Outros Sermões 1 Coríntios

A CAIXA DE FERRAMENTAS DE DEUS
I CORÍNTIOS 1:26-29

Objetivo: Mostrar que, mesmo sendo fracos, Deus é capaz de nos usar para grandes feitos, se nos depositarmos em Suas mãos.

INTRODUÇÃO.
Quase todo homem tem a sua caixa de ferramentas. Não tem que ter, necessariamente, uma bonita caixa de madeira ou de material plástico, como muitos, mas sempre acabamos tendo alguma coisa de ferramentas, ainda mais agora, com as facilidades do R$1,99.

Deus também tem a sua caixa de ferramentas, as quais ele usa para realizar grandes feitos. Mas, ao contrário do que podemos pensar, a caixa de ferramentas de Deus não contém apenas grandes instrumentos de trabalho. Em sua maioria, os instrumentos, em certo sentido, como veremos no decorrer desta reflexão, são débeis, isto é, fracos. Poderíamos compará-los com os materiais que tem na caixa de um determinado diácono e amigo pessoal: um monte de bugigangas, mas que, bem usadas, por alguém apto como ele, realizam grandes obras, como as que temos podido ver (aqui em Foz).

Vejamos, pelo texto, o que há na caixa de ferramentas de Deus.

I.COISAS LOUCAS.
Por coisas loucas devemos entender coisas débeis, isto é, fracas, pessoas que não têm grande sabedoria em termos humanos, que não têm posses materiais e que não têm nenhum prestígio ou poder político.

INFORMAÇÃO ÚTIL: “Os crentes primitivos eram de nascimento humilde e destituídos de posição na sociedade. Isso fica claramente evidenciado em seus nomes pessoais, a maioria dos quais eram apelativos próprios de escravos ou de libertos, e não dos orgulhosos e originais cidadãos romanos. Grande número desses nomes próprios, encontrados nas catacumbas de Roma, sobre lápides, inscrições, etc., também comprova o fato. Sabe-se que o fato dos cristãos geralmente virem de classes humildes se tornou motivo de motejo entre os literatos da época, conforme se vê nos anais de Tácito (xv.44), nos escritos de Justino Mártir (Apol. 2:9), nas obras de Orígenes (Contra Celsum, ii. 79; Minuc. Felix. Vii.12). Os cristãos eram apodados de “rudes”, “incultos”, “aldeões” ou “lavradores”. (...) . Plínio referiu-se aos Cristãos como INDIVÍDUOS PROVENIENTES DE TODAS AS CLASSES ORDINÁRIAS DA SOCIEDADE.”[1][1] (os destaques são meus).

É óbvio que haviam as exceções. Dionísio, que foi um dos convertidos através do ministério do Apóstolo Paulo, foi um dos principais líderes políticos de Atenas, Segundo Atos 17:34. Erasto era tesoureiro da cidade de Corinto (Rm. 16:23). Havia mulheres nobres de Tessalônica e de Beréia, etc. E o próprio texto que lemos deixa isso subentendido, no versículo 26. No entanto, a grande maioria dos crentes sempre foi e ainda é constituída de pessoas vindas das classes mais humildes da sociedade.

Porém, mesmo sendo nós tão débeis, o texto diz que Deus nos escolheu para confundir os sábios. Quando nós, ferramentas tão fracas, nos colocamos nas mãos de Deus, Ele, com a Sua sabedoria e poder realiza através de nós aquilo que nem o mais sábio, nem o mais poderoso politicamente, nem o mais rico em termos materiais consegue realizar, e isso lança “confusão” em suas mentes carnais. Além do mais, nós possuímos uma sabedoria que o mais sábio homem “natural” não possui.

II. COISAS FRACAS.
É o mesmo caso do ponto acima, mas eu quero acrescentar aqui uma citação de um homem chamado Milton: “Quem é aquele... que mede a sabedoria pela simplicidade, a força pelo sofrimento, e a dignidade pela baixeza? Quem é aquele que pensa que o primeiro é o último, que alguma coisa não é nada, e que se julga muito importante, somente porque é um servo? Contudo, quando Deus teve por bem subjugar o mundo e o inferno ao mesmo tempo, parte daquele para a salvação e totalidade deste último para a perdição, não fez escolha de quaisquer outras armas auxiliares além desses, ... . Teria sido prodígio pequeno para Ele colocar suas legiões em ordem de batalha, flanqueando-as com os Seus trovões; portanto, enviou a Insensatez para confutar a Sabedoria, a Fraqueza para amarrar a Força, e o Desprezo para conquistar o Orgulho. Nisso consiste o grande mistério do evangelho, que pode ser verificado na experiência do próprio Cristo, o Qual não veio para ser servido, mas para servir, o que também se deve cumprir em todos os seus ministros, até ao segundo advento.”[2][2](o destaque é meu).

III. COISAS VIS, DESPREZÍVEIS E QUE NÃO SÃO.
Na caixa de ferramentas de Deus há, aos olhos humanos, “coisas vis”, isto é, pessoas de nível social baixíssimo. Isso representa a maioria dos crentes.

Há as coisas desprezíveis, isto é, dignas de desprezo. Principalmente em alguns países ao redor do mundo os crentes são literalmente reduzidos a nada. Mesmo em nosso país, quem é que não sente que há um certo desprezo, senão pela pessoa, pela sua crença?

Há coisas que não são... Os crentes eram tão desprezados na época de Paulo, que eram considerados como se nem mesmo existissem. Na escala de valores humanos da época, eles não cabiam nem mesmo nas classes mais desprezíveis.

Mas essas pessoas, diz Paulo, Deus escolheu para aniquilar, isto é, reduzir a nada aqueles que se acham muito sábios, cuja sabedoria é apenas terrena e animal. Notem que Paulo muda a expressão envergonhar para “reduzir a nada”. Essa é uma idéia mais forte, e, o que Paulo está transmitindo é que “a sabedoria e o poder de Deus se evidenciarão de tal maneira naqueles que são ‘chamados’, qualidades essas tão ausentes nos sábios e nos nobres de nascimento, que, finalmente, tornar-se-á patente onde jaz o valor autêntico. Aqueles que estão sem Cristo é que aparecerão, aos olhos de todos, como miseravelmente paupérrimos, como nulidades, como destituídos de qualquer sabedoria ou riqueza duradouras. Em contraste com isso, os que confiam em Cristo aparecerão como possuidores de toda a riqueza, de todo o poder e de toda a nobreza de Deus, visto que estão sendo transformados segundo sua imagem...”[3][3](o destaque é meu)

Finalmente, todo o prestígio humano será aniquilado; isso é decretado por Deus. Não somos nós, propriamente dito, que aniquilaremos, ou reduziremos a nada o orgulho deste mundo; isso será realizado por Deus quando forem levadas a termo as suas relações para com os que, agora, “são” e os que “não são”. (veja Mateus 11:25 , Lucas 14:21 e Jeremias 9:23-24). A exaltação de alguns, dentro da igreja, e o desprezo de outros, é objeto de severa advertência por parte de Paulo neste texto. Alguns há neste mundo, mesmo dentro da igreja, que possuem algumas vantagens naturais sobre outros, mas, como diz C. T. Craig, citado por Champlin: “Todas as vantagens naturais se tornarão perfeitamente inúteis; porquanto dependemos totalmente do Dom de Deus”

IV. PARA QUE NENHUMA CARNE SE GLORIE PERANTE ELE.
Há muitas pessoas hoje que se gloriam em sua posição, seja esta social ou intelectual. E há até muitos crentes, pastores até, que se gloriam em sua sabedoria humana. Eu ouvi o caso de um, por quem eu até tenho uma certa admiração, que disse que pastor que não sabe inglês é medíocre. Depois ele se retratou, mas seu orgulho ficou evidenciado. De que valerá o seu inglês diante de Deus? Não estou incentivando ninguém a não se desenvolver, apenas estou dizendo que devemos evitar a soberba, o achar que somos mais ou melhores que os outros, devido a um desenvolvimento um pouco maior.

Ninguém poderá se gloriar diante de Deus. Ele tem sua caixa de ferramentas; as ferramentas somos nós; uns são chave de fenda, outros alicates, outros parafusos, outros buchas de parafusos, mas se Deus quiser apertar um parafuso, a chave de fenda não precisa ficar se gloriando, dizendo que só ela é capaz de fazer isso. Em se tratando de Deus, Ele pode, se quiser, usar até a bucha para apertar o parafuso.

É isso que diz o texto; é isso que acontece na maioria das vezes; Deus usa coisas “loucas”, coisas “fracas”, coisas “vis e desprezíveis”, coisas que “não são”, aos olhos humanos[4][4], para confundir, envergonhar, reduzir a nada aqueles que se acham o máximo. Desta maneira, ninguém vai poder se gloriar diante de Deus, pois a capacidade humana natural nada pode realizar para Deus por si mesma, assim como uma ferramenta real não pode cumprir a sua função se não for usada por alguém.

CONCLUSÃO.
Para concluir, apenas quero dar alguns exemplos bíblicos de como Deus pode usar coisas frágeis para realizar grande feitos.

Ø “Uma vara – Êxodo 4:2;

Ø A queixada de um burro – Juízes 15:15;

Ø Cinco pedrinhas – I Samuel 17:40;

Ø Um punhado de farinha e um pouco de azeite – I Reis 17:12;

Ø Uma nuvem do tamanho da mão de um homem – I Reis 18:44;

Ø Cinco pães de cevada – João 6:9.”[5][5]

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

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[1][1] CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Vol. 4 : I Co. à Ef. – 10 ª reimpressão. Cidade Dutra – Interlagos – São Paulo, SP.- Editora e Distribuidora Candeia – 1998 - 652 p. – Informação extraída das páginas 23 e 24.

[1][2] Ibid., citando Milton.

[3][3] Ibid., p. 24

[4][4] Paulo não estava afirmando que ele ou Deus considerava as pessoas assim, ou que eles eram de fato assim, e sim, que eles eram vistos desta maneira por grande parte da sociedade da época, o que também acontece nos dias atuais, em alguns lugares de forma mais acentuada que outros. Às vezes isso acontece até dentro da igreja. Por exemplo, quantas críticas sofrem alguns irmãos, por nós mesmos, que são esforçados pregadores da palavra de Deus, mas não têm um bom português, falam algumas palavras erradas, e às vezes têm um pouco de dificuldades até para ler! Mas eles estão pregando, e têm conquistado muitas almas para Jesus, enquanto, muitas das vezes, nós que nos consideramos um pouco mais cultos, pouco ou nada estamos fazendo. Que Deus tenha misericórdia de nós!

[5][5] Assunto 3811 da Enciclopédia de Assuntos inserida em a Bíblia Vida Nova – Editora Vida Nova