servidão, extrema humildade e em alguns
casos descrédito, tudo isto não passa de um estereótipo.
A vida cristã significa, pela própria concepção da palavra, uma vida que se
encontrou verdadeiramente com Cristo. E quem se encontra com Ele torna-se uma
pessoa diferente. Para melhor. O convite que Jesus faz a todos é o seguinte:
"venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos
aliviarei... pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve", Mt 11: 28, 30. É um
convite acompanhado de uma promessa - venham, que eu vos aliviarei.
É um convite sugestivo - a troca de um jugo insuportável, uma vida
sobrecarregada, sem significado, oprimida, por uma proposta suave e leve.
Portanto, aquela pessoa que tem um encontro com Cristo passa a ter uma vida
diferente. Assim o é, pois a Palavra de Deus afirma que "aquele que tem o filho
tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida", I Jo 5:12.
A vida cristã também abrange a liberdade em seu amplo sentido. Sentimento de
libertação do temor da morte e do que vem depois dela, sentimento de paz e de
bem-estar com Deus, sentimento de proximidade de Deus, sentimento de perdão de
pecados e eliminação do senso de culpa, são algumas manifestações da vida cristã
em uma pessoa convertida.
Quem segue o verdadeiro cristianismo manifesta características inconfundíveis de
alguém que teve um encontro pessoal com Cristo.
Vejamos algumas destas características encontradas em II Co 2:14: "Graças,
porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e, por meio de nós,
manifesta em todo o lugar a fragrância de seu conhecimento".
A primeira: otimismo indestrutível. Graças, porém a Deus. A gratidão a Deus é
uma marca inconfundível do cristianismo radical. Mesmo em meio a privações,
provações, dificuldades e necessidades o cristão manifesta sua gratidão a Deus.
É a certeza da proximidade do triunfo. Os cristãos mencionados no livro de Atos
dos apóstolos são a prova dessa realidade. Em meio a riscos de vida e
perspectiva desanimadora Paulo e Silas, ao serem lançados no cárcere interior da
cadeia de Filipos, tendo as costas em carne viva, sangrando, com os pés presos a
troncos, com um futuro incerto, não sabendo o que lhes estaria destinado na
manhã seguinte, irromperam em cânticos - um indestrutível otimismo e ação de
graças.
A segunda característica está intimamente relacionada à primeira - sucesso
constante. Paulo diz: " Cristo sempre nos conduz em triunfo" . Não em certas
ocasiões, nem vez por outra, mas sempre. Após a prisão no cárcere de Filipos o
triunfo em meio aquela situação veio em seguida - um terremoto abalou as
estruturas do cárcere e todas as portas e grilhões foram destruídos. E Paulo
acrescenta em sua carta aos filipenses, que as coisas que lhe aconteceram era
para o progresso do evangelho (Fp 1:12). E realmente era. Quando preso em Roma,
certa feita, acorrentado dia e noite a um membro da guarda imperial de César,
transmitia àqueles soldados romanos as "inescrutáveis riquezas de Cristo". E a
conseqüência era que todos aqueles moços estavam sendo levados ao conhecimento
de Cristo, um a um. Em Fp 4: 22 encontramos: "todos os santos vos saúdam,
especialmente os da casa de César". O triunfo, é portanto, outra característica
inconfundível do cristianismo autêntico.
A terceira marca distinta de que a vida cristã é leve e suave é que ela causa um
impacto inesquecível: "...e, por meio de nós, Deus manifesta em todo o lugar a
fragrância do conhecimento de Cristo". Aqui está um dos mais belos símbolos
pelos quais Deus ensina a verdade. É a fragrância, o perfume.
A vida que refletir essa característica impulsionará as pessoas ao redor ao
questionamento e causará um forte impacto. Quem não percebe a entrada em um
recinto de alguém perfumado? Chama a atenção e causa impacto. Da mesma maneira a
vida cristã autêntica deve refletir essa característica.
Outra marca distinta de um cristianismo genuíno e não estereotipado é uma
integridade irrefutável. "Porque nós não estamos, como tantos outros,
mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de
Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus", (II Co 2:17). Diz respeito a
pessoas sinceras, que falam da parte do próprio Deus, e na presença do próprio
Deus. O verdadeiro cristão se apresenta como uma pessoa sincera, objetiva,
honesta, digna de confiança, responsável e fiel.
Mas, "quem porém, é suficiente para coisas desse tipo?" (II Co 2:16). Na
verdade, qual o cristão que possui a real capacidade de manifestar sempre um
espírito alegre e confiante... de sair sempre triunfando... de exercer forte
influência sobre outros... de ser totalmente digno de confiança... e de
demonstrar todas estas qualidades de tal forma que ninguém possa duvidar delas?
Paulo não nos deixa a procurar no escuro a resposta de sua penetrante pergunta.
Ele nos dá a resposta direta em II Co 3:4-6: "E é por intermédio de Cristo que
temos tal confiança em Deus; não que nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma
coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,
o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra,
mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica". Viver em tais
bases, afirma Paulo, é estar habilitado para ser ministro da nova aliança. Esta
nova aliança é aquela a que Jesus se referiu quando passou o cálice aos seus
discípulos, ao instituir a ceia do Senhor. "Isto é o meu sangue, o sangue da
aliança, derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados". O cálice,
quando tomado juntamente com o pão, deve relembrar-nos da verdade central de
nossa vida: Jesus morreu por nós, para que possa viver em nós. É sua vida em nós
que constitui o poder que nos capacita a viver a verdadeira vida cristã. Isto é
a Nova Aliança.
Para viver plenamente esta nova aliança o cristão precisa possuir fundamentos
espirituais seguros e sólidos que o levem à manifestação das características
vistas anteriormente. Vejamos alguns desses fundamentos.
Andar como ministros de Cristo. "Assim, pois, importa que os homens nos
considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus" (II
Co 4:1). Os cristãos precisam agir como gerentes e administradores dos mistérios
de Deus. Somente um conhecimento mais profundo das coisas de Deus pode habilitar
o cristão a agir como ministro e despenseiro dos mistérios divinos.
Apropriar-se da plenitude da situação de cristão. "Mas vós sois a geração
eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido..." I Pe 2:9.
Quando o cristão apropria-se destas verdades passa a viver de uma maneira mais
abençoada e próspera. Não confessará derrotas em sua vida nem dará lugar às
obras carnais, pois estará desempenhando um sacerdócio real diante de Deus, como
príncipe, como um escolhido, como parte do povo santo e adquirido. Alguém tão
especial no plano de Deus que não pode ser comparado a um "João-ninguém" .
A excelência do poder vem de Deus. "Temos, porém, este tesouro em vasos de
barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós..." (II Co 4:7).
Cada cristão deve comparar sua vida a um vaso de barro, frágil e que necessita
certo cuidado. No entanto, este vaso possui em seu interior algo muito valioso:
o poder de Deus.
Viver a vida cristã é, então, algo plausível, sustentável, leve e completamente
agradável. Basta que cada cristão desempenhe corretamente o seu papel -
manifestar a vida de Cristo em sua vida, andar como um ministro e despenseiro
das coisas de Deus e depender sempre do poder do Alto.
Não há lugar para estereótipos no reino de Deus.
"Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida"
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