CRISTO É PARA NÓS...
1 Coríntios 1
O que Jesus Cristo é para você? O que ele representa para você, em sua vida?
A Bíblia, a Palavra de Deus, fornece-nos uma quantidade enorme de informações
sobre o que Jesus Cristo representa para os homens. Não o que os homens,
individualmente, dizem com seus lábios sobre essa questão, mas o que ele de fato
representa.
Para alguns Jesus não representa boa coisa não, ainda que estes professem o
contrário. Querem ver?
“Pelo que também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal
da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido. E assim
para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os
edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina; e uma pedra de tropeço
e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes;
para o que também foram destinados.” (1 Pedro 2:6-8 RC)
Porém, para outros Jesus representa algo extremamente glorioso. Só aqui nesse
primeiro capítulo de I Coríntios, encontramos:
“Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a
Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1 Coríntios 1:24 RC)
“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito:
Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1 Coríntios 1:30-31 RC)
Poder de Deus, Sabedoria, Justiça, Santificação e Redenção. Isso é o que Cristo
é para nós, e é sobre isso que estaremos considerando nesse estudo.
I. PODER DE DEUS
No Novo Testamento encontramos algumas palavras diferentes, mas que podem,
todas elas, serem, no português, traduzidas por uma mesma palavra: “poder”.
Vejamos[1]:
a) Dúnamis – Indica obras poderosas (milagres). É encontrada mais de cem vezes
em o Novo Testamento.
b) Exousia – Indica poder como autoridade para realizar alguma coisa. Também
aparece cerca de cem vezes em o Novo Testamento. Um bom exemplo é este:
“Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse
dado...” (João 19:11 RC)
c) Krátos – Poder no sentido de domínio, força. Aparece 12 vezes em o Novo
Testamento.
Paulo, aqui em 1 Coríntios 1, usa o termo dúnamis para se referir a Cristo como
sendo o Poder de Deus. Cristo crucificado, ainda que pareça loucura para alguns,
é o poder de Deus em ação para operar o milagre da salvação. Paulo, em Romanos
1.16, diz que o evangelho de Cristo é o poder (dúnamis) de Deus para a salvação
de todo aquele que crê.
Aprouve a Deus salvar os homens pela loucura da pregação (v. 21), e o conteúdo
dessa pregação é Cristo crucificado (v. 23), e Cristo crucificado é o poder de
Deus em operação para efetuar o milagre da salvação. Rejeitar a Cristo é o mesmo
que rejeitar o milagre de Deus, a salvação que ele oferece. Nada além de Cristo
pode realizar esse milagre, muito menos a sabedoria humana.
Uma determinada pessoa, de nome Kling, citada por Champlin em O N. T. Int. Vers.
por Vers., comenta: “Enquanto os judeus indagavam como é que uma pessoa
crucificada e maldita poderia ser o Salvador de Israel, como alguém tão
destituído de força poderia ser capaz de derrubar todos os poderes hostis, e
enquanto os gregos julgavam absurdo a salvação da parte de alguém que tivera um
fim tão miserável, por outro lado, os escolhidos de Deus, experimentam e
confessam que é do Redentor crucificado que se origina o poder divino, o poder
da vida e da paz celestiais, bem como um poder renovador, santificador,
beatífico, como não poderia ser encontrado em coisa alguma pertencente à
criatura.” [2]
Cristo é o poder de Deus. Somos salvos porque Cristo é o poder de Deus que
operou esse milagre em nós.
II. SABEDORIA DE DEUS
O que vem a ser ‘sabedoria’ ?
Esta é uma boa pergunta, e complicada também. Filósofos, como Platão,
Aristóteles, Spinosa e outros, fizeram suas considerações, e cada um falava uma
coisa diferente. Juntando tudo o que eles disseram talvez tivéssemos uma boa (e
grande) definição.
De uma maneira geral podemos pensar em sabedoria como sendo conhecimento, mas
também como sendo a capacidade de aplicar corretamente esse conhecimento.
Nas palavras de Champlin, “Ter sabedoria é pensar bem e agir bem em qualquer
empreendimento realizado, seja secular ou espiritual” [3]
Quando Paulo diz então que Cristo é para nós a Sabedoria de Deus, uma das coisas
que ele está querendo dizer é que em Cristo Deus revelou a Sua sabedoria, pois
Deus planejou salvar o homem em Cristo, e teve a capacidade de fazer com que
esse seu plano fosse executado.
Desde a eternidade Deus já havia decretado que salvaria o homem mediante seu
Filho, o Cristo þ A mensagem bíblica como um todo nos passa essa idéia. As
profecias acerca deste propósito divino vêm desde Moisés. Mas o texto abaixo é
bastante revelador:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com
todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção
por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para
louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado. Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça, que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria
e prudência, descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as
coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como
as que estão na terra;” (Efésios 1:3-10 RC)
Deus decretou desde a eternidade, e depois Ele foi colocando em prática o seu
planejamento. O Filho de Deus encarnou, desenvolveu seu ministério entre nós,
morreu, ressuscitou ao terceiro dia e foi exaltado à mão direita do Pai. Tudo
isso estava designado de antemão e foi cumprido à risca, e é assim que Cristo
revela a Sabedoria de Deus. CRISTO É PARA NÓS A SABEDORIA DE DEUS. A mensagem do
Cristo crucificado pode ser uma insensatez para alguns, mas para nós, os que
cremos é o Poder de Deus e a Sabedoria de Deus.
“Tudo quanto os homens podem conhecer acerca da verdadeira sabedoria, precisam
conhecê-la em Cristo; pois, para os homens, Cristo é a sabedoria de Deus. A
sabedoria de Deus é demonstrada do Seu plano, relativo à redenção da humanidade,
plano esse que concretiza algo que a sabedoria sob hipótese nenhuma poderia
concretizar. E a palavra ou mensagem da cruz é o tema central dessa sabedoria.
Por igual modo, essa sabedoria é a única que permanecerá de pé sob o teste do
juízo divino. Através da sabedoria de Deus é que o mundo inteiro pode ser
potencialmente salvo. Tudo isso pode parecer um escândalo, uma insensatez e uma
pedra de tropeço para os homens, mas Jesus Cristo é a própria personificação da
sabedoria de Deus. A grande verdade é que a sabedoria de Deus, que tantos homens
reputam como insensatez, é mais sábia que a sabedoria humana [4], porquanto
cumpre aquilo que o engenho humano está impossibilitado de fazer. Mas esse
cumprimento só se verifica no caso de homens humildes, que reconheçam sua
ignorância espiritual; pois Deus dá iluminação espiritual a esses, mas resiste
aos soberbos. Sim, Cristo é a verdadeira sabedoria de Deus, fazendo violento
contraste com a falsa sabedoria humana.” [5]
III. JUSTIÇA[6]
“Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30 RC)
Existe uma doutrina bíblica conhecida como a “Doutrina da Justificação”. De uma
maneira bem simples a Justificação pode ser entendida como sendo a atitude de
Deus em conceder ao homem que crê em Cristo uma nova posição diante d’Ele: a
posição de justo.
Vários textos da Palavra de Deus nos dão conta disso. Eis alguns:
“E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é
justificado todo aquele que crê.” (Atos 13:39 RC)
“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus
Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de
Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será
justificada.” (Gálatas 2:16 RC)
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores,
assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:19 RC)
“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes
demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, como
está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há
ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis.
Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto;
com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus
lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros
para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram
o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, nós sabemos
que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca
esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso, nenhuma
carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o
conhecimento do pecado. Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus,
tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em
Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados
gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus
propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça
pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para
demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e
justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:9-26 RC)
Vê-se também, por esses versículos, que a justificação se dá logo em seguida à
conversão. O homem crê em Jesus (se converte), e então ele é declarado justo por
Deus, independente de qual seja o seu caráter. Mas não para por aí. Se assim o
fosse, se Deus não fizesse que a justificação resultasse em algo mais, se a
justificação não levasse a uma vida de retidão, seria algo no mínimo estranho. A
fé não é substituta da retidão; a fé, pela qual somos justificados,
necessariamente leva também à retidão. Portanto, nesse ato de Deus estão
envolvidas:
(1) A remissão da Pena – Qual é a pena para o pecado? Veja os seguintes textos:
“E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás
livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque,
no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16-17 RC)
“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte,
assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.
Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não
havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles
que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele
que havia de vir.” (Romanos 5:12-14 RC)
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 6:23 RC)
Por esses textos e outros mais vemos que a pena para o pecado é a morte, na
seguinte ordem: a) espiritual; b) física e c) eterna.
Quando o homem crê em Cristo, e, conseqüentemente, é justificado por Deus, ele é
livre da pena, no que diz respeito à morte espiritual e eterna:
“Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...”
(Romanos 8:1 RC)
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre
os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.” (Romanos
8:33-34 RC)
“Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se vos anuncia a remissão
dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados,
por ele é justificado todo aquele que crê.” (Atos 13:38-39 RC)
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16 RC)
“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto
não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:18 RC)
(2) A restauração ao favor divino – A Justificação proporciona ao homem que crê
em Cristo a certeza de sua aceitação diante de Deus, a certeza de que agora Deus
é a ele favorável. Isso ela faz porque está baseada não em alguma coisa de nós
mesmos, mas na obra redentora de Cristo Jesus.
“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não
verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” (João 3:36 RC)
“Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos
homens que detêm a verdade em injustiça... sendo justificados pelo seu sangue,
seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 1.18 e 5:9 RC)
“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
(Romanos 8:31 RC)
“...Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os
seus pecados...” (2 Coríntios 5:19 RC)
(3) Imputação da justiça – É assim que Deus nos restaura ao favor. Não fomos
justificados porque Deus encontrou alguma justiça em nós que possibilitasse a
que, por nossos próprios méritos, estivéssemos de pé diante d’Ele. Foi-nos
imputada a justiça de Cristo. Isso ocorre pela fé. Não há obras para isso. Como
diz o nosso texto base, “...Jesus Cristo... para nós foi feito por Deus...
justiça...”.
(4) A Justificação conduzirá, necessariamente, a uma vida de retidão – Ainda que
a justificação possa ser vista com algo separado da Santificação, como dizem a
maioria dos teólogos protestantes, certamente que quando Deus justifica alguém
seguir-se-á a esse ato, necessariamente, a transformação do caráter, a
transformação moral. O Espírito de Deus estará operando, necessariamente, essa
obra na vida do crente. Veja os seguintes textos:
“Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a
aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo.” (Filipenses 1:6 RC)
“...Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar,
purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo
igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e
irrepreensível.” (Efésios 5:25-27 RC)
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”
(Hebreus 12:14 RC)
“...eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para
a obediência...” (1 Pedro 1:2 RC)
“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E
aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também
justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Romanos 8:29-30
RC)
“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” (1 Ts
4:7 RC)
O Cristo crucificado, então, pode ser um escândalo para alguns, e uma loucura
para outros, mas para nós que somos salvos é o poder, o dúnamis de Deus que
operou o milagre da nossa salvação; é a manifestação da sabedoria de Deus que
planejou e soube como efetuar o plano para a nossa salvação; e é a nossa
justiça. Nós não temos justiça própria, Cristo é a nossa justiça. É nele que
somos perdoados, é nele que somos libertos da pena do pecado, é nele que somos
justificados, é nele que somos salvos, é nele que somos aceitos diante de Deus,
é por ele que temos acesso a essa graça, é por ele que Deus se tornou favorável
a nós; e é só por ele; não há outro meio.
“...Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos
amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com
Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez
assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos
vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco
em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem
de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios
2:4-9 RC)
“...por ele... temos acesso ao Pai...” (Efésios 2:18 RC)
“...ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo
caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus
10:19-20 RC)
IV. SANTIFICAÇÃO
“...Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus... santificação...” (1
Coríntios 1:30 RC)
Jesus Cristo para nós foi feito santificação! Mas, o que significa isso?
Langston, ao desenvolver, em sua teologia sistemática, o tema santificação,
começa dizendo: “O grande propósito de Deus em estabelecer o Seu reino entre os
homens é conseguir duas coisas: primeiramente, estabelecer uma relação vital
entre Si mesmo e o homem; segundo, produzir no homem um caráter que esteja de
acordo com esta nova relação existente entre os dois” [7]
Com essas palavras Langston está mostrando a verdade de que o termo santificação
na Bíblia tem um duplo sentido. Significa consagração ou dedicação a Deus, o que
implica no estabelecimento de uma relação entre o homem e Deus[8], mas também
significa um processo de transformação ética, o que é expressado por Langston
como sendo a produção de um caráter em acordo com a nova relação estabelecida.
Isso é bastante claro na Bíblia. Várias vezes encontramos o apóstolo Paulo se
dirigindo aos crentes como santos, dando a entender uma posição que eles
possuem. Veja por exemplo o versículo 2 de 1 Co. 1 e o versículo 7 de Romanos 1:
“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus,
chamados santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor
Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Coríntios 1:2 RC)
“A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de
Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 1:7 RC).
Mas os que possuem essa posição precisam progredir em santificação, e
progredirão, necessariamente. Veja os seguintes textos:
“Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como
apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a
maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a
santificação.” (Romanos 6:19 RC)
“Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto
para santificação, e por fim a vida eterna.” (Romanos 6:22 RC)
“Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia
da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.” (2
Coríntios 7:1 RC)
“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da
prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e
honra” (1 Ts 4:3-4 RC)
“Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” (1 Ts
4:7 RC)
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”
(Hebreus 12:14 RC)
Deus, em Cristo, santificou para Si um povo. A esse povo Deus, por Cristo,
através da atuação do Espírito Santo, está santificando. E isso é maravilhoso,
porque o ato do Espírito, tornado possível pelo Cristo crucificado, de operar a
santificação, é o ato que torna possível ao homem entrar no reino de Deus. Sem a
santificação ninguém verá o Senhor!
Estou lendo pela segunda vez, na ocasião em que preparo este estudo, o livro “A
Conquista Divina”, de A. W. Tozer, e nesse livro tenho algumas partes às quais
dei destaque, e, dentre elas quero citar duas aqui, que julgo preciosas para
esse tópico de nosso estudo. Ao comentar sobre o fato de que o evangelho em
nossa vida não deve chegar apenas em palavra, mas também em poder, poder
transformador, tozer diz:
“A mensagem cristã retamente entendida significa isto: o Deus que pela palavra
do Evangelho proclama livres os homens, pelo poder do Evangelho de fato os faz
livres” [9]
“A mensagem do Evangelho é, pois, a mensagem de uma nova criação em meio a uma
antiga, a mensagem da invasão da nossa natureza humana feita pela vida eterna de
Deus e a substituição da velha natureza pela nova. A nova vida captura a
natureza do homem de fé e se dedica à sua benévola conquista, conquista que não
é completa enquanto a vida invasora não tiver tomado posse total e não tiver
emergido uma nova criatura. E este é um ato de Deus, sem ajuda humana, pois é
uma milagre moral e uma ressurreição espiritual.” [10]
A mensagem do Cristo crucificado pode ser uma loucura para alguns e um escândalo
para outros, mas para nós, o Cristo crucificado foi feito por Deus a nossa
santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.
V. REDENÇÃO
“...Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus... redenção” (1 Coríntios
1:30 RC)
REDENÇÃO
Libertação (Sl 111.9).
1) No AT, Deus, o REDENTOR, liberta o povo de situações de cativeiro (Is 43.14),
sofrimentos (Jr 14.8), morte (Jó 19.25), pecado (Is 44.22; 59.20).
2) No NT, Deus, por meio do pagamento de um preço, isto é, a morte de Cristo na
cruz, compra para uma vida de nova liberdade a pessoa que era escrava do pecado
e da LEI (Mc 10.45; Rm 3.24; Gl 4.5; Ef 1.7). Essa redenção será completada no
final dos tempos (Rm 8.21-23). [11]
O termo redenção indica nada menos que o resgate que nos livra do pecado; e
também fala da totalidade de nossa salvação em Cristo, incluindo todos os seus
aspectos.
Cristo é o Redentor, e o seu ato redentor foi a sua morte na cruz. Por esse ato
redentor de Cristo, aquele que crê tem a sua alma reconduzida a seu lar e
destino apropriados, tendo sido restaurada de todo o seu desvio. A alma humana
se acha em estado de servidão ao pecado (e conseqüente perdição), até que é
restaurada por Deus. [12]
Veja os seguintes textos:
“sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo
Jesus” (Romanos 3:24 RC)
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça” (Efésios 1:7 RC)
“em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”
(Colossenses 1:14 RC)
“o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos...” (1 Timóteo 2:6 RC)
“nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez
no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.” (Hebreus 9:12 RC)
Cristo é para nós redenção. Não importa o que as pessoas pensem e digam do
Cristo crucificado, é ele quem efetua a redenção, e se elas quiserem ser
redimidas terão que ir a ele.
CONCLUSÃO
Tudo se resume no seguinte: A salvação do homem depende da operação do poder e
da sabedoria divinas; o homem, não pode ver o reino de Deus em estado de
injustiça e se não passar pela transformação moral que é a santificação, e,
pior, ele não encontra nele mesmo nada que possa lhe fazer justo e santo; o
homem está perdido sob a escravidão do pecado, necessitando ser redimido. O
homem está caminhando a passos largos para a perdição eterna. Mas há um, um só,
que pode salvá-lo: o Cristo, mas o Cristo crucificado! Que loucura não? É o que
muitos acham. Mas é justamente o Cristo crucificado que foi feito para nós:
O Poder de Deus;
A Sabedoria de Deus;
Justiça;
Santificação e
Redenção.
“...a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1:18 RC)
“...os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a
Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.
Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo,
poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que
os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (1 Coríntios
1:22-25 RC)
“...vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30 RC)
Pr. Walmir Vigo Gonçalves
[1] Informações extraídas do volume 7 (dicionário) da coleção O A. T.
Interpretado Versículo Por Versículo, de R. N. Champlin, editora Candeia, e de A
Bíblia Online 2.01 da SBB
[2] KLING – Citado por R. N. Champlin em O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo, volume 4, décima reimpressão, São Paulo – SP, Editora
Candeia, 1998.
[3] CHAMPLIN, R. N – O Antigo Testamento Interpretado: Versículo Por Versículo:
Dicionário – M-Z / Volume 7. Primeira edição – São Paulo – SP, Editora Candeia,
2000.
[4] Para Nicolau de Cusa, citado por Champlin no volume 7 (dicionário) de O A.
T. Int. Vers. por Vers., a sabedoria humana não passa de uma ignorância
informada.
[5] CHAMPLIN, R. N. - O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo,
volume 4, décima reimpressão, São Paulo – SP, Editora Candeia, 1998.
[6] Foram usadas, para este tópico, as seguintes fontes de consultas: - O
Evangelho da Redenção, de Walter T. Conner, 2ª edição – JUERP; / - Palestras Em
Teologia Sistemática, de Henry Clarence Thiessen - IBR; / - O Novo Testamento
Interpretado Versículo Por Versículo, volumes 3 e 4, de R. N. Champlin, 10ª
reimpressão – Candeia.
[7] LANGSTON, A. B. – Esboço de Teologia Sistemática, 11ª edição, Rio de
Janeiro: JUERP, 1994. 305 p.
[8] No A. T. não só pessoas, mas coisas e lugares também eram santificados a
Deus.
[9] TOZER, A. W. – A Conquista Divina, 2ª edição, São Paulo – SP: Editora Mundo
Cristão, Julho de 1987
[10] Ibid.
[11] Dicionário Bíblico Almeida, em A Bíblia Online versão 2.01 - SBB
[12] CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo,
volume 4: I Coríntios – Efésios. Décima reimpressão, São Paulo: Editora Candeia,
1998.