SE ME ABENÇOARES MUITÍSSIMO
1 Crônicas 4.9-10
“E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; e sua mãe chamou o seu nome Jabez,
dizendo: Porquanto com dores o dei à luz. Porque Jabez invocou o Deus de Israel,
dizendo: Se me abençoares muitíssimo e meus termos amplificares, e a tua mão for
comigo, e fizeres que do mal não seja aflito!… E Deus lhe concedeu o que lhe
tinha pedido.” (1 Crônicas 4:9-10 RC)
Hoje vamos pensar um pouquinho sobre bênçãos.
O texto que lemos fala sobre um homem chamado Jabez. Alguém sabe quem foi esse
homem?
A única informação que temos dele é a que está aí no texto lido, e uma delas nos
chama a atenção: Jabez foi um homem que invocou ao Senhor, e O invocou de forma
tal que teve o seu pedido atendido.
Agora notem que a primeira frase da oração desse homem, aí apresentada, foi: “se
me abençoares muitíssimo”. Não sei o que Jabez estava pensando, mas o que VOCÊ
pensa sobre o que é ser abençoado muitíssimo. Vamos pensar um pouquinho sobre
isso, pensando antes sobre alguns tipos de bênçãos.
1) Há bênçãos que são bênçãos apenas no nome
São coisas que satisfazem os nossos desejos por um instante, mas terminam
por decepcionar as nossas expectativas – pode ser um emprego ou uma atividade
que nos renderia algum dinheiro. Quantas vezes não agradecemos por um emprego ou
atividade que arranjamos e, não demorou muito, já começamos a pedir a Deus que
nos arranjasse um outro.
São coisas que fascinam os olhos, mas que não são agradáveis ao paladar – Me
lembro de certa vez que fomos a um determinado hotel muito famoso em Foz, com o
objetivo de falar alguma coisa por ocasião da comemoração de 81 anos de uma
distinta senhora. Ficamos para o jantar. Havia uma espécie de creme que pareceu
muito gostoso aos olhos de minha esposa, mas, quando à mesa ela levou o creme à
boca, com aquela satisfação, que decepção! E pior, teve que comer tudo o que
colocou no prato.
2) Há bênçãos que são temporárias
São bênçãos, às vezes até excelentes, mas que, embora por algum tempo,
satisfaçam aquele que as recebeu, se gastam com o tempo ou ficam para trás
quando “partimos”, e não podem, portanto, satisfazer os anseios mais elevados de
nossa alma. Vejamos algumas dessas bênçãos:
a) Dinheiro – Quem nessa vida não precisa de dinheiro? É certo que encontramos
alguns textos na Bíblia que nos ensinam a termos alguma precaução quanto ao
dinheiro. Vejamos dois:
“Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar
dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso
contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas
concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça
alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1
Timóteo 6:7-10 RC)
“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele
disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” (Hebreus 13:5 RC); ou: “Não se
deixem dominar pelo amor ao dinheiro e fiquem satisfeitos com o que vocês têm,
pois Deus disse: “Eu nunca os deixarei e jamais os abandonarei”.” (NTLH)
Mas notem que esses textos falam sobre o amor ao dinheiro, a busca desenfreada
por riquezas, e não excluem as necessidades legítimas que temos.
Todos precisamos de dinheiro; pra quase tudo precisamos de dinheiro. Trabalhamos
duro porque precisamos do dinheiro. Água, energia elétrica, alimentação,
vestuário, moradia, remédios, estudo, e tantas outras coisas necessárias nos
custam algum dinheiro. Até Jesus e os doze precisaram de dinheiro. Os apóstolos
precisaram de dinheiro. Quem vive aqui nessa terra sem o dinheiro? Alguns podem
até viver sem um dinheirinho próprio, mas sempre dependerão do que o dinheiro de
alguém comprou e lhes foi ofertado. A igreja precisa de dinheiro...
O dinheiro, se com ele sabemos lidar, dentro das devidas proporções, é uma
bênção, e uma bênção grande. Mas o dinheiro é uma dessas bênçãos temporárias.
Ele nos traz alguma satisfação, mas essa é temporária, é “enquanto aqui”, e ele
não pode satisfazer os anseios mais elevados de nossa alma.
b) Saúde física – Quem pode negar que ter saúde física é uma bênção, uma das
maiores? O valor da saúde não pode ser medido. Que o diga aqueles que estão com
falta dela! Que maravilha, que bênção é estar bem de saúde!!! Se eu tenho saúde,
meus ossos estão ajustados, meus músculos estão fortes, se eu mal conheço um
mal-estar ou dor e posso me levantar de manhã com um passo ágil e ir ao
trabalho, e deitar-me à noite e dormir bem, que bênção é!
Mas a saúde é uma bênção, de certa forma, passageira. Ela pode passar mais
rápido do que imaginamos. Em um minuto ela pode me faltar. Algumas semanas podem
reduzir a força de um homem a um esqueleto. O corpo pode minguar, a face
empalidecer com a sombra da morte. Ela pode passar enquanto ainda aqui, mas
mesmo que não passe, de que ela nos valerá na eternidade? No inferno só haverá
tormento e no céu não haverá enfermidade.
Que bênçãos mais poderíamos citar e que são temporárias?
A bênção do lar – uma família constituída de esposo, esposa, pai, mãe, filhos,
avós...
Coisas que facilitam nossa vida diária – um carro, uma moto, uma bicicleta, um
computador, uma máquina de lavar roupas...
Todas essas coisas, e muitas outras, são bênçãos; mas são bênçãos temporárias,
são bênçãos, mas são para o aqui e o agora, são coisas que vão ficar para trás,
são coisas que, algumas delas, têm o poder de nos trazer grande satisfação, mas
que não têm o poder de satisfazer o anelo mais profundo de nossa alma, do qual
às vezes demoramos para nos dar conta, ou nem nos damos conta.
3) Há bênçãos que são imaginárias
Infelizmente há isso também, e como há!
Em Lucas 18.10ss vemos sobre um homem do qual, se o víssemos, sem conhecê-lo de
fato, talvez pensássemos ser ele a própria bênção em pessoa. E pior, acho que
ele próprio se imaginava assim. Veja lá a história.
Em Mateus 7.22-23 vemos sobre gente que talvez imaginássemos serem a própria
bênção, e eles também; mas veja lá o que Jesus lhes dirá.
Uma outra bênção imaginária é aquela que é baseada em pressuposições. Tem muita
gente, por exemplo, que pressupõe que irá habitar o céu na eternidade.
Alguns porque acham que, no final das contas, Deus não vai cumprir o que disse
em Sua Palavra acerca da perdição, e vai salvar todo mundo;
Outros porque estão confiantes nos seus méritos pessoais;
Outros porque são membros de uma determinada igreja...
Mas a verdade é que a habitação celestial é para aqueles que, de fato, de
coração, crêem em Cristo. Crêem que Ele é o Filho de Deus, o Messias prometido,
o Salvador, que ele é o Deus que se fez carne, habitou entre nós, morreu na cruz
e ressuscitou a terceiro dia, tendo ele vindo para isso mesmo. Crêem assim e
entregam então a sua vida aos cuidados e direção desse Jesus.
Qualquer pessoa que pensa ser abençoado com a benção de possuir os céus por
herança, mas que não têm essa fé que a Bíblia apresenta como necessária, sua
bênção é apenas imaginária.
4) E há bênçãos que, daqueles que com elas foram, são e forem abençoados,
podemos dizer que foram, são e serão “abençoados muitíssimo”
Nas palavras de Spurgeon:
“Somos abençoados muitíssimo quando tais bênçãos vêm de mãos marcadas pelos
cravos; bênçãos que vêm da árvore sangrenta do Calvário, escorrendo da ferida no
tórax do Salvador - seu perdão, sua aceitação, sua vida espiritual... a unidade
com Cristo, e tudo o que vem disso - assim serei abençoado muitíssimo. Toda
bênção que vem como resultado do trabalho do Espírito em nossa alma nos abençoa
muitíssimo; apesar de te humilhar, apesar de te desnudar, apesar de te matar,
serás abençoado muitíssimo. Apesar do arado passar muitas vezes sobre tua alma,
e a patrola cortar seu coração; apesar de você ser mutilado e ferido, e deixado
para morrer, se o Espírito de Deus o fizer, serás abençoado muitíssimo. Se ele
te convenceu do pecado, da justiça e do juízo, mesmo que até agora ele não o
tenha levado a Cristo, você será abençoado muitíssimo. As riquezas talvez não o
façam. Talvez haja uma parede de ouro entre você e Deus. Saúde não o fará: mesmo
a força e tutano de seus ossos podem mantê-lo distante de seu Deus. Mas tudo o
que o atraia a Deus, o abençoará muitíssimo. E se uma cruz o levantar? Se o
levantar até Deus, você será abençoado muitíssimo. Tudo o que alcançar a
eternidade, com uma preparação para o mundo que há de vir, tudo o que pudermos
carregar ao atravessar o rio, a alegria santa que vai brotar daqueles campos
além da enchente, o amor sem nuvens dos irmãos que será a atmosfera de verdade
para sempre - tudo o que tem a flecha eterna - a marca eterna - te abençoará
muitíssimo. E tudo o que me ajudar a glorificar a Deus me abençoará muitíssimo.
Se eu estiver doente, e isto me ajudar a louvar a Deus, serei abençoado
muitíssimo. Se eu for pobre, e puder servir a Ele melhor na pobreza do que na
riqueza, serei abençoado muitíssimo. Se eu for desprezado, me regozijarei neste
dia e darei pulos de alegria, pois é por Cristo - serei abençoado muitíssimo.
Sim, minha fé destitui o disfarce, remove a máscara da clara face da bênção, e
computa tudo isto como alegria, como tribulações pelo amor de Jesus e a
recompensa que ele prometeu...”
Abençoado muitíssimo é aquele que recebe a Cristo e a quem Cristo recebe.
Walmir Vigo, Adaptado de “A Oração de Jabez” – (The Prayer of Jabez) – Um Sermão
(Nº 0994) pregado pelo Reverendo C. H. Spurgeon No Metropolitan Tabernacle,
Newington– Inglaterra