O SANGUE DE CRISTO
1 Pedro 1:18-19
“sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes
resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos
pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e
incontaminado”. (1 Pedro 1:18-19 RC)
Centenas de vezes a Bíblia faz referência ao sangue de Cristo. Isso se dá devido
à importância que esse sangue derramado tem para nós.
Quando se fala no sangue de Cristo, mais que uma referência ao líquido vermelho
em si, a referência é ao sacrifício a que Jesus se entregou por nós. Esse fato
faz do sangue de Cristo derramado um sangue repleto de significados. Vejamos
alguns:
I. O Sangue de Cristo é o Preço da Nossa Redenção
Em Efésios 1.7 lemos: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão
das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7 RC)
O Dicionário Bíblico Almeida, em a Bíblia Online 2.01, diz sobre a redenção:
Libertação (Sl 111.9).
“Redenção enviou ao seu povo; ordenou o seu concerto para sempre; santo e
tremendo é o seu nome.” (Salmos 111:9 RC)
1) No AT, Deus, o REDENTOR, liberta o povo de situações de:
Cativeiro (Is 43.14) – “Assim diz o SENHOR, teu Redentor, o Santo de Israel:
Por amor de vós, enviei inimigos contra a Babilônia e a todos farei descer como
fugitivos, isto é, os caldeus, nos navios com que se vangloriavam.” (Isaías
43:14 RC)
Sofrimentos (Jr 14.8) – “Oh! Esperança de Israel, Redentor seu no tempo da
angústia! Por que serias como um estrangeiro na terra e como o viandante que se
retira a passar a noite?” (Jeremias 14:8 RC)
Morte (Jó 19.25) – “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se
levantará sobre a terra.” (Jó 19:25 RC)
Pecado (Is 44.22; 59.20) – “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os
teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi.” (Isaías 44:22
RC)
“E virá um Redentor a Sião e aos que se desviarem da transgressão em Jacó, diz o
SENHOR.” (Isaías 59:20 RC)
2) No NT, Deus, por meio do pagamento de um preço, isto é, a morte de Cristo na
cruz, compra para uma vida de nova liberdade a pessoa que era escrava do pecado
e da LEI (Mc 10.45; Rm 3.24; Gl 4.5; Ef 1.7).
“Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar
a sua vida em resgate de muitos.” (Marcos 10:45 RC)
“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo
Jesus,” (Romanos 3:24 RC)
“para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de
filhos.” (Gálatas 4:5 RC)
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça,” (Efésios 1:7 RC)
Essa redenção será completada no final dos tempos (Rm 8.21-23).
“na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da
corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que
toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só
ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós
mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Romanos
8:21-23 RC)
O pagamento de um resgate está implícito na idéia neotestamentária de redenção.
Esse resgate é o preço do nosso pecado, e foi pago a Deus, satisfazendo assim a
Sua justiça. Veja novamente o nosso texto inicial.
II. O Sangue de Cristo é a Base do Perdão
Falando sobre o ministério sacerdotal, o escritor de Hebreus, em 9.1-28,
fala que para haver remissão (perdão) de pecados é necessário o derramamento de
sangue, e que, no passado, o sangue de animais era derramado com essa
finalidade, mas agora temos, na Nova Aliança, um Sacerdote superior, e que este
ofereceu o seu próprio sangue como sacrifício que não precisa mais se repetir.
Apesar de longo, leia esse texto de Hebreus, que abaixo coloco na versão BLH:
“A primeira aliança tinha leis sobre a adoração e tinha também um santuário
construído por seres humanos, onde se adorava a Deus. Foi armada uma Tenda,
dividida em duas partes. Na parte da frente, chamada de Santo Lugar, ficavam o
candelabro e a mesa com os pães oferecidos a Deus. Atrás da segunda cortina
ficava a parte que era chamada de Santíssimo Lugar. Ali estava colocado o altar
de ouro onde era queimado o incenso, e também estava colocada a arca da aliança,
toda coberta de ouro. Dentro da arca estavam a vasilha de ouro com o maná, o
bordão sacerdotal de Arão, do qual tinham saído brotos, e as duas placas de
pedra com os mandamentos escritos nelas. Em cima da arca, representando a
Presença Divina, estavam os querubins, com as suas asas abertas sobre o lugar
onde os pecados eram perdoados. Mas agora não é o momento de explicar os
detalhes dessas coisas. Depois de tudo isso ter sido preparado, os sacerdotes
entram todos os dias na parte da frente da Tenda, que é o Santo Lugar, para
cumprirem os seus deveres religiosos. Mas somente o Grande Sacerdote entra na
parte de trás, que é o Santíssimo Lugar, e isso apenas uma vez por ano. Ele
oferece a Deus o sangue de animais, em favor de si mesmo e também pelos pecados
que o povo cometeu sem saber que estava pecando. Por meio disso tudo, o Espírito
Santo nos ensina, de modo bem claro, que a entrada para o Santíssimo Lugar ainda
não foi aberta enquanto a parte da frente, que é o Santo Lugar, continuar sendo
usada. Isso é um símbolo para hoje. Quer dizer que as ofertas e os sacrifícios
de animais oferecidos a Deus não são capazes de fazer com que o coração dos que
o adoram seja como deveria ser. Essas ofertas e sacrifícios têm a ver somente
com comida, com bebida e com várias cerimônias de purificação. São regras
externas que têm valor somente até que Deus renove todas as coisas. Mas Cristo
veio como o Grande Sacerdote das coisas boas que já estão aqui. A Tenda em que
ele serve é melhor e mais perfeita e não foi construída por seres humanos, isto
é, não é deste mundo. Quando Cristo veio e entrou, uma vez por todas, no
Santíssimo Lugar, ele não levou consigo sangue de bodes ou de bezerros para
oferecer como sacrifício. Pelo contrário, ele ofereceu o seu próprio sangue e
conseguiu para nós a salvação eterna. O sangue de bodes e de touros e as cinzas
da bezerra queimada são espalhados sobre as pessoas impuras, e elas ficam
purificadas por fora. Se isso é assim, imaginem então quanto maior ainda é o
poder do sangue de Cristo! Por meio do Espírito eterno ele se ofereceu a si
mesmo a Deus como sacrifício sem defeito. E o seu sangue nos purifica por
dentro, tirando as nossas culpas; assim podemos servir ao Deus vivo, pois já não
praticamos cerimônias que não valem nada. Portanto, é Cristo quem consegue fazer
uma nova aliança, para que os que foram chamados por Deus possam receber as
bênçãos eternas que o próprio Deus prometeu. Isso pode ser feito porque houve
uma morte que livrou as pessoas dos pecados que praticaram enquanto a primeira
aliança estava em vigor. Onde há um testamento, é necessário provar que a pessoa
que o fez já morreu. Pois o testamento não vale nada enquanto estiver vivo quem
o fez; só depois da morte dessa pessoa é que o testamento tem valor. É por isso
que a primeira aliança entrou em vigor somente com o uso do sangue de animais.
Em primeiro lugar, Moisés anunciou ao povo todos os mandamentos conforme estavam
na Lei. Depois pegou o sangue dos bezerros e dos bodes, misturou com água e
borrifou o Livro da Lei e todo o povo, usando lã tingida de vermelho e hissopo.
Então disse: "Este é o sangue que sela a aliança, que Deus mandou vocês
obedecerem." Da mesma forma Moisés também borrifou sangue sobre a Tenda e sobre
todos os objetos usados na adoração. De fato, de acordo com a Lei, quase tudo é
purificado com sangue. E, não havendo derramamento de sangue, não há perdão de
pecados. Essas coisas, que eram cópias das realidades celestiais, deviam ser
purificadas desse modo; mas as próprias coisas celestiais exigem sacrifícios bem
melhores. Cristo não entrou num Santo Lugar feito por seres humanos, que é a
cópia do verdadeiro Lugar. Ele entrou no próprio céu, onde agora aparece na
presença de Deus para pedir em nosso favor. O Grande Sacerdote entra, todos os
anos, no Santíssimo Lugar, levando consigo sangue de um animal. Porém Cristo não
entrou para se oferecer muitas vezes. Se fosse assim, ele teria de sofrer muitas
vezes desde a criação do mundo. Pelo contrário, uma vez por todas ele apareceu
agora, quando os tempos estão chegando ao fim, para tirar os pecados por meio do
sacrifício de si mesmo. Cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser
julgada por Deus. Assim também Cristo foi oferecido uma só vez em sacrifício,
para tirar os pecados de muitas pessoas. Depois ele aparecerá pela segunda vez,
não para tirar pecados, mas para salvar os que estão esperando por ele. (Hebreus
9:1-28 BLH)
III. O Sangue de Cristo é a Base da Justificação
“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em
Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a
paciência de Deus;” (Romanos 3:24-25 RC)
Justificar significa “declarar justo”. É um termo judicial que indica o anúncio
de um veredicto de absolvição, excluindo qualquer possibilidade de condenação.
Na Bíblia temos várias passagens que dão contraste entre Justificação e
Condenação. Veja estes exemplos:
“E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio
de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas
ofensas para justificação. Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por
esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça
reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio
o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de
justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque,
como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim,
pela obediência de um, muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:16-19 RC)
“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre
os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” (Romanos
8:33-34 RC)
Todas as exigências divinas para a justificação do ser humano, Cristo cumpriu na
cruz. Então, todos podem ser justificados. A base é o sangue de Cristo. Quando
cremos em Cristo, Deus credita em nosso favor tudo aquilo que Cristo é, e
anuncia a nossa absolvição. Esse pronunciamento é chamado de justificação.
IV. O Sangue de Cristo é o Alicerce da Nossa Paz
“Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor
Jesus Cristo;” (Romanos 5:1 RC)
“...e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele
reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as
que estão nos céus.” (Colossenses 1:20 RC)
Conclusão
Redenção, perdão, justificação, paz com Deus, enfim, SALVAÇÃO. Nada disso
podíamos alcançar, mas Cristo alcançou por nós na cruz. Quando nos reunimos para
o memorial da ceia do Senhor, a idéia é a lembrança e o anúncio disso. Anúncio
para os de fora, mas um anúncio para nós mesmos, para não nos esquecermos de que
a esse Jesus, em quem nós já cremos, que fez tamanha coisa por nós, deve ser
louvado, adorado, e deve receber toda a nossa dedicação e obediência. Que Deus
nos torne a cada dia mais fiéis. AMÉM!
Pr. Walmir Vigo Gonçalves