O CRISTO CRUCIFICADO
1 Coríntios 1:18-25
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos
sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde
está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus
louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não
conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela
loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura
para os gregos. Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, [lhes
pregamos] a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus
é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os
homens.” (1 Coríntios 1:18-25 RC)
“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;” (1 Coríntios 1:30 RC)
(Fazer comentários à medida que lê o texto)
I. PODER DE DEUS
No Novo Testamento encontramos algumas palavras diferentes, mas que podem,
todas elas, serem, no português, traduzidas por uma mesma palavra: “poder”.
Vejamos[1]:
a) dunamiz (dúnamis) – Indica obras poderosas (milagres). É encontrada mais de
cem vezes em o Novo Testamento.
b) exousia (Exousia) – Indica poder como autoridade para realizar alguma coisa.
Também aparece cerca de cem vezes em o Novo Testamento. Um bom exemplo é este:
“Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse
dado...” (João 19:11 RC)
c) kratoz (Krátos) – Poder no sentido de domínio, força. Aparece 12 vezes em o
Novo Testamento.
Paulo, aqui em 1 Coríntios 1, usa o termo dúnamis para se referir a Cristo como
sendo o Poder de Deus. Cristo crucificado, ainda que pareça loucura para alguns,
é o poder de Deus em ação para operar o milagre da salvação. Paulo, em Romanos
1.16, diz que o evangelho de Cristo é o poder (dúnamis) de Deus para a salvação
de todo aquele que crê.
Aprouve a Deus salvar os homens pela loucura da pregação (v. 21), e o conteúdo
dessa pregação é Cristo crucificado (v. 23), e Cristo crucificado é o poder de
Deus em operação para efetuar o milagre da salvação. Rejeitar a Cristo é o mesmo
que rejeitar o milagre de Deus, a salvação que ele oferece. Nada além de Cristo
pode realizar esse milagre, muito menos a sabedoria humana.
Uma determinada pessoa, de nome Kling, citada por Champlin em O N. T. Int. Vers.
por Vers., comenta: “Enquanto os judeus indagavam como é que uma pessoa
crucificada e maldita poderia ser o Salvador de Israel, como alguém tão
destituído de força poderia ser capaz de derrubar todos os poderes hostis, e
enquanto os gregos julgavam absurdo a salvação da parte de alguém que tivera um
fim tão miserável, por outro lado, os escolhidos de Deus, experimentam e
confessam que é do Redentor crucificado que se origina o poder divino, o poder
da vida e da paz celestiais, bem como um poder renovador, santificador,
beatífico, como não poderia ser encontrado em coisa alguma pertencente à
criatura.” [2]
Cristo é o poder de Deus. Somos salvos porque Cristo é o poder de Deus que
operou esse milagre em nós.
II. SABEDORIA DE DEUS
O que vem a ser ‘sabedoria’ ?
Esta é uma boa pergunta, e complicada também. Filósofos, como Platão,
Aristóteles, Spinosa e outros, fizeram suas considerações, e cada um falava uma
coisa diferente. Juntando tudo o que eles disseram talvez tivéssemos uma boa (e
grande) definição.
De uma maneira geral podemos pensar em sabedoria como sendo conhecimento, mas
também como sendo a capacidade de aplicar corretamente esse conhecimento.
Nas palavras de Champlin, “Ter sabedoria é pensar bem e agir bem em qualquer
empreendimento realizado, seja secular ou espiritual” [3]
Quando Paulo diz então que Cristo é para nós a Sabedoria de Deus, uma das coisas
que ele está querendo dizer é que em Cristo Deus revelou a Sua sabedoria, pois
Deus planejou salvar o homem em Cristo, e teve a capacidade de fazer com que
esse seu plano fosse executado.
Desde a eternidade Deus já havia decretado que salvaria o homem mediante seu
Filho, o Cristo þ A mensagem bíblica como um todo nos passa essa idéia. As
profecias acerca deste propósito divino vêm desde Moisés. Mas o texto abaixo é
bastante revelador:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com
todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção
por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para
louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça, que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria
e prudência, descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as
coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como
as que estão na terra;” (Efésios 1:3-10 RC)
Deus decretou desde a eternidade, e depois Ele foi colocando em prática o seu
planejamento. O Filho de Deus encarnou, desenvolveu seu ministério entre nós,
morreu, ressuscitou ao terceiro dia e foi exaltado à mão direita do Pai. Tudo
isso estava designado de antemão e foi cumprido à risca, e é assim que Cristo
revela a Sabedoria de Deus. CRISTO É PARA NÓS A SABEDORIA DE DEUS. A mensagem do
Cristo crucificado pode ser uma insensatez para alguns, mas para nós, os que
cremos é o Poder de Deus e a Sabedoria de Deus.
III. JUSTIÇA[4]
“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30 RC)
Existe uma doutrina bíblica conhecida como a “Doutrina da Justificação”. De uma
maneira bem simples a Justificação pode ser entendida como sendo a atitude de
Deus em conceder ao homem que crê em Cristo uma nova posição diante d’Ele: a
posição de justo.
Vários textos da Palavra de Deus nos dão conta disso. Eis alguns:
“E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é
justificado todo aquele que crê.” (Atos 13:39 RC)
“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus
Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de
Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será
justificada.” (Gálatas 2:16 RC)
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores,
assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:19 RC)
Essa justificação se dá logo em seguida à conversão. O homem crê em Jesus (se
converte), e então ele é declarado justo por Deus, independente de qual seja o
seu caráter. Mas não para por aí. Se assim o fosse, se Deus não fizesse que a
justificação resultasse em algo mais, se a justificação não levasse à uma vida
de retidão, seria algo no mínimo estranho. A fé não é substituta da retidão; a
fé, pela qual somos justificados, necessariamente leva também à retidão.
Portanto, nesse ato de Deus estão envolvidas:
(1) A remissão da Pena – Qual é a pena para o pecado? Veja os seguintes textos:
“E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás
livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque,
no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16-17 RC)
“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte,
assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.
Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não
havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles
que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele
que havia de vir.” (Romanos 5:12-14 RC)
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 6:23 RC)
Por esses textos e outros mais vemos que a pena para o pecado é a morte, na
seguinte ordem: a) espiritual; b) física e c) eterna.
Quando o homem crê em Cristo, e, conseqüentemente, é justificado por Deus, ele é
livre da pena:
“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...”
(Romanos 8:1 RC)
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre
os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” (Romanos
8:33-34 RC)
“Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se vos anuncia a remissão
dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados,
por ele é justificado todo aquele que crê.” (Atos 13:38-39 RC)
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16 RC)
“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto
não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:18 RC)
(2) A restauração ao favor divino – A Justificação proporciona ao homem que crê
em Cristo a certeza de sua aceitação diante de Deus, a certeza de que agora Deus
é a ele favorável. Isso ela faz porque está baseada não em alguma coisa de nós
mesmos, mas na obra redentora de Cristo Jesus.
“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não
verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” (João 3:36 RC)
“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos
homens que detêm a verdade em injustiça... sendo justificados pelo seu sangue,
seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 1.18 e 5:9 RC)
“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
(Romanos 8:31 RC)
“...Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os
seus pecados...” (2 Coríntios 5:19 RC)
(3) Imputação da justiça – É assim que Deus nos restaura ao favor. Não fomos
justificados porque Deus encontrou alguma justiça em nós que possibilitasse a
que, por nossos próprios méritos, estivéssemos de pé diante d’Ele. Foi-nos
imputada a justiça de Cristo. Isso ocorre pela fé. Não há obras para isso. Como
diz o nosso texto base, “...Jesus Cristo... para nós foi feito por Deus...
justiça...”.
(4) Mas a Justificação também conduzirá, necessariamente, a uma vida de retidão
– Ainda que a justificação possa ser vista com algo separado da Santificação,
como dizem a maioria dos teólogos protestantes, certamente que quando Deus
justifica alguém seguir-se-á a esse ato, necessariamente, a transformação do
caráter, a transformação moral. O Espírito de Deus estará operando,
necessariamente, essa obra na vida do crente. Veja os seguintes textos:
“Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a
aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo.” (Filipenses 1:6 RC)
“...Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar,
purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo
igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e
irrepreensível.” (Efésios 5:25-27 RC)
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”
(Hebreus 12:14 RC)
“...eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para
a obediência...” (1 Pedro 1:2 RC)
“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E
aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também
justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Romanos 8:29-30
RC)
“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” (1 Ts
4:7 RC)
O Cristo crucificado, então, pode ser um escândalo para alguns, e uma loucura
para outros, mas para nós que somos salvos é o poder, o dúnamis de Deus que
operou o milagre da nossa salvação; é a manifestação da sabedoria de Deus que
planejou e soube como efetuar o plano para a nossa salvação; e é a nossa
justiça. Nós não temos justiça própria, Cristo é a nossa justiça. É nele que
somos perdoados, é nele que somos libertos da pena do pecado, é nele que somos
justificados, é nele que somos salvos, é nele que somos aceitos diante de Deus,
é por ele que temos acesso a essa graça, é por ele que Deus se tornou favorável
a nós; e é só por ele; não há outro meio.
“...Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos
amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com
Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez
assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos
vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco
em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem
de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios
2:4-9 RC)
“...por ele... temos acesso ao Pai...” (Efésios 2:18 RC)
“...ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo
caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus
10:19-20 RC)
IV. SANTIFICAÇÃO
“...Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus... santificação...” (1
Coríntios 1:30 RC)
Jesus Cristo para nós foi feito santificação! Mas, o que significa isso?
Langston, ao desenvolver, em sua teologia sistemática, o tema santificação,
começa dizendo: “O grande propósito de Deus em estabelecer o Seu reino entre os
homens é conseguir duas coisas: primeiramente, estabelecer uma relação vital
entre Si mesmo e o homem; segundo, produzir no homem um caráter que esteja de
acordo com esta nova relação existente entre os dois” [5]
Com essas palavras Langston está mostrando a verdade de que o termo santificação
na Bíblia tem um duplo sentido. Significa consagração ou dedicação a Deus, o que
implica no estabelecimento de uma relação entre o homem e Deus[6], mas também
significa um processo de transformação ética, o que é expressado por Langston
como sendo a produção de um caráter em acordo com a nova relação estabelecida.
Isso é bastante claro na Bíblia. Várias vezes encontramos o apóstolo Paulo se
dirigindo aos crentes como santos, dando a entender uma posição que eles
possuem. Veja por exemplo o versículo 2 de 1 Co. 1 e o versículo 7 de Romanos 1:
“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus,
chamados santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor
Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Coríntios 1:2 RC)
“A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de
Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 1:7 RC).
Mas os que possuem essa posição precisam progredir em santificação, e
progredirão, necessariamente. Veja os seguintes textos:
“Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como
apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a
maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a
santificação.” (Romanos 6:19 RC)
“Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto
para santificação, e por fim a vida eterna.” (Romanos 6:22 RC)
“Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia
da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.” (2
Coríntios 7:1 RC)
“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da
prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e
honra” (1 Ts 4:3-4 RC)
“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” (1 Ts
4:7 RC)
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”
(Hebreus 12:14 RC)
Deus, em Cristo, santificou para Si um povo. A esse povo Deus, por Cristo,
através da atuação do Espírito Santo, está santificando. E isso é maravilhoso,
porque o ato do Espírito, tornado possível pelo Cristo crucificado, de operar a
santificação, é o ato que torna possível ao homem entrar no reino de Deus. Sem a
santificação ninguém verá o Senhor!
Acabei de ler, pela segunda vez, o livro “A Conquista Divina”, de A. W. Tozer, e
nesse livro há algumas partes às quais dei destaque, e, dentre elas quero citar
duas aqui, que julgo preciosas para esse tópico de nosso estudo. Ao comentar
sobre o fato de que o evangelho em nossa vida não deve chegar apenas em palavra,
mas também em poder, poder transformador, Tozer diz:
“A mensagem cristã retamente entendida significa isto: o Deus que pela palavra
do Evangelho proclama livres os homens, pelo poder do Evangelho de fato os faz
livres” [7]
“A mensagem do Evangelho é, pois, a mensagem de uma nova criação em meio a uma
antiga, a mensagem da invasão da nossa natureza humana feita pela vida eterna de
Deus e a substituição da velha natureza pela nova. A nova vida captura a
natureza do homem de fé e se dedica à sua benévola conquista, conquista que não
é completa enquanto a vida invasora não tiver tomado posse total e não tiver
emergido uma nova criatura. E este é um ato de Deus, sem ajuda humana, pois é
uma milagre moral e uma ressurreição espiritual.” [8]
A mensagem do Cristo crucificado pode ser uma loucura para alguns e um escândalo
para outros, mas para nós, o Cristo crucificado foi feito por Deus a nossa
santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.
V. REDENÇÃO
“...Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus... redenção” (1
Coríntios 1:30 RC)
REDENÇÃO
Libertação (Sl 111.9).
1) No AT, Deus, o REDENTOR, liberta o povo de situações de cativeiro (Is 43.14),
sofrimentos (Jr 14.8), morte (Jó 19.25), pecado (Is 44.22; 59.20).
2) No NT, Deus, por meio do pagamento de um preço, isto é, a morte de Cristo na
cruz, compra para uma vida de nova liberdade a pessoa que era escrava do pecado
e da LEI (Mc 10.45; Rm 3.24; Gl 4.5; Ef 1.7). Essa redenção será completada no
final dos tempos (Rm 8.21-23). [9]
O termo redenção indica nada menos que o resgate que nos livra do pecado; e
também fala da totalidade de nossa salvação em Cristo, incluindo todos os seus
aspectos.
Cristo é o Redentor, e o seu ato redentor foi a sua morte na cruz. Por esse ato
redentor de Cristo, aquele que crê tem a sua alma reconduzida a seu lar e
destino apropriados, tendo sido restaurada de todo o seu desvio. A alma humana
se acha em estado de servidão ao pecado (e conseqüente perdição), até que é
restaurada por Deus. [10]
Veja os seguintes textos:
“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo
Jesus”(Romanos 3:24 RC)
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça” (Efésios 1:7 RC)
“em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”
(Colossenses 1:14 RC)
“o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos...” (1 Timóteo 2:6 RC)
“nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez
no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.” (Hebreus 9:12 RC)
Cristo é para nós redenção. Não importa o que as pessoas pensem e digam do
Cristo crucificado, é ele quem efetua a redenção, e se elas quiserem ser
redimidas terão que ir a ele.
CONCLUSÃO
Tudo se resume no seguinte: A salvação do homem depende da operação do poder e
da sabedoria divinas; o homem, não pode ver o reino de Deus em estado de
injustiça e se não passar pela transformação moral que é a santificação, e,
pior, ele não encontra nele mesmo nada que possa lhe fazer justo e santo; o
homem está perdido sob a escravidão do pecado, necessitando ser redimido. O
homem está caminhando a passos largos para a perdição eterna. Mas há um, um só,
que pode salvá-lo: o Cristo, mas o Cristo crucificado! Que loucura não? É o que
muitos acham. Mas é justamente o Cristo crucificado que foi feito para nós:
O Poder de Deus;
A Sabedoria de Deus;
Justiça;
Santificação e
Redenção.
“...a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1:18 RC)
“...os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a
Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.
Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo,
poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que
os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (1 Coríntios
1:22-25 RC)
“...vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30 RC)
[1] Informações extraídas do volume 7 (dicionário) da coleção O A. T.
Interpretado Versículo Por Versículo, de R. N. Champlin, editora Candeia, e de A
Bíblia Online 2.01 da SBB
[2] KLING – Citado por R. N. Champlin em O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo, volume 4, décima reimpressão, São Paulo – SP, Editora
Candeia, 1998.
[3] CHAMPLIN, R. N – O Antigo Testamento Interpretado: Versículo Por Versículo:
Dicionário – M-Z / Volume 7. Primeira edição – São Paulo – SP, Editora Candeia,
2000.
[4] Foram usadas, para este tópico, as seguintes fontes de consultas: - O
Evangelho da Redenção, de Walter T. Conner, 2ª edição – JUERP; / - Palestras Em
Teologia Sistemática, de Henry Clarence Thiessen - IBR; / - O Novo Testamento
Interpretado Versículo Por Versículo, volumes 3 e 4, de R. N. Champlin, 10ª
reimpressão – Candeia.
[5] LANGSTON, A. B. – Esboço de Teologia Sistemática, 11ª edição, Rio de
Janeiro: JUERP, 1994. 305 p.
[6] No A. T. não só pessoas, mas coisas e lugares também eram santificados a
Deus.
[7] TOZER, A. W. – A Conquista Divina, 2ª edição, São Paulo – SP: Editora Mundo
Cristão, Julho de 1987
[8] Ibid.
[9] Dicionário Bíblico Almeida, em A Bíblia Online versão 2.01 - SBB
[10] CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo,
volume 4: I Coríntios – Efésios. Décima reimpressão, São Paulo: Editora Candeia,
1998.
Walmir Vigo Gonçalves