Outros Sermões 1 Pedro

Ser Pai é Ser... 5ª. Parte
1Pe 2.15-16

“É da vontade de Deus que a vida correta de vocês faça calar aqueles que insensatamente condenam o Evangelho sem saberem o que ele pode fazer por eles, pois nunca experimentaram o seu poder. Vocês estão livres da lei, porém isso não quer dizer que estão livres para fazer o mal. Vivam como aqueles que são livres para fazer somente à vontade de Deus em todas as ocasiões”. 1Pe 2.15-16

O Evangelho é maravilhoso! Deus nos alcança através do Seu Filho Jesus Cristo, nos apresenta uma nova proposta de vida e começa a nos educar. Ele nos ensina a arte de usar bem a liberdade.

Ele nos oferece conhecimento teórico, através de Sua Palavra e prático através do nosso dia-a-dia. Nós vamos adquirindo hábitos através do exercício pessoal.

MORAL
No conto “O enfermeiro” de Machado de Assis assistimos uma verdadeira batalha entre ética e o interesse: “...Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi à dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o.
Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei-o para chamá-lo à vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu.

“...Crime ou luta? Realmente, foi uma luta, em que eu, atacado, defendi-me, e na defesa... Foi uma luta desgraçada, uma fatalidade. Fixei-me nessa idéia. E balanceava os agravos, punha no ativo as pancadas, as injúrias... Não era culpa do coronel, bem o sabia, era da moléstia, que o tornava assim rabugento e até mau... Mas eu perdoava tudo, tudo... O pior foi à fatalidade daquela noite... Considerei também que o coronel não podia viver muito mais; estava por pouco; ele mesmo o sentia e dizia. Viveria quanto? Duas semanas, ou uma; pode ser até que menos. Já não era vida, era um molambo de vida, se isto mesmo se podia chamar ao padecer contínuo do pobre homem... E quem sabe mesmo se a luta e a morte não foram apenas coincidentes? Podia ser, era até o mais provável; não foi outra cousa. Fixei-me também nessa idéia... ·”.

“... Perto da vila apertou-se-me o coração, e quis recuar; mas dominei-me e fui. Receberam-me com parabéns. O vigário disse-me as disposições do testamento, os legados pios, e de caminho ia louvando a mansidão cristã e o zelo com que eu servira ao coronel, que, apesar de áspero e duro, soube ser grato.” “...Os anos foram andando, a memória tornou-se cinzenta e desmaiada. Penso às vezes no coronel, mas sem os terrores dos primeiros dias. Todos os médicos a quem contei as moléstias dele, foram acordes em que a morte era certa, e só se admiravam de ter resistido tanto tempo. Pode ser que eu, involuntariamente, exagerasse a descrição que então lhes fiz; mas a verdade é que ele devia morrer, ainda que não fosse aquela fatalidade...
Adeus, meu caro senhor. Se achar que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha: "Bem-aventurados os que possuem, porque eles serão consolados." (leia todo o conto – deixarei no Blog).

José Roberto Goldim diz: “A moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem-viver. A moral independente das fronteiras geográficas, garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum”.

Augusto Comte diz: “A moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas”.

Piaget diz: “Toda moral é um sistema de regras e a essência de toda a moralidade consiste no respeito que o indivíduo sente por tais regras”.

O dicionário Michaelis traz a seguinte definição: Favorável aos bons costumes. Que pertence ao domínio do espírito, da inteligência. Conjunto de preceitos ou regras para dirigir os atos humanos segundo a justiça e a equidade natural.

Em nosso cotidiano temos sentido a urgência de salientarmos e esclarecermos aos nossos filhos a temática da participação dos afetos na moralidade humana?

 momento se mostrarem melhores do que são, adultos que se vitimizam?

Parece que todos nós concordamos que em tempos atuais há uma inquietação por parte daqueles que educam sobre os valores que as crianças de hoje demonstram ter.

Nossos filhos têm desenvolvido a capacidade de sentir? Quando estão com raiva batem, xingam, ofendem? Quando forem adulto o que eles farão? Algumas semanas atrás houve a feira Pedagógica no colégio de meus filhos. Devido a um erro no roteiro, alguns adolescentes destruíram o auditório do colégio para expressar o que sentiam.

Augusto Cury diz que bons pais preparam os filhos para os aplausos, pais brilhantes preparam os filhos para os fracassos.

Nós teremos problemas no caminho. Outro dia conversava com a mãe de uma adolescente que saiu de casa. Após perder o perder o emprego, o marido também foi demitido e eles não souberam lidar com a situação.

Todos nós vamos enfrentar problemas a questão está em como lidar com eles.

Muitas vezes sentiremos o desejo de nos calar, ficar quieto em nosso canto, chorar tudo o que tiver vontade de chorar, sentiremos raiva, ficaremos decepcionados, mas a minha dor, o meu sofrimento, a minha frustração, não me dá o direito de agredir o meu próximo seja com palavras ou atitudes. O filho desta senhora ao ver o total desequilíbrio dos pais se envolveu com um grupo de emo, passou a beber e ficar horas trancado em um quarto na casa dos avós.

Temos assistido uma geração agressiva e violenta. Suas angústias, ansiedades, preocupações mal resolvidas tem revelado jovens e adolescentes desequilibrados.

Temos estimulado nossos filhos a pensar, sentir? Temos contribuído para a construção de virtudes como tolerância, solidariedade, perdão? Nossos filhos tem sido instigados a reconstruir suas ações e antecipar ações futuras? Nossos filhos tem sido instigados a escolher decisões que poderão torná-los mais responsáveis pelos acontecimentos?
No início deste ano meu filho Victor esperava a condução para voltar para casa, quando um colega veio por trás puxando sua perna e fazendo Victor cair por cima do muro do colégio que é feito daquelas grades que parecem lança. Ao cair uma daquelas pontas penetrou em sua axila. Na ocasião o médico nos informou que mais um pouco nosso filho teria ficado lá mesmo. Naquele dia recebi meu filho com a blusa cheia de sangue, a perfuração fez minhas pernas tremerem. Senti uma indignação tão grande! Levamos nosso filho ao hospital, ele foi devidamente atendido e ficou alguns dias de repouso. O médico alertou que alguns problemas poderiam surgir. Victor poderia ter problemas para mexer o braço.

Passado o susto fomos chamados ao colégio pela coordenadora que tinha que registrar o fato. Naquele momento suplicamos a Deus naquele por uma direção. Na outra ponta havia um adolescente que nós não conhecíamos, não sabíamos de sua estrutura familiar. E ao sentarmos para conversar com aquela coordenadora o Espírito de Deus nos levou a pedir a ela que antes de qualquer atitude o chamasse para uma conversa. Procurasse saber como era sua família e procurar conscientizá-lo do que poderia ter acontecido. Ela o chamou para uma conversa e fez um trabalho de conscientização com todo o colégio.

Quando Víctor retornou as aulas encontrou o menino corroído pela culpa. Seus colegas massificavam em sua cabeça o que ele havia feito. Ao se encontrarem ele disse ao Victor: “Por favor me perdoe, eu não tinha noção das coisas. Passei várias vezes em sua rua, parei em seu portão, mas não tive coragem de chamar. Eu quero demonstrar meu arrependimento.Durante este período eu copiei toda a matéria que você perdeu”.

Victor comentou que este menino nunca copiava a matéria e naquele momento meu filho viu um caderno extremamente organizado. O comportamento deste adolescente mudou porque ele foi conscientizado de seus atos. O problema precisava ser resolvido de tal forma que o fato não aconteça novamente. As perguntas feitas por aquela coordenadora ao adolescente promoveram ações mentais. Suas ações agora precisavam partir de escolhas.

Temos promovido a sensibilização dos sentimentos e a compreensão da vida, fazendo com que nossos filhos tenham atitudes conscientes de valorização de si mesmo e dos outros?

Nos dias atuais percebemos o homem insensível para consigo mesmo e para com a vida, acarretando a si mesmo problemas psicológicos. Nossos filhos têm desenvolvido a sensibilidade? Eles se compadecem com o sofrimento dos outros? Emocionam-se com a alegria do outro?

Temos trabalhado o senso moral e feito com que nossos filhos coloquem sua inteligência a serviço do bem? Nossos filhos têm se sensibilizado diante do próximo através da resolução de conflitos, da cooperação, de exercícios fraternos e da solidariedade? Nossas famílias, escolas, igrejas promovem práticas reais de vivência solidária, ao mesmo tempo em que exercita o conhecimento de si mesmo, como ser integral que somos?

Pedro diz: “Portanto, libertem-se dos seus sentimentos de ódio. Não se finjam de bons! Acabem com a falta de sinceridade e o ciúme, e parem de falar dos outros por trás. Se vocês já experimentaram a retidão e a bondade do Senhor clamem por mais, como um bebê que chora por leite. Comam a Palavra de Deus – leiam-na, pensem nela e cresçam fortes no Senhor”. 1Pe 2.1-3

“Tomem cuidado com o modo como vocês se comportam entre seus semelhantes não salvos; porque assim, mesmo que eles desconfiem e falem mal de vocês, acabarão louvando a Deus pelas boas palavras de vocês, quando Cristo voltar”. 1Pe 2.12

O nosso Deus nos deixou a Sua Palavra e nos presenteou com Seu próprio Espírito que deseja nos levar para objetivos definidos em nossas vidas. Que tomemos atitudes baseadas em nossa plena consciência, sabendo que não vivemos isolados ou apenas para nós mesmos, mas numa coletividade, numa sociedade organizada em que, se tem direitos, possui também deveres. A educação do nosso caráter gera responsabilidades. A educação moral gera seres sensibilizados, com sentimento no coração, que irão buscar o desenvolvimento da inteligência para o crescimento comum.

Educar é transformar e o Espírito de Deus deseja fazer isto em nossas vidas e na vida de nossos filhos. Educar é potencializar. É trabalhar tanto a inteligência quanto a moral, para que o homem saiba, através da moral, o que fazer da inteligência. Quando mergulhamos nos Evangelhos assistimos Jesus Cristo desenvolvendo toda esta capacidade e Deus diz lá no início de tudo: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Gn 1.26.

A lógica do nosso Deus é vencer pela força do amor, não pela violência e amor ao próximo, não destruí-los. Ele deseja que nossas palavras sejam fontes de bênção, palavras carregadas de vida e misericórdia, não xingamentos, palavras agressivas, devemos construir, não depredar.

A moral cristã é a própria vida de Cristo. Ele nos amou primeiro, Ele nos exorta a amar o próximo como Ele nos amou. O amor de Deus é um amor prévio, um amor criador, um amor que torna bom àquilo que ama. Deus não ama as coisas que existem, mas as coisas existem porque Deus as ama. Esse amor gratuito leva Deus a intervir na história dos homens. Um amor que nos faz viver de forma inteligente, de forma equilibrada. Pai, mãe, invista tempo na vida de seus filhos. Não abram mão daquilo que Deus tem reservado para eles. Que nossos filhos tenham um espírito ensinável, que sejam praticantes da Palavra. Que eles amem abençoar as pessoas e espalhar o Evangelho. Que tenham compaixão e compreensão por todos. Que eles sejam responsáveis e que gostem da responsabilidade. Que jamais o ódio encontre abrigo em seus corações e nunca andem na falta de perdão. Que eles aprendam a lançar todas as suas ansiedades no Senhor porque Ele cuida de nós. Que todos os pensamentos de nossos filhos sejam levados cativos à obediência de Jesus Cristo, destruindo fortalezas, anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Que eles andem no Espírito o tempo todo. Que eles não dêem lugar ao diabo. Que nenhuma arma forjada venha prosperar contra a vida de nossos filhos. Que eles escolham sempre crer no Senhor. Que nossos filhos se proponham a não transgredir com a sua boca. Que eles falem da justiça e do louvor ao Senhor todo o dia. Que nenhuma palavra torpe saia da boca de nossos filhos, apenas a que for boa para edificação do próximo. Que a instrução da bondade esteja em suas línguas. Que a misericórdia e compaixão estejam em seus ouvidos. Que nossos filhos sejam sempre um encorajador positivo. Que eles edifiquem, construam. E jamais destruam ou arrasem. Que sejam filhos obedientes e que nenhuma rebelião haja neles. Que usem o seu tempo com sabedoria. Que eles sejam abençoados em seus atos. Que nossos filhos façam as escolhas certas, de acordo com a Palavra de Deus. Em nome de Jesus Cristo o nosso Salvador e Senhor.



Regina Lolpes