A COMUNHÃO COM DEUS 1
1 João
Estudo 2 de 10 em 1ª João
1. Moody, certa vez falou assim: “Os vizinhos de certo homem costumavam afirmar:
‘Este homem é realmente grande, porque, quando estamos em sua companhia, nós
mesmos nos sentimos melhores!”. Fato idêntico ocorre quando estamos em
permanente comunhão com Deus. Sempre que a Ele nos associamos, nós nos tornamos,
indubitavelmente, pessoas melhores.”[1]
2. A Comunhão com Deus é algo muito importante, do qual nunca devemos nos
descuidar. Logo no início de sua carta, na introdução, João toca nesse assunto
da comunhão. No v. 3, ele diz: “o que temos visto e ouvido anunciamos também a
vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa
comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.” (1 João 1:3 RA)
3. A Comunhão com Deus é muito importante, é possível, e precisa ser mantida.
4. Mas, para se manter a comunhão com Deus, algumas coisas precisam ser
observadas.
5. Neste presente estudo, trataremos exatamente desse assunto, e, para tanto,
leiamos, a princípio, I João 1:5-2:2:
"5 Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que
Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. 6 Se dissermos que mantemos comunhão
com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. 7 Se, porém,
andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o
sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. 8 Se dissermos que não
temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. 9
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados e nos purificar de toda injustiça. 10 Se dissermos que não temos
cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. 1
Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia,
alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; 2 e ele é a
propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda
pelos do mundo inteiro.” (1 João 1:5-2:2 RA)
6. A primeira coisa a se destacar nesse texto é:
I. Deus é luz
(Versículo 5)
1. João, depois da introdução, já começa enfatizando uma grande verdade: “Deus é
luz, e não há Nele treva nenhuma”.
2. Esta é uma verdade que ele havia aprendido com o próprio Cristo, e significa
que Deus é Santo e Puro, e não há sequer um mínimo ponto de treva em Seu ser.
3. Sabemos que luz e trevas, nas Sagradas Escrituras, se tornaram símbolos
contrastantes do bem e do mal; e, tais símbolos são freqüentemente encontrados
nestas mesmas Escrituras. Vejam, por exemplo, estes textos:
a. “... Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo
contrário, terá a luz da vida.” (João 8:12 RA)
b. “Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não
permaneça nas trevas.” (João 12:46 RA)
c. “Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas
e revistamo-nos das armas da luz.” (Romanos 13:12 RA)
d. “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade
pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as
trevas?” (2 Coríntios 6:14 RA)
e. “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como
filhos da luz” (Efésios 5:8 RA)
f. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de
propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos
chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9 RA)
4. Deus é luz; Deus é totalmente puro e santo. É importante enfatizar isso.
5. Isso nos leva ‘a segunda consideração:
II. Quem quiser ter comunhão com Deus não pode ‘andar’ nas trevas.
(Versículos 6-8)
1. Por ‘andar’, aqui, devemos entender aquela atitude de quem vive nas trevas, e
não a atitude daquele que peca porque é um ser humano normal, mas que não vive
na prática do pecado. O ‘andar’, aqui, indica a conduta geral do indivíduo. Dois
versículos de João explicam bem essa verdade: “20 Pois todo aquele que pratica o
mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as
suas obras. 21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas
obras sejam manifestas, porque feitas em Deus” ( 3:20-21 RA)
2. Quem diz ter comunhão com Deus, mas anda nas trevas, é mentiroso, e não
pratica a verdade – Estas são palavras fortes, mas verdadeiras, de João.
3. Os gnósticos arrogavam serem os detentores da verdade, do verdadeiro
conhecimento, e diziam ter comunhão com Deus. Mas, no dizer de João, eles não
eram verdadeiros cristãos, pois o verdadeiro cristão, ainda que sujeito ao
pecado, anda na luz, não anda nas trevas, e prossegue na santificação.
4. Simplesmente não existem remidos de Deus que não estejam em pleno processo de
santificação.
5. Foi o próprio João quem registrou, desta feita no evangelho escrito por ele,
as palavras de Jesus: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e
elas me seguem.” (João 10:27 RA)
6. Também estes outros textos confirmam a veracidade do que acima escrevi:
a. “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo
Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela
santificação do Espírito e fé na verdade” (2 Ts 2:13 RA)
b. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”
(Hebreus 12:14 RA)
c. “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito,
para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam
multiplicadas.” (1 Pedro 1:2 RA)
d. “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre
muitos irmãos.” (Romanos 8:29 RA)
e. “Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não
permaneça nas trevas.” (João 12:46 RA)
f. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do
Filho do seu amor,” (Colossenses 1:13 RA)
7. Quem anda na luz, este tem comunhão, não só com Deus, mas também com os
irmãos – o andar na luz é a base da comunhão com Deus. Ninguém que anda nas
trevas pode esperar ter a comunhão e o favor de Deus. Mas, quem é o que anda na
luz?
a. Aquele que anda nas pisadas da fé de nosso pai Abraão:
i. “11 E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na
incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem (estando eles também na
incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada), 12 e fosse pai
da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também
andam nas pisadas daquela fé de Abraão, nosso pai, que tivera na incircuncisão.”
(Romanos 4:11-12 RC)
b. Aquele que morreu e ressuscitou com Cristo, e que vive uma vida nova, onde o
pecado não reina:
i. “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como
Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em
novidade de vida.” (Romanos 6:4 RC)
ii. “sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o
corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.”
(Romanos 6:6 RC)
iii. “11 Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos
para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor. 12 Não reine, portanto, o pecado em
vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13 nem
tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade;
mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus,
como instrumentos de justiça” (Romanos 6:11-13 RC)
c. Aquele que está em Cristo Jesus, e que não anda segundo a carne, mas segundo
o Espírito:
i. “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus,
que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.” (Romanos 8:1 RC)
d. Aquele que não anda segundo a vaidade de seu sentido, mas anda em santidade e
amor, imitando a Deus em tudo:
i. “17 E digo isto e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam
também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, 18 entenebrecidos no
entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela
dureza do seu coração, 19 os quais, havendo perdido todo o sentimento, se
entregaram à dissolução, para, com avidez, cometerem toda impureza. 20 Mas vós
não aprendestes assim a Cristo, 21 se é que o tendes ouvido e nele fostes
ensinados, como está a verdade em Jesus, 22 que, quanto ao trato passado, vos
despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, 23 e
vos renoveis no espírito do vosso sentido, 24 e vos revistais do novo homem,
que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade. 25 Pelo que
deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos
membros uns dos outros. 26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a
vossa ira. 27 Não deis lugar ao diabo. 28 Aquele que furtava não furte mais;
antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir
com o que tiver necessidade. 29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe,
mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a
ouvem. 30 E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados
para o Dia da redenção. 31 Toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e
blasfêmias, e toda malícia seja tirada de entre vós. 32 Antes, sede uns para com
os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também
Deus vos perdoou em Cristo. 1 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos
amados; 2 e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo
por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. 3 Mas a prostituição e
toda impureza ou avareza nem ainda se nomeiem entre vós, como convém a santos; 4
nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas, antes, ações
de graças. 5 Porque bem sabeis isto: que nenhum fornicador, ou impuro, ou
avarento, o qual é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6 Ninguém
vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os
filhos da desobediência. 7 Portanto, não sejais seus companheiros. 8 Porque,
noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da
luz 9 (porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade),
10 aprovando o que é agradável ao Senhor. 11 E não comuniqueis com as obras
infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as. 12 Porque o que eles fazem em
oculto, até dizê-lo é torpe. 13 Mas todas essas coisas se manifestam, sendo
condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. 14 Pelo que diz: Desperta, ó
tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. 15
Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, 16
remindo o tempo, porquanto os dias são maus. 17 Pelo que não sejais insensatos,
mas entendei qual seja a vontade do Senhor. 18 E não vos embriagueis com vinho,
em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito, 19 falando entre vós com salmos,
e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso
coração, 20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso
Senhor Jesus Cristo, 21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.”
(Efésios 4:17-5:21 RC)
e. Aquele que anda dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo,
frutificando em toda a boa obra e no conhecimento de Deus:
i. “para que possais andar dignamente {ou como dignos do Senhor} diante do
Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no
conhecimento de Deus” (Colossenses 1:10 RC)
8. Será tudo isso, e muito mais, possível ao homem por ele mesmo, por sua
própria força? A resposta é NÃO! Veja o comentário de Champlin sobre esse
assunto:
“O verdadeiro andar espiritual é inspirado pelo Espírito Santo e é possibilitado
por ele. É impossível a alguém viver de conformidade com o ideal cristão, de
modo contínuo, sem a inspiração e a capacitação dada pelo Espírito Santo.
Devemos ser um povo celestial, pelo que precisamos possuir a imagem moral de
Cristo em nós infundida (Gl. 5:22-23), pois, do contrário, nunca poderemos
‘andar’ como devemos. Isso significa que devemos empregar todos os meios
espirituais que nos têm sido dados, procurando treinar o intelecto, orando e
conversando com Deus, meditando, dando ouvidos ao Senhor, buscando Sua
iluminação, buscando ao Espírito Santo e aos Seus dons, a fim de podermos
cumprir espiritualmente as missões que nos forem dadas a realizar. Se
empregarmos esses meios, então seremos capazes de andar no Espírito. Não nos é
prometida qualquer tarefa fácil; pois cada passo dado na direção de Deus será
dado em meio à agonia do espírito, porquanto nos temos afastado dele de modo
extraordinário.” [2]
9. Agora pensemos em uma terceira coisa, a saber:
Confissão e perdão.
(Versículos 8-2:2)
1. João fala sobre confissão e perdão porque ele sabe que todos somos pecadores,
não só porque pertencemos a uma raça pecadora, mas porque todos nós cometemos os
nossos próprios pecados, e não só os cometemos no passado, como também
continuamos a cometê-los no presente. O próprio apóstolo Paulo vivia essa
experiência:
a. “... mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da
minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.”
(Romanos 7:23 RA)
b. E, em Gálatas 5:17, ele diz: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o
Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o
que, porventura, seja do vosso querer.” (RA)
2. Para mantermos comunhão com Deus, também é preciso que confessemos os nossos
pecados. Medite bem nas palavras de João:
a. “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a
verdade não está em nós.” (1 João 1:8 RA)
b. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jo 1:9 RA)
c. “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua
palavra não está em nós.” (1 João 1:10 RA)
d. “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia,
alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;” (1 João 2:1
RA)
e. “e ele é a propiciação[3] pelos nossos pecados e não somente pelos nossos
próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.” (1 João 2:2 RA)
Conclusão.
1. Vimos hoje, então, esses três pontos muito importantes, e que devemos ter em
mente se quisermos manter comunhão com Deus:
a. Deus é luz;
b. Para termos comunhão com Deus precisamos andar na luz, e não nas trevas;
c. Mesmo que estejamos andando na luz, e crescendo em santificação, não estamos
livres de pecar, e, por isso, a confissão faz-se necessária, pois se
confessarmos, Deus, por intermédio de Seu Filho nos purifica por completo.
Pr. Walmir Vigo Gonçalves
[1] Dwight L. Moody, citado por Moysés Marinho de Oliveira, em Manancial de
Ilustrações, editora JUERP.
[2] CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo,
vol. 6. Décima reimpressão, São Paulo – SP., editora Candeia, 1998. Comentário
extraído da página 228.
[3] PROPICIAÇÃO – Ato realizado para aplacar a ira de Deus, de modo a ser
satisfeita a sua santidade e a sua justiça, tendo como resultado o perdão do
pecado e a restauração do pecador à comunhão com Deus. No AT a propiciação era
realizada por meio dos SACRIFÍCIOS, os quais se tornaram desnecessários com a
vinda de Cristo, que se ofereceu como sacrifício em lugar dos pecadores (#Êx
32.30; Rm 3.25; 1Jo 2.2; v. EXPIAÇÃO). (Informação extraída do Dicionário
Bíblico Almeida, em A Bíblia Online)