Os Crimes do Apóstolo de Cristo
1 Timóteo 3.1-3, 7
A palavra de Deus é muito clara:
“Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra
deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher,
vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. Não dado ao vinho,
não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso,
não avarento. Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora,
para que não caia em afronta e no laço do diabo” (1 Tm 3. 1, 2, 3, 7; v. Tito
1.5-9).
Analisemos:
Episcopado - (do gr. episkopos, guarda, superintendente). “Sistema de governo
eclesiástico, onde a autoridade reside fundamentalmente na figura do bispo. Esta
forma de governo desenvolveu-se ao máximo na Igreja Romana, onde o sacerdote
reivindica a personificação do próprio Cristo” (Dicionário Teológico, Claudionor
C. de Andrade).
Irrepreensível – (Do gr. amemptos), incensurável, inculpável, livre de toda
acusação válida” (Dicionário VINE). Isto quer dizer que o bispo, pastor ou
apóstolo, pela integridade de seu caráter, estão acima de qualquer suspeita; não
podem ser censurados, repreendidos, acusados de desonestidade, mentira, ganância
e de outros pecados. O diabo não encontrará nesses homens íntegros qualquer
motivo para derrubá-los. Eles não dão lugar à repreensão ou censura. Dos
diáconos também é exigida a mesma conduta.
Vigilantes – Aquele que vigia. Zeloso, cuidadoso, atento. O homem de Deus deve
vigiar seus próprios atos em contínua reflexão:
- Estou cometendo algum ato desonesto ou sendo infiel à Palavra? Sou digno de
continuar pastoreando o rebanho do Senhor? Sou um bom exemplo? Estou
administrando bem os recursos financeiros da Casa do Senhor? O Senhor Jesus
adverte:
“E olhar por vós, para que não aconteça que o vosso coração se carregue de
glutonaria [luxo, suntuosidade, afetação] de embriaguez, e dos cuidados da vida,
e venha sobre vós de improviso aquele dia. Vigiai, pois, em todo o tempo,
orando, para que sejais havidos por dignos...” (Lc 21.34-36). “Vigiai e orai
para que não entreis em tentação” (Mc 14.38).
Sóbrio (gr sõphrõn) – Mente sã; controlado, com autodomínio, equilibrado; que
controla as paixões e desejos; capacitado para ser conformado à mente de Cristo.
Honesto (gr kalos) – Justo, correto, honrável, digno, decoroso, respeitável, de
conduta exemplar.
Cobiçoso (gr pleonektes) – Ávido de ter mais; amante do dinheiro.
Torpe ganância – Torpe: desonesto, nojento, repugnante, indecente. Ganância:
ganhar, obter lucro. “Torpe ganância”: obter lucro por meios desonestos e
fraudulentos. No caso, ficar rico com o dinheiro da Casa do Senhor.
Enfim, os que exercem cargos eclesiásticos devem ter uma vida exemplar em todos
os sentidos. Se se julgam incapazes de manter vida irrepreensível, não assumam
qualquer tipo de liderança.
Pastor, bispo ou apóstolo devem ter em mente que Igreja não é empresa comercial
e que dízimos e ofertas não se destinam a enriquecimento pessoal. A manipulação
de muito dinheiro requer domínio próprio. Administrando um milhão de reais por
mês ou apenas uma pequena quantia, o líder deve manter a mesma sobriedade e
equilíbrio.
Judas Iscariotes não teve esse domínio. Era ambicioso, de torpe ganância,
avarento, miserável, mesquinho. Achou que foi um desperdício o gasto feito por
Maria ao ungir os pés de Jesus com uma libra de ungüento e nardo puro. Ele não
compreendeu a espiritualidade do ato. E disse: “Por que não se vendeu este
ungüento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres?”.
“Ora, ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era
ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava” (Jo 12.6).
Deus chama de ladrão aquele que se apropria de valores que se destinam à
manutenção de Sua Igreja. Judas era o tesoureiro dos Doze. As moedas,
diariamente por ele manuseadas, aumentaram-lhe a cobiça.
“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males, e nessa cobiça
alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Tm
6.10).
Um abismo chama outro abismo. O apóstolo Judas Iscariotes queria mais dinheiro.
A campanha estava no fim; a missão de Jesus terminara. Que tal “vender” o
Mestre? Trinta moedas de prata foi o preço (Mt 26.14-16). Hoje, os crimes do
apóstolo Judas seriam de formação de quadrilha e corrupção passiva, dentre
outros.
Há muitos Judas em nosso meio. Não se fala mais em poucas moedas, mas em milhões
de dólares. Iscariotes era o apóstolo sanguessuga. Muitos, seguindo o exemplo do
traidor, vendem a própria alma e sentirão na carne o castigo divino.
Pr. Airton Evangelista da Costa , http://www.palavradaverdade.com/print2.php?codigo=2469