A IGREJA DE DEUS DEVE VIVER EM SANTIDADE
I Coríntios 1:1-9
O apóstolo Paulo era um homem completamente dominado e guiado pelo Espírito
Santo de Deus. E não era pra menos! Afinal, ele era um apóstolo de Jesus Cristo,
e o era não por sua própria idealização, e, sim, porque ele fora chamado por
Deus para isso. O evangelista Lucas, que também escreveu o livro de Atos, nos dá
conta de que após a conversão de Saulo (Paulo), um homem de nome Ananias teve
uma visão na qual o Senhor lhe ordenava ir orar por Saulo. Ananias questionou,
porque estava com medo, porque soubera que este Saulo fora um perseguidor de
cristãos, e até consentia na morte dos mesmos. Porém o Senhor lhe disse: “Vai,
porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos
gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.” (Atos 9:15 RC)
Depois, em Gálatas 1:15 e 16, o próprio Paulo diz que Deus o separara desde o
ventre de sua mãe, ainda que o tivesse chamado só depois, quando Lhe aprouve
revelar nele Seu Filho Jesus Cristo.
Por ser completamente dominado e guiado pelo Espírito Santo de Deus, Paulo era
um homem que tinha uma visão aguçada da realidade das igrejas, e, quando lhes
escrevia, escrevia com propósitos definidos. Até mesmo nas saudações, nas
primeiras linhas de suas cartas, podemos perceber objetivos bem definidos. E
isso é o que acontece nesta carta aos Coríntios:
a) A igreja estava passando por dificuldades sobre ‘de quem eles eram’, o que
gerava divisões internas, e ele introduz já enfatizando que a igreja é de Deus.
b) A igreja estava inserida em um contexto de elevada corrupção moral, e alguns
estavam se deixando contaminar por isso, e, já na introdução, ele enfatiza que a
igreja de Deus é composta de ‘santificados em Cristo Jesus’.
c) E também ele enfatiza, na sua introdução, que a vontade de Deus é que a sua
igreja seja irrepreensível, e também que a igreja possui uma determinada riqueza
vinda de Cristo, o que deveria eliminar alguns dos problemas pelos quais eles
passavam.
Vamos estudar um pouco sobre essas questões.
I. A IGREJA É DE DEUS – V. 2.
De quem é esta igreja?
Esta igreja não é a igreja do Pr. Walmir, ou a igreja do irmão “fulano de tal”,
como muitas vezes dizemos. É óbvio que, quando assim nos expressamos, trata-se
apenas de uma maneira de falar, significando o lugar onde determinada pessoa
congrega. Nesse sentido a igreja até pode ser a “igreja do irmão tal”, ou a
igreja de “fulano”.
Mas há casos em que, penso eu, pessoas imaginam que determinada igreja pertence
de verdade a alguém em particular. E o pior é quando alguém pensa que a igreja
pertence a ele. Paulo, ao escrever aos Coríntios, tinha como uma de suas
intenções esse tipo de problema (o primeiro tipo). Confira essa verdade em
3:1-9. E é certamente por isso que ele começa esta carta dizendo: “Paulo ... e o
irmão Sóstenes, à IGREJA DE DEUS que está em Corinto”.
Jesus disse: “Edificarei a MINHA IGREJA”. A igreja é de Deus, a igreja é de
Jesus. Foi Jesus quem a edificou. Ela é composta de pessoas que foram compradas
por Jesus com o seu sangue. Efésios 5.25 diz que “...Cristo amou a igreja, e a
si mesmo se entregou por ela”.
Essa igreja não é sua, e nem minha. Essa igreja é de Deus!
II. A IGREJA É COMPOSTA DE “SANTIFICADOS EM CRISTO” – V. 2
É muito significativo o fato de Paulo haver chamado a igreja de Deus que
estava em Corinto de “Santificados em Cristo”.
A cidade de Corinto era, na época de Paulo, uma cidade famosa, dentre outras
coisas, por causa de sua grande corrupção moral. Seu comércio promovia a cobiça;
seus cultos pagãos promoviam a concupiscência; em sua adoração pagã havia o
emprego da prostituição, e um grande número das religiosas de Corinto eram
prostitutas cultuais profissionais. Estrabão revela-nos que havia mil
prostitutas religiosas oficiais associadas aos cultos religiosos daquela cidade,
que tinha por principais divindades a “Mãe Suprema”, “Melcarte”, “Serápis”,
“Ísis” e “Afrodite”. Esse pecado era tão forte em Corinto que deu origem a
expressões como “corintianizar”, que tinha o sentido de iniciar-se em práticas
imorais. Também a expressão “donzela coríntia” simbolizava essa iniciação. E
ainda a expressão “enfermidade coríntia” indicava os resultados venéreos desses
pecados de imoralidade. (CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo, volumes 3 e 4, décima reimpressão, São Paulo, editora
Candeia, 1998.)
Paulo, então, diz aos crentes de Corinto: Vocês, crentes que vivem nesse lugar
terrível onde a imoralidade é algo normal, é a ‘última moda’, atrai os
turistas... não se esqueçam que vocês não devem se deixar influenciar, porque
vocês são os “santificados em Cristo Jesus”. Todo o restante do povo, e também
os turistas “podiam” participar daqueles pecados, mas os crentes eram pessoas
separadas e que deviam se dedicar às coisas santas do Senhor.
O mesmo se aplica a nós. No país em que vivemos há muitas coisas que são
“normais” e outras que estão caminhando para lá, mas que são erradas diante do
Senhor, coisas pelas quais não devemos nos deixar influenciar.
Não podemos esquecer que nós somos os “santificados em Cristo Jesus”, o povo que
se dedica não ao erro, e sim, às coisas santas do Senhor.
III. A IGREJA DE DEUS É ENRIQUECIDA EM CRISTO JESUS – V. 5
Há muitas pessoas que vêm para a igreja hoje em dia motivadas pela crença de
que vão encontrar nela a tão sonhada prosperidade (material). E a própria igreja
é responsável por isso. A igreja prega isso e mostra alguns exemplos de pessoas
que conseguiram a prosperidade material, mas se esquece de que a grande maioria
dos crentes não é tão próspera assim, materialmente falando. E isso até gera uma
certa discriminação por parte de alguns para com outros.
Os “melhores crentes” que já existiram e existem na face da Terra não foram e
não são tão “prósperos” assim.
Pedro e João não tinham ouro, e nem prata (Atos 3.6).
Paulo não escondia o fato de que ele fora um homem experimentado nas privações
(Fl. 4.12).
Estêvão, ao invés de “enriquecer”, morreu apedrejado (Atos 7.60).
Os crentes das igrejas da Macedônia, que receberam o elogio de Paulo em II
Coríntios 8 por causa de sua liberalidade e pelo fato de que haviam se dado ao
Senhor, eram pessoas que viviam, nas palavras de Paulo, “em profunda pobreza”.
Não obstante a isso, a igreja de Deus é composta pelas pessoas mais ricas da
face da Terra, porque rico não o é quem apenas possui dinheiro; rico é aquele
sobre quem a graça de Deus em Cristo Jesus é derramada abundantemente.
Pedro e João não tinham ouro, e nem prata, mas eles tinham algo muito mais
valioso: a graça de Deus repousava sobre eles, inclusive conferindo-lhes poder
para levantar um paralítico.
Paulo era um homem experimentado nas privações, mas a graça de Deus estava sobre
ele e o fortalecia, e, mesmo em meio às dificuldades ele tinha palavras como as
seguintes:
“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são
para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8:18 RC)
“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto.” (Romanos 8:28 RC)
“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos
nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:31-32 RC)
“Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os
principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem
a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus,
que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Romanos 8:38-39 RC)
Estêvão, ao invés de enriquecer, morreu apedrejado, mas no momento de sua morte
ele estava vendo o céu aberto e Jesus assentado à direita do Pai, e, com
convicção, ele pôde expressar-se: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”.
As igrejas da Macedônia viviam em “profunda pobreza”, mas a graça de Deus estava
sobre elas, e elas possuíam alegria em abundância e riquezas de generosidade.
Paulo diz à igreja de Deus que estava em Corinto que ele não cessava de
agradecer a Deus por eles, porque a graça de Deus lhes havia sido dada em Cristo
Jesus, e em tudo eles haviam sido enriquecidos. E Paulo cita três grandes
riquezas que eles possuíam:
1) Palavra – o que indica a capacidade para transmitir a verdade;
2) Conhecimento – o que indica a capacidade de apreensão da verdade;
3) Dons – nenhum Dom lhes faltava, inclusive os dois acima citados.
Eles eram ricos! Mas eles eram ricos porque Cristo os havia tornado ricos. Eles
eram orgulhosos de sua riqueza como se ela lhes fosse natural, e Paulo então
tenta corrigir isso, lembrando-lhes de onde provinha a riqueza deles.
IV. DEUS DESEJA QUE SUA IGREJA SEJA IRREPREENSÍVEL – V. 8
Deus quer que sua igreja seja irrepreensível, e esse é um dos motivos de Ele
nos deixar a Sua Palavra. Paulo diz a Timóteo, sobre a Escritura, que ela é
inspirada por Deus, e, como tal, é útil para o ensino, para a repreensão e para
a instrução na justiça, visando o aperfeiçoamento do homem de Deus.
A Palavra de Deus é o nosso norte espiritual, mas é preciso ouví-la e
obedecê-la. Quem assim não age, nas palavras de Jesus, é semelhante a um homem
tolo que constrói a sua casa na areia.
Deus quer que a sua igreja seja irrepreensível. Alguns outros textos que mostram
isso são:
“como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos
santos e irrepreensíveis diante dele em caridade,” (Efésios 1:4 RC)
“para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio
duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no
mundo;” (Filipenses 2:15 RC)
“Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados
imaculados e irrepreensíveis em paz” (2 Pedro 3:14 RC)
No dia de Cristo a igreja será apresentada irrepreensível. Isso é garantido por
Cristo em sua Palavra. Mas cabe à igreja buscar viver a vida de santidade já no
presente.
CONCLUSÃO
A igreja é de Deus.
A igreja de Deus é composta por pessoas que devem se dedicar não ao pecado, e
sim às “coisas santas do Senhor”.
A igreja de Deus possui abundante riqueza, mas não deve se orgulhar disso como
se lhe fosse algo natural, e não recebido de Deus. Também a igreja de Deus local
não deve jamais se orgulhar por alguma virtude que ela tenha e que uma outra não
tenha.
Jesus trabalha na igreja e vai apresentá-la irrepreensível no dia final, mas a
igreja precisa estar preocupada em ser uma igreja santificada já.
A igreja é de Deus, e, por ser de Deus, deve viver em santidade.
Vejamos, para encerrar, o que a Palavra de Deus nos diz em I Pedro 1.13-16:
“Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai
inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo, como
filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em
vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também
santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos,
porque eu sou santo.” (1 Pedro 1:13-16 RC)
Pr. Walmir Vigo Gonçalves, Congregação Batista na região do Porto Meira - Foz do
Iguaçu, PR